segunda-feira, 1 de junho de 2020

Geo, um mês de saudade!



Há um mês atrás este inesquecível irmão gordo partia daqui para brilhar em palcos celestes!
Difícil acreditar, Geo, que você já não está mais fisicamente entre nós!
Daqui da Terra as notícias não são as melhores, não...
O Corona que te levou segue implacável, assustando, contaminando e levando mais e mais gente do nosso planeta...
Nenhum sinal de mudança à vista, irmão...
O ser humano parece não querer aprender, parece nem mesmo querer tentar compreender que muito do que se passa está diretamente ligado ao seu perdulário modo de vida...
De notícia boa, um destaque importante... As acompanhantes que você selecionou a dedo estão desempenhando brilhantemente seu papel com Tia Lia... Temos acompanhado tudo de perto, dando o tempo de luto a ela, mas seu DNA Valente está vivo nesta mulher admiravelmente lúcida e prática, que está superando sua partida, irmão, com doses muito bem equilibradas de humor, saudade e, sobretudo, oração e fé! Sua mãe está firme e forte em sintonia com o Pai Eterno e os Padres Wellington e Robson, este último carinhosamente batizado por ela como "meu chapa"!
Pois é irmão... A política continua nos provocando engulhos, a mídia e a justiça cada vez mais parciais e nosso país segue no seu processo metamorfósico de pseudo-nação Tupiniquim...
Entrar na sua rua tem sido difícil, irmão... A rua Dra Praguer Fróes enche nossos olhos de lágrimas, assim como a saudade de nossos intermináveis e inesquecíveis papos por telefone!
Com quem desabafar sobre as questões que tanto nos afligiam e com as quais digladiávamos verbalmente, respeitosa e carinhosamente, mesmo quando divergíamos totalmente deste ou daquele assunto...
Um mês de profunda saudade aqui em casa... Dôra todo dia às 18 hs, ouvindo a Ave Maria da janela, olha para o céu e, entre lágrimas, lembra de como foi especial e inesquecível o por do sol do dia 1º de Maio, quando voce nos disse bye! Let, escondendo sua emoção na característica timidez dela
Uma família se formou pela sua amizade, meu irmão... Gente que a todo momento posta uma imagem, uma lembrança, dá um depoimento de saudade, reunida pelo amor que voce espalhou pelo mundo!
Como pessoa de fé, não há como não recordar, cada vez que comungamos um desses momentos, das palavras do próprio Cristo aos seus amigos:
"-Fazei isso em minha memória!"
Assim temos celebrado sua presença, sempre muito viva em nossas mentes e corações...Com alegria, emoção, saudade e profunda gratidão pelo privilégio de termos convivido com alguém tão único como você!
Seu velório, virtual por causa do COVID 19, reunião pessoas tão diferentes e distantes, que choraram e sorriram juntas, e tornaram mais leve a impossibilidade de estarem reunida fisicamente para se abraçarem e te dizerem até um dia!
Esta pequena homenagem, na sua inesquecível voz. traz novas fotos que alguns destes amigos nos enviaram, de tempos distantes e outros mais próximos...
Além de matar um pouco de nossa saudade, irmão, representa o quanto cada um de nós se sentia acarinhado e aconchegado no seu abraço, no seu cuidado, na sua atenção!
Neste primeiro dia de junho, nossa prece por você, na certeza de que se encontra num lugar muito especial da criação amorosa do Pai!
Fica com Deus e vê se consegue, daí de cima, interceder por nós, com uma daquelas suas "chamadas homéricas", de fazer São Jorge corar.... Por falar no Santo de seu nome, chama seu xará e dá um jeito de matar este "dragão" viral pra gente poder tentar reconstruir as coisas por aqui...
Muita paz e luz aonde você estiver!
Com a amizade de sempre, só que numa outra dimensão!


segunda-feira, 25 de maio de 2020

Chamado...



Eu não sei
quanto tempo terei
pra espalhar meu abraço
e sorrir com o olhar
Contra as leis
deste mundo perdido
eu lutei
renovando a esperança
em meu Deus

Sinto a luz aquecer
e inspirar corações
e o milagre brotar
das canções
Ouço a brisa dizer
o que sopra tua dor
o que canta o Amor
o que cala em você...

Eu não sei
quanto tempo levei
pra acertar o meu passo
e enfim te encontrar
Contra as leis
de uma vida sem sentido
eu lutei
estreitando a confiança
em meu Deus

Vejo a paz renascer
no tempo dos perdões
e a certeza embalar
orações...
Sinto Deus lhe dizer
que abraça sua dor
por Amor,
Deus morreu por você...

domingo, 24 de maio de 2020

Anunciação!!!



Não tenha medo, Maria
O Anjo está ao seu lado...
Escute o lindo chamado
pra fazer a diferença...

Não tenha medo, Maria
eis que dará a luz
num tempo em que as trevas
querem ditar o que se pensa...

Não tenha medo, Maria
O Espírito soprará sobre ti!
E todos vão te ouvir
e tudo será alegria!

Não tenha medo, Maria
seu destino abençoado
é cuidar do bom legado
de um Amor que contagia! 

Bastante!




Não dá mais
pra olhar
quem passa fome
e não fazer nada...
e ficar em paz...
Isso tem nome
e é como um espada
é a indiferença
que fere ainda mais!

Não dá mais
pra olhar
quem está ao lado
e ficar parado...
encontrando os "mas"...
Omissão é pecado
que nos tira da estrada
o egoísmo é uma doença
que mata demais...

Mas agora
temos uma escolha
de fazer diferente
de como era antes...
Agora
temos uma chance
escolher ser gente
nos tornar gigantes...

E aí? O que vai ser?
Mais uma dose do mesmo?
Ou tentar outro caminho?
E então? Como vai ser?
Vagaremos a esmo
ou voltaremos ao ninho?

quinta-feira, 21 de maio de 2020

Lição de Casa


Ninguém aprendeu
nada com tudo isso?
A fórmula não vai mudar?
O ilusório justificando
o omisso...
Ainda importa a conta
e quem vai pagar...
Ninguém aprendeu
nada todo este tempo,
sobre o que realmente
deve importar?
O transitório vale
este momento...
mesmo que ninguém
deva transitar...
Ninguém aprendeu
nada com o insulamento?
Ninguém sentiu falta
de abraçar?
Contraditório
este comportamento...
Há solidão em
qualquer lugar...
Ninguém aprendeu
nada com a quarentena?
O repertório
não vai mudar?
O mesmo canal
fixo na antena...
Lição de casa
pra decorar...

Festa do Então


Pé no chão, irmão...
Fé no então!
Então seremos luz...
É na cruz, irmão...
que o Amor conduz...
na encruzilhada,
entre o vertical
e o horizontal...
enxergamos nossa estrada...
Ali, Deus feito gente
entrega seu Espírito
num rito de perdão,
Amor e desprendimento...
O resto é nada!
Pé no chão, irmão...
fincar nossas pegadas!
A solidão da estrada
faz parte da missão!
Quantos cairão
ao nosso lado?
Quantos permanecerão?
Quantos escutarão
seu chamado?
O brado da
Tua Paixão?
Pé no então, irmão!
Fé no grão!
Na semente
que se faz presente...
nos pescadores
de gente...
no ofício
do cristão!
Fé no irmão...
Pé no então...
então seremos sal...
É no Amor, irmão...
no encontro
entre o horizontal
e o vertical
que a fé nos testa
que Deus se manifesta
e nos chama pra festa
de sua própria criação!

O Nada do Ilusório


Vida a cada dia
Todo dia é vida
dádiva querida
saudade, alegria
Sorte em cada lida
morte que se adia
tempos de partida
sonho reinicia...

E o tempo apontando
como tudo é transitório...
o tempo vai mostrando
o grande nada do ilusório...

Tempos de agonia
medo, risco, vida...
corda bamba, fria
dor desequilibra...
Morte chega perto
coração insular...
confinado, deserto...
solidão como lar...

E o tempo apontando
como tudo é transitório...
o tempo vai mostrando
o grande nada do ilusório...

Tempos de esperança
aos sobreviventes
voltar a ser criança
reaprender a ser gente!
Vida chega junto
temos que mudar...
não mudar de assunto
quando isso passar...

E o tempo apontando
como tudo é transitório...
o tempo vai mostrando
o grande nada do ilusório...

sábado, 16 de maio de 2020

Tio Tárcio! (in memorian)



Desde pequeno uma coisa sempre me fascinou em sua vida aqui na Terra: como um cara tão "pé no chão" amava tanto estar entre as nuvens?
Sempre positivo, às vezes impositivo, com uma autoridade que não deixava espaços pra questionamentos, você conseguia, ao mesmo tempo, transmitir uma doçura, um cuidado, uma atenção, como poucos que conheci...
Teria muitas coisas pra partilhar aqui, entre lembranças do Rio, de Volta Redonda, de Bracuí...
Mas o coração vai transbordar agora apenas uma trindade de saudades...
A primeira, em minha infância, vendo você e Vinícius voando num teco-teco...Você, sem saber, realizando o sonho de meu irmão... Nós, daqui de baixo, com o coração na mão...Até que vocês pousaram e nunca vou esquecer o brilho no olhar dos dois, partilhando um pouco do céu com os pobres e humildes mortais que ali aguardavam os heróis que tinham acabado de voar...
A segunda lembrança, um dia aqui na praia de Salvador, bem pouco depois do encontro de meu pai com Deus... No meio de tanta dor e saudade, o seu esforço para manter a sua família e este improvisado cicerone com o mínimo de astral possível, foi profundamente significativo e comovente para aquele adolescente de 13 anos que acabara de se despedir do pai...
Finalmente, a terceira lembrança, eu já adulto, há poucos anos, quando voltamos a nos comunicar por causa do inventário de Tio Luiz Carlos. Lembro de muita afinidade, bem querer e bom humor em nossas conversas por celular. Particularmente lembro da sua risada quando se referia à forma que eu assinava os e-mails e mensagens como os" Didieres" de Salvador...
De lá pra cá, vez por outra, trocávamos posts sobre tecnologia, natureza, pousos e decolagens, entre outros...
Neste momento em que você decola para outra dimensão, Tio, confio de coração que seu vôo tenha sido tranquilo e seguro, com um pouso perfeito no colo do Grande Pai!
Sei que deixou muitos legados, dignos de admiração. Vou registrar aqui os dois principais que conheço: a formação e educação de suas duas filhas, minhas queridas primas Paula e Andréa! Elas e suas famílias falam muito sobre os pais que tiveram! Gratidão por tudo Tio Tárcio! Até um dia!

Contemplação


No silencio da oração
deixe o coração cantar
transformando em canção
o que Deus irmão falar

Dar vazão à própria fé
mergulhar, contemplação...
Gratidão estar de pé,
minha vida em Tuas mãos!

"Quem quiser
salvar sua vida,
irá perdê-la,
mas quem a entrega
por mim,
se salvará..."
No infinito,
a luz do Amor
se torna estrela...
Nossa vida
não tem fim,
em Deus será!

Num momento um violão
deixa a voz de Deus falar
toda paz e mansidão
chegam para aconchegar...

Entregar o que se é,
repartir-se, virar pão,
tudo o que Ele nos disser,
ser milagre, comunhão!

quinta-feira, 14 de maio de 2020

Seguindo os passos da Santa dos Pobres



Um ano após o anúncio da sua canonização, hoje tivemos o privilégio de seguir seus costumeiros passos pela Península Itapagipana, levando a sua imagem num carro aberto. Tentamos fazer da forma mais parecida possível com a sua história, fiéis ao seu legado de simplicidade e aos seus valores. Silenciosamente, sem alarde, sem avisar à imprensa, apenas percorrendo as mesmas ruas, fazendo o mesmo trajeto, oferecendo ao seu povo a doçura da sua presença, como a sussurrar, em tempos tão difíceis:
- "Tenham fé, eu continuo presente!"
Como não nos emocionar e não elevar uma prece de ação de graças a Deus pelas reações que testemunhamos?
Pessoas de todas as idades se benzendo, acenando, gritando seu nome, estendendo as mãos, parando tudo para lhe ver passar. Gente abrindo sorrisos, gente fazendo o rosto se iluminar, gente se derretendo lágrimas de emoção, saudade e gratidão pela certeza da sua presença! Gente simples, verdadeira, transparente, amorosa, pura, gente cheia de fé no coração!
Em cada rua, seja nas esquinas ou nas janelas, uma expressão viva de bem querer, uma manifestação espontânea de respeito, um olhar terno e agradecido em direção à imagem do Anjo Bom da Bahia...
Nas ruas e calçadas acidentadas, de paralelepípedos irregulares e asfalto gasto, sentimos estar seguindo seus passos, oferecendo seus abraços, multiplicando suas bênçãos...
Em cada gesto carinhoso em sua direção, passado, presente e futuro reunidos entre lembranças e pedidos, sonhos e orações, preces e agradecimentos dos milhares de devotos deste seu imenso santuário ao ar livre que costumamos chamar de Cidade Baixa...
No dia de Nossa Senhora de Fátima, Santa Dulce dos Pobres aparece para visitar os seus, levando sua poderosa intercessão junto a Deus!
Humildemente, quase que anonimamente, ela simplesmente passa e se faz presente entre nossa gente...Do céu, expressão de sua alegria, uma chuva intensa e constante, inundando de graças e bênçãos este dia repleto de luz, fé e muito amor!
Neste dia tão especial, seguindo os passos da Santa dos Pobres, fomos direcionados por ela a encontrar a trilha da verdadeira riqueza: seu legado de caridade, solidariedade, espiritualidade e acolhimento!
Amar e Servir! A melhor forma de expressar nossa gratidão á sua Santidade!

Esperança no Olhar (Inspirado na arte de Henrique Studart)



Sim...
Há  esperança...
Mesmo quando a vida nos tira pra dançar em ritmos que desconhecemos e que nos assustam, cada um de nós e a vida, ainda assim, formamos um par...
É preciso acreditar e seguir em frente, tendo coração e mente felizes pela oportunidade de sermos eternos aprendizes...
Sim...
Há  esperança!
Sempre que a arte é a oração  resolvem caminhar de mãos dadas elas conseguem tocar nossas almas e o coração de Deus...
E, embora continuemos a não saber o que fazemos, há um Pai nos protegendo e acolhendo os que chama pra si!
No traço do artista inspirado, uma certeza: a beleza do tempo do abraço  irá voltar...
E ele terá a mesma intensidade com que as mãos da criança decidem abraçar o terço pra rezar...
SIm...
Há esperança...
Doce, terna e mansa, ela parece insistir e se manifesta de tantas formas... sobretudo no olhar...
Mesmo um olhar em preto e branco...
Que nos fala tanto...
Mesmo sem falar! 

domingo, 10 de maio de 2020

Para além do deserto...(à Irmãe Gisa, gratidão pelo retiro virtual)



Seguindo lentamente as pegadas na areia, num tempo muito próprio para andarmos em dois, como em Emaús, escutamos a voz que clama e nos inflama, como Tocha Viva (ou seria Tocha Gisa, aquela que nos batiza com a graça do retiro, luz que se acende pelo amor....)
Na contemplação da imensidão do deserto, enquanto as ruas estão vazias e silenciosas, fomos percebendo, durante cada escuta, que, com Cristo ao nosso lado, o deserto é tão fértil que pode nos transfigurar em jardins regados...
Que imagem linda!!!! Dentro deste jardim, talvez nas vizinhanças da Casa de Bethânia, descobrimos que a Galiléia mais pobre é a formada pelos nossos corações baldios...Terrenos vazios e murados por tradições e conceitos, heranças e indiferenças...Para além destes desertos pessoais, o Cristo que "deixou todas as vantagens de ser Deus para abraçar todas as desvantagens de ser humano" nos convida a viver diariamente o lava-pés...Mas, Senhor, onde encontrar água para fazer isto, em nosso próprio deserto interior?
Tenho sede.... Na mística do instante, a contemplação clara de Jesus na cruz, sendo transpassado pela lança do romano, em seu Amor tão humano, no esplendor de sua divindade....De sua chaga, saem sangue e água...Respostas.... De nossas chagas, água para cuidar das chagas dos caídos, daqueles de quem não podemos nos desviar no caminho... E assim aliviar nossas próprias dores...De nosso sangue, compreensão para, finalmente, redimir a herança de Caim e, acima do ilusório e após os templos de nossas certezas desmoronarem, nos sentirmos responsáveis pelo outro, libertos da apatia e do medo de encarar a nossa própria vulnerabilidade....
Mas, de onde vem este vento que fala ao coração e alivia a nossa agonia? Será o rufar das asas que sobrevoam tantos irmãos buscantes, partilhando este deserto, e estas pegadas, alimentados pelo maná da Palavra, "encanto de nosso coração"?
Sim, de onde vem este calor que abrasa os corações na escuridão da noite, em pleno vale das sombras? Será das línguas de fogo que cintilam a LUZ DO MUNDO, enquanto tantos irmãos dançam conosco numa doce ciranda?
De volta do deserto, voltamos também do retiro, aprendizes iniciantes do idioma da Trindade... Dom, acolhimento...partilha...comunhão... Que deserto é este, Senhor, que nos alimenta o coração? O eco da voz que clama continua a repetir que "o desejo de Deus já é uma oração!" Colunas sobre a Rocha...Fortunas de uma Tocha em suas tantas dimensões...
Temos pressa em ver e ouvir a resposta do Senhor à nossa pergunta mais óbvia:
- Aonde vais?
Temos pressa em aceitar o generoso convite do Amor:
- Vinde e vede!
Temos sede de responder a pergunta de Jesus:
- O que vocês procuram?
Procuramos conseguir atender o seu convite diário para lhe seguir, Mestre, mesmo sem saber ainda direito como fazer...
Senhor... só te pedimos o necessário para viver...
Senhor... só te pedimos o necessário...
Senhor...só te pedimos...
Transfigura nossa gratidão por este retiro em bênçãos e graças para o Recanto...
Lá o Amor é tanto que cura!
Lar é o coração de quem nos transfigura....

terça-feira, 5 de maio de 2020

Em nossas asas...




Dentro das nossas casas
existem asas pra gente usar
coração que fica em brasa
quando o Amor vem nos inspirar

Dentro das nossas portas
Deus nos conforta, nos faz seu lar
oração que nunca atrasa
quando é o Amor que chama pra rezar!

Dentro das nossas janelas
existem telas pra nos mostrar
que as cores continuam belas
que vale a pena parar pra olhar

Fora de nossos eixos
o mundo para
para questionar...

qual será nossa saída,
além de amar?

segunda-feira, 4 de maio de 2020

N. Sra. do Espelho (a Pe, João)



No espelho, a gratidão se revela...
Sim, é ela!
Aquela cujo Espírito
exulta  em Deus...
Aquela que as gerações
hão de aclamar
bem aventurada
e bendita
entre todas as mulheres...
Aquela que reflete
a luz divina
até quando seu coração
é transpassado
pela dor...
O Amor emoldura seus traços...
Seus braços são molduras do Amor!!!
Bendita sois
entre todos os reflexos
da criação...
porque destes a luz
à Luz!
Senhora, Rainha,
Divina, que nos faz enxergar
além do teu reflexo no espelho
a nossa própria figura,
criaturas que somos
à imagem e semelhança
do Deus Amor!

Deus Amor (Prece pelos enfermos)



Deus Amor
Pai de toda criação...
Afugenta a angústia de nosso coração esvaziado
e sopra dentro dele esperança!
Deus Amor
Irmão de toda Salvação....
Expulsa de nós todo receio
e nos abraça para que exultemos confiança...
Deus Amor
Brisa defensora, chama viva
Desce sobre nós e frutifica
para que sintamos sempre tua presença mansa...
Deus Amor
Trindade bendita....
Pai, Filho em Espírito e Verdade...
Compaixão infinita...
Acalenta nossos corações e nos embala nos caminhos da fé!
Tudo é possível em Tuas mãos, meu Senhor!

sexta-feira, 1 de maio de 2020

Saudade (Ao irmão de vida George Valente Vassilatos)



Geo, meu irmão, quantas vezes em nossas vidas, desde que fomos colegas na adolescência, conversamos e brincamos sobre este momento...
A mudança de dimensão...
Quantas vezes, nas longas conversas por telefone, um empurrava pro outro a difícil missão de ficar e ter que lidar com a dor da saudade e da ausência...
Quantas vezes, e eu recordo isso entre lágrimas e sorrisos, você não me disse que "eu ia ter que arranjar um guindaste pra me ajudar a carregar o seu caixão"...
Tempos do Geo Gordo, com quem a gente tanto brincava e curtia...
Muitas saudades...
Depois vieram os tempos da doença, das químios, das internações, das orações...
Tempos difíceis, quando mais do que nunca tive que aprender com você, às vezes duramente, o quanto a amizade está ligada ao respeito...
E pude entender que, mesmo discordando absolutamente de várias de suas decisões, meu papel de irmão não me permitia, naquele seu momento, colocar minhas opiniões acima de sua verdade e da nossa amizade!
Quanto aprendi com você, irmão, em todos estes quase 40 anos de amizade....
Dia difícil hoje, meu irmão...Semana muito difícil....Uma dor profunda, muito difícil de administrar...contra a qual só tenho dois escudos: a missão de cuidar de Tia Lia e a profunda gratidão de ter o privilégio de tua irmandade até o fim desta etapa que vivemos aqui na Terra...
Da última vez que nos encontramos pudemos conversar sobre a vida e sobre Deus, choramos e rimos juntos e, mais uma vez, voce me chamou de "Pollianesco Irmão"... E pudemos partilhar sobre a certeza de um Pai que não exclui ninguém que o procura com o coração aberto e sincero...
Pois é Geozinho...com o coração profundamente sentido e saudoso, seu amigo "polliana" continua a acreditar no melhor! Continua a ter fé de que você está bem, agora, nos braços de um Deus amoroso que sabe muito bem as toneladas de amor e bem que você trazia dentro de si e generosamente distribuía pelo mundo! Se nós, tão falhos e humanos, podemos experimentar um amor incondicional por nossos filhos, como não confiar no amor deste Pai, criador de cada um de nós?
As lágrimas vêm,(como impedir)?
Dora e Let que aprenderam a amar e admirar tanto este seu jeito, partilha a mesma saudade e sentimentos... Pausa no isolamento para um abraço em família "in memorian" de alguém que está presente de tantas formas em nossas vidas e em nosso lar. Quantos mimos te fazem e farão presentes aqui enquanto estivermos nesta casa...Quantas lembranças de sua vinda aqui...
Mas em se tratando de você, como não chegar na mesma hora uma lembrança que também nos traga
alegria, que nos faça rir...Os "causos" que voce nos contava, as vezes em que voce vociferava e revivia as emoções que sentiu em alguma situação vivida, para logo depois amansar o ambiente com sua ternura e doçura tão próprias?
Geo, meu irmão...Voce vai fazer muita falta num mundo que precisa tanto de gente como você!!! Gente transparente, verdadeira, sincera, muitas vezes além do ponto. Alguém tão educado (uma das pessoas mais educadas que já conheci), mas com uma capacidade admirável de se fazer admirar e amar até nos momentos do mais absoluto descontrole...
Falar o que de alguém incrivelmente tão singular e tão plural? Uma admirável cultura, um profundo senso crítico, um olhar detalhista e observador, uma voz impecável, um comediante nato, um poeta escondido, o cara que foi capaz de dar a Salvador uma casa de arte digna de qualquer capital européia, seu gabinete de artes... Em todas estas atuações, uma ética impecável, uma honestidade implacável, um bom gosto incontestável! Mas tudo isso era "fichinha" diante da generosidade do amigo (quantas pessoas voce não ajudou nesta vida?), diante das relações humanas que conseguia manter com todo o tipo de gente, sabendo o nome de todas as pessoas que passavam por seu caminho. Garçons, enfermeiros, maqueiros, manobristas, secretarias, enfim, muitos dos que são
invisibilizados por suas funções, você conhecia pelo nome e, muitas vezes, pela história de vida!
Como você mesmo fazia questão de frisar, estas qualidades todas não lhe faziam um santo. Havia o outro lado, que você dizia vir do seu lado grego, aquele que lhe fazia ir do zero ao cem em segundos, aquele que lhe fazia gritar, às vezes, "ame-me ou deixe-me!", que na sua própria descrição "transformava o delicado lorde inglês em um Ogro". Mas tinha algo tão visceralmente humano até nisto, meu irmão, que nesta mistura ímpar de mãe baiana com pai grego, nascido em Nova York, havia alguma pitada de muito divino, sem dúvida nenhuma! Nas poucas vezes em que pudemos estar juntos em algum rito religioso, chamava a atenção a sua contrição e sua preocupação com o sagrado!


E, falando em sagrado, do alto do seu calvário, como não falar do filho absolutamente dedicado que, até os últimos momentos, procurou preservar a Mãe de tudo, cuidando para que ela fosse sabendo aos poucos da sua situação, tentando ter o controle para que ela mesma mantivesse o controle e a paz...Quanto amor e dedicação, não é Geo? Aliás nossas mães eram o assunto mais frequente nos nossos papos de um ano pra cá...
Bom, irmão, você sempre soube que, desde que me entendo por gente, o papel é minha válvula de escape...Então, olhando este lindo por do sol, da sua Barra, ergo uma prece de gratidão ao crepúsculo da sua vida. Você encheu os olhos e os corações de todos os que lhe conheceram com cor, beleza e muita vida! Em cada amigo voce fez um irmão, em cada pessoa você fez um fã! Ao fechar das cortinas, neste último ato onde o Valente deu lugar ao Vassilatos, aplausos de pé e uma enorme gratidão a Deus por sua existência! Vá em paz, meu irmão! Amamos você para sempre!





terça-feira, 28 de abril de 2020

Encantamento (Fotos de Gillas Correia)



 E ela abre-se 
e encanta 
pois tanta é sua cor 
que num segundo 
se agiganta 
em nós o amor
 por tudo 
o que somos 
e tudo o que temos
 à nossa disposição... 
Como num mantra, 
ela espalha luz 
e espelha o sol
e parece dizer alô 
ao girassol 
que mora ao lado
 como parece sorrir
 para a gérbera, 
sua vizinha, 
que mora ali, 
sozinha, 
na sombra 
de um jasmineiro...
Como posso 
saber do 
resto do jardim 
vendo só uma flor? 

Talvez
pelo cuidado 
do jardineiro...
Talvez 
pela inspiração 
que um regador
 aventureiro
 é capaz 
de trazer 
ao trovador...

Linda é a flor... 
a natureza 
que está
 se renovando 
sem a ação
 destruidora 
do ser humano...
Um brinde aos jardins...
Estes que não têm fim
na nossa imaginação!

segunda-feira, 27 de abril de 2020

Sangue nas veias



A voz do vento
resolveu sussurrar
alguns segredos
que aprendeu com a luz
fechei os olhos
pra alguém declamar
poemas da areia...
Os nós do peito
resolvi desatar
lembrei do cheiro
das ondas azuis
daquele tempo
que só volta atrás
no eco dos refrões
que compus...

Guardei a dor
que agora jaz
no tom lilás
do fim do verão
reli Vinícius
de Moraes
ouvi o Tom
e suas canções
Se eu me perder
em seu olhar
talvez a sua dor
me salve...
Quem decifrar
o tempo,
por favor,
me ensina
a entender
o que ele
quer dizer...

Ouvi do sono
sonhos lindos de paz
Quem foi que disse
que a vida tem fim?
Não vem dizer
que pra voce tanto faz
se há sangue
em suas veias...
E se sua mente
não suporta mais
abra as janelas
se a porta fechou
Doces mistérios
velhos bambuzais
a fé bebendo
promessas da cruz!

Meu coração é um lugar
que vira lar pra te receber
faz oração pra te entregar
e faz silêncio pra te entender
Se eu me encontrar
em seu olhar
talvez o seu Amor
me salve...
Quem decifrar
o tempo,
por favor,
me ensina
a entender
o que ele
quer dizer...

sexta-feira, 24 de abril de 2020

Oração em tempos de Pandemia




Senhor

Nos braços
da Tua Trindade
de Amor
embalamos
nossa esperança...

o presente de
nossos idosos,
o futuro de
nossas crianças!

Como Pai Misericordioso,
recebe de volta seus
filhos pródigos
que tanto esbanjaram
de Tua Casa Comum...

Como Irmão Amoroso,
perdoa-nos por
continuarmos sem
saber como agir...

Como Ruah inspiradora,
sopra sobre nós a brisa
transformadora
e nos defende
de todo mal!

Assim seja!

O Coelho na Toca (Para o Irmão Warney Jr)




De repente tudo parou...
Cortaram nossas asas...
Prenderam-nos em casa...
Algemaram nossos passos...
Proibiram-nos os abraços...
Tiraram nossa liberdade...
E tivemos que encarar a realidade...
Nua e crua...
As máscaras finalmente expostas nas ruas...
Revelando nossos piores segredos...
Sim...somos frágeis, temos medo!
Sentimos pavor da solidão...
O terror do isolamento:
encarar nossas verdades...
aceitar a imobilidade
deste momento!
De repente a luz se apagou...
E o ar que nos mantinha vivos
pode ser o agente da contaminação...
A matéria, antes tão importante pra nós,
de repente se tornou etérea...
O toque chega a dar choque,
tamanha nossa covardia...
E a nossa apatia
paralisando os movimentos
congela nossa alegria,
transforma a vida em lamento...
Mas, calma, nem tudo está perdido...
Há que haver algum sentido,
quem sabe no próximo ato...
Vou te fazer um pedido...
Vamos fazer um trato...
Fazer par com esperança...
Chamar a Vida pra dança...
E ensaiar com ousadia
uma nova coreografia...
Quando tudo isso passar
não haverá obstáculo
pra cada um transformar
a própria vida num espetáculo!
Sim, apesar de tudo,
não consigo ficar mudo...
não posso ficar parado...
meu compromisso é meu legado...
e dele eu não canso...
Não preciso de asas pra ser livre,
sou feliz, eu danço!

Revezamento de Egos, revezamento de cegos!



Como não vimos isso?
Um molusco larápio e mentiroso, passando o bastão para uma estocadora de vento de Passadena... passando sem querer(foi gópi) o bastão para o vampiro que todos pareciam Temer... e no fim da corrida, o palhaço falastrão deixa cair o bastão e acaba com o revezamento...
Na olim-piada política brasileira, nós, da arquibancada compulsória de nossas casas, assistimos um triste espetáculo....Ninguém pensa no coletivo, no país... Nem presidente, nem ministro, nem congresso, nem STF, nem a mídia, nem os bancos....farinha pouca, zé Mourão primeiro!
A pior pandemia é a da incoerência...
Votei em Bolsonaro e contra o PT votaria mil vezes pela alternância de poder...
Mas o discurso dele se esvaziou ao optar pelos filhos e não pelo país....
Não sejamos como os Petistas que não conseguem ver os "erros de Luís!"
É muito mais digno assumir os erros, apontar as falhas, não apoiar decisões desequilibradas e nada patrióticas do Jair...
Gostaria muito de ter motivos para ver coerência e acerto nele...
Mas o que tenho visto é lastimável...

quinta-feira, 23 de abril de 2020

O JARDIM AMIGO (sobre uma foto de Guilherme Correia)



No seu jardim
tanta cor se misturando
tanta flor nos encantando
regando nosso olhar
com a vida que diz sim
assim, naturalmente,
pra lembrar à gente
das coisas simples
que tanto valem à pena
quando a luz entra em cena
e tira as sombras pra dançar...

No seu jardim
a esperança está brotando
a criança está voltando
brilhando em nosso olhar
com o melhor que há em mim!
A poesia, vagamente,
canta silenciosamente
a saudade que acena
a distancia é tão pequena
se a amizade quer ficar...

terça-feira, 21 de abril de 2020

Breves Reflexões



Depois dos tempos inclusos
adeus aos medos difusos
e aos pesadelos intrusos
de um mundo que se perdeu...

Depois das horas difíceis
da dor do adeus à distância
da indigestão de arrogância
que a humanidade viveu...

Depois das previsões pessimistas
da vida e da morte à vista
do vício pelas más notícias
do tempo que o tempo se deu...

Que lições levaremos de tudo isso?
Que ilusões e compromissos?
Quem serão os sobreviventes disso?
Quem estará perto de Deus?

Ação de Rua

Chama azul de gás
dá calor ao alimento
que se faz com amor
transbordando sentimento...
Chama que nos traz
esperança e alento
tempero de paz
que alivia o sofrimento...
Santo Antonio e São José,
Alexandre e Albertina,
Fernanda e Iramaia
Kelton e Janaína
Andréa e Roberta
Frei Giovani e Luciana
Roberta e Wilkson
Lilia e Sebastiana
Sérgio e Maria Rita
Édson e Rangel
Milton e Lucrécia
e Santa Dulce lá do Céu!
As amigas de Dulce,
o pessoal da ASCOM,
empresários e parceiros
multiplicando o que é bom!
Doce luz que nos refaz
que aquece o coração
mostrando que o bem é mais
e se espalha nesta ação!
Missão cumprida com alegria...
A alma, leve, flutua...
O Pão do Amor de cada dia...
aos pobres filhos da rua!!!

domingo, 19 de abril de 2020

Carta a João. meu irmão...



Caro João, meu irmão...
Paz e Luz!

O mundo continua a girar, enquanto encontro algumas estrelas com o olhar e elevo uma oração a quem pode nos escutar...
Peço pela humanidade e por sua luta por sobrevivência...Peço clemência ao criador por tanta falta de amor...Peço alívio pra tanta dor...
Meu irmão João, enquanto rezo, algo não me sai da cabeça, de uma certa forma uma idéia me atormenta: será que o Corona vírus nos representa?
Será que, como este invasor quase invisível, a humanidade tem sido a pandemia da Criação Divina? Será a nossa raça a verdadeira ameaça ao organismo do Criador?
Será que o COVID-19, na verdade, é apenas um defensor? Será que ele faz parte do sistema imunológico do planeta e, na verdade, o ser humano que é o indesejável invasor?
Será que Deus finalmente cansou de ver tanta maravilha ser diariamente esquecida, explorada, destruída, degradada? Será que Ele se fartou de ver a gente transformar em morte o que era Vida?
Será que, finalmente, a sua paciência acabou?
Meu Irmão João...
Aviso não nos faltou...
Teimosamente seguimos em frente, olhando pros próprios umbigos, ilusoriamente pensando que o controle era nosso...
Alienados humanos, fazendo planos pros meses seguintes, pros anos futuros, transformando luz em sombras, claridade em quadros escuros...
Absolutamente surdos às premonições...
Seguimos contaminando tudo com nossa ambição, nossa hipocrisia, nosso egoísmo, nossa mais-valia...
Absolutamente cegos às destruições...
Na contramão natural, com nossos achismos e senões, fomos embassando o que era cristalino, assim como o COVID faz agora com nossos pulmões...
E aí, mesmo quem não está doente, procura algum ar mais puro e se sente profundamente inseguro por só encontrar o ar rarefeito...
João, meu irmão, será que Deus está sendo muito duro? Ou de fato merecemos colher os frutos proibidos que plantamos por aí, sem nenhum sentido?
A cabeça continua a girar, irmão, enquanto o planeta parece ir parando...
Nosso azul parece desbotar, nosso verde parece "outonar", enquanto voltamos o filme até chegar no preto e branco...
Nas mãos do grande ditador que insiste em brincar com o globo, o cinema mudo parece mostrar o quanto sempre fomos tolos...
Pretensiosos, egocêntricos, todo-poderosos, hoje pandêmicos, sem outro abrigo a não ser a própria fragilidade, perdemos aos poucos a velha identidade e somos obrigados a pensar além...
Além de nós mesmos, de nossos conceitos, de nossa pequenez, de nossos preconceitos, de nossa mesquinhez...
Isso se não formos dizimados de uma vez pelas defesas atuais da própria Natureza...
Enquanto isso, enquanto posso, elevo uma oração a quem pode nos escutar enquanto encontro estrelas em alguns olhares que insistem em brilhar...
O mundo continua a girar...
O coração continua  bater...
Eu continuo a acreditar...
Deus ainda deve ter algo a fazer...
...alguma Luz há de surgir pra nos conduzir a um outro lugar...
Não poderemos mais ser os mesmos depois de tudo isso...
Quem sobreviver levará consigo o compromisso de fazer diferente...
Precisaremos ser diferentes...
Se necessário for, mudaremos de nome...
Não fomos feitos pra matar, nem pra morrer de fome...
Não somos máquinas, somos imagem e semelhança do Amor!
Ah, meu irmão João, será que pintaremos o mundo de Violeta e aprenderemos com as borboletas sobre a efemeridade da vida?
Saberemos finalmente dar valor a tudo que de graça recebemos? E não impediremos mais o semelhante de voar?
João, meu irmão, eis a tua Mãe, Terra... Cuida dela!
Chega de fome, peste, morte, guerra.... Basta de destruição...
Terra, nossa Mãe, eis o teu filho João...
Estende-lhe a mão... Dá uma nova chance a ele e à toda criação...
Se algo precisa ser extinto, que sejam nossos erros, e que aprendamos com tudo isso, nem que seja por instinto...
Aquele mais visceral, que nos leva à transcendência, que nos faz encarar o medo por uma questão de sobrevivência e, mesmo sem querer, nos faz reconhecer e tentar recomeçar...
Mil já caíram de um lado...Outros milhares ao outro...
Algo precisa mudar muito em nós para permanecermos vivos...
João, meu irmão, meu desabafo é uma oração, minha poesia é uma prece que se oferece suplicando compaixão...
Enquanto o coração de Deus se enternece, irmão, o mundo continua a girar...
Enquanto vivo assobio uma canção e peço pra você me acompanhar, irmão...
Quem sabe o Amor resolva que o pecado perdeu sua originalidade e nos absolva para uma nova oportunidade...
Continuamos sem saber o que fazemos...
Continuamos a nos enganar...
Continuamos a crucificar o Amor... a fazer Ele sangrar...
Mas Irmão João, do alto da Cruz, Ele continua a nos perdoar...
Os vírus somos nós...Os espinhos somos nós...
Mas Ele continua a nos Amar!

Pandêmicos...



Tudo tão estranho
a gente não tem mais abraço
o mundo inteiro é saudade
de um tempo que já se perdeu...
Amor tamanho...
canção que junta feito laço
vida que mostra sua verdade
presente que não se viveu...
E agora o que é que eu faço?
O que é que eu digo?
se o tempo levou meu amigo
pra um endereço que não sei...
Hora de repartir o pão,
tempo de colher o trigo...
além de ser irmão,
virar abrigo...
Fazer do amor a nossa lei...

Bagagem de Mão



O que fizemos
com nós mesmos?
Não fomos dignos
da nossa casa...
Podamos nossas
próprias asas...
E nessa estrada
nos perdemos....

O que fizemos
de nós mesmos?
Não merecemos
a nossa estada.
Calamos histórias
antepassadas
E ao futuro
já não pertencemos...

Sinto muito dizer
que as previsões não são boas
e as turbulências à toa
são vôos rasos em rota de colisão 
Ouço a Vida dizer
seremos outras pessoas
e a voz da vida ecoa
colocando a velha espécie em extinção

O que faremos
com nós mesmos?
Seremos signos
pras novas gerações?
Encontraremos algumas
novas soluções?
Ou nessa busca
nos destruiremos?

Será que riremos
de nós mesmos?
Das nossas 
próprias contradições?
Aprenderemos algumas
destas lições?
Ou nesse tempo 
sucumbiremos?

Esperança em dizer
que há previsões otimistas
sonhos a perder de vista
nos levarão além da imaginação....
Ouço a Terra dizer
num coro quase intimista
que encontraremos a pista
só restará o Amor 
como bagagem de mão... 

Quem quer ser o rei agora?



Quantas quarentenas?
Quantas pandemias?
Pra sair de cena
nossa hipocrisia?

Muito além da ilusão
de ter o controle de tudo
não existe carta na mão
não existe antídoto ou escudo...

Resta o isolamento
fica a solidão
o confinamento
a dor no coração...

Não é possível sequer
dizer adeus a quem se vai
O abraço se tornou
mais uma forma de saudade

De joelhos enfim
lembramos de Deus
E elevamos 
uma oração de verdade

Cortes em centenas
Mortes em milhares
Sem distinção de credo, raças,
opção sexual, status ou lugares...

Todos somos alvos
e só na fragilidade
finalmente compreendemos
algo sobre a palavra igualdade...

Sem qualquer dilema
sem nenhum esquema
a coroa pode caber
em qualquer um de nós...

Mas quem quer erguer, 
a própria voz nesta hora?
Quem vai querer o trono?
Quem quer ser o rei agora?

domingo, 5 de abril de 2020

...Outro trecho sobre este trecho da vida



Ainda sobre a Esperança...
Ela tem passeado por aí, tem visitado pessoas que moram nas ruas e lembrado a elas que ainda existe o maior de todos os antídotos: o Amor!
Ela tem alimentado pessoas que estão em casa, com sede de abraços e fome de liberdade, às vezes com um quentinha de canção, outras vezes com uma garrafinha de oração...
Ela tem visitado os que estão doentes, lhes fazendo companhia com mensagens positivas ou posts que fazem sorrir...
Ela tem extraído de muita gente de bom coração o que há de melhor nelas e as tem feito distribuir entre parentes, amigos e até desconhecidos, sinalizando a certeza de que em algum momento tudo isso irá passar...
Ela tem inspirado ações que nos fazem acreditar num futuro melhor para a humanidade, ações que trazem luz ao ser humano...
Ela tem aproximado muita gente de Deus e da sua própria fé, que andava meio esquecida na correria daquilo que estávamos nos acostumando a chamar de Vida...
Ah, Esperança...
Dizem por aí(e a voz do povo costuma ser a voz de Deus) que você é a última a morrer...
E sua presença mansa, nos convidando para esta nova dança com o tempo, vai nos trazendo algum alento, nos reensinando a ser...
Baixinho, no seu sussurro místico e sem nenhuma pressa, você parece dizer que, mesmo que a vida ande parecendo estar na ordem inversa, talvez seja este o grande momento de evoluirmos... Este tempo das pessoas estarem imersas parece ser a grande oportunidade que nós, terráqueos, pensarmos e vivermos verdades como igualdade, cuidado, respeito, harmonia, paz, fraternidade e fé!
Novamente estamos todos numa espécie de "arca de Noé", esperando o "dilúvio" passar pra conhecer o que restará...
- "Aproveite a Viagem", nos diz a esperança...
- "Tire da bagagem todo excesso, coloque este novo aprendizado, deixe ressentimentos de lado, se contagie de Amor!"
Ah, Esperança...
Se o ser humano parar pra te escutar, um pouquinho que for...
---sim, ainda há esperança!

quinta-feira, 2 de abril de 2020

Poesia em tempos sem prosa ou Trecho sobre um trecho da vida

...e diante da dureza da vida, do distanciamento provocado pela pandemia, enquanto muitos choravam por não poder mais estar entre amigos, a Esperança sorria... em seu coração ela possuía algo que os outros haviam perdido naquele tempo de trevas... Ela ainda tinha uma reserva de luz! E com sua luz ela enxergava o dia quente e ensolarado na madrugada escura e fria...A Esperança entendia...De alguma forma ela sabia do que estava por vir...Ela previa o milagre, que como um sabre de luz desafiava toda a escuridão que insistia lá fora, numa agonia sem nexo, vazia...
A sua reserva de luz, aquela chama azulada que ainda fazia arder seu coração, simplesmente lhe dizia:
- Acredite! A dor está de passagem, mas o Amor continuará a viagem que Ele mesmo começou...
E diante da luz a Esperança sentia que seu olhar derretia em lágrimas de Vida! E cuidadosamente a
Esperança as colhia e distribuía entre os seus, regando sobre eles um pouco de Deus...

Uns pelos outros



Nossa prece
é um abraço
pra sarar os braços
do pequeno Cheto
e é também
uma oração
pra acalmar
o coração....
e trazer paz...
pros seus pais...

Nossa prece
é uma canção
pela respiração
de Tia Gláucia
e é também
uma oração
pra acalmar
o coração...
de uma filha
e sua família...

Irmãos, amigos
somos abrigos
uns dos outros
quando unidos
somos templos
em oração...
Amigos, irmãos
somos pedidos
uns pelos outros
amor antigo
somos exemplo
de comunhão!

Quando a
coisa aperta
quando a dor
nos pesa,
uns pelos outros
a chama acesa
a fé desperta
em oração...

terça-feira, 31 de março de 2020

Quarentena



Ainda  é
tão cedo
mas dou
um jeitinho,
me viro
sem medo
do vírus,
sozinho,
trocando
segredos
com uma
taça de vinho
ouvindo
os sussurros
do casal vizinho...

Será que
já é tarde
pra gente
ter pena?
Ou ainda
arde uma chama,
quem sabe
um poema,
depois
da agonia
desta
quarentena,
a gente, talvez,
finalmente
entre em
cena!

E volte
a dar valor
ao calor
de um abraço...
E solte
todo amor,
reaprenda
a ter laços
E cante
até a dor
a angústia
e o cansaço
E plante
alguma flor
entre o tempo
e o espaço...

E olhe
para os céus
e agradeça
a Deus
Retire
qualquer véu
e mereça
os seus
A vida
é um carrossel
uma faísca
no breu
Não somos
nada mais
que projetos
de adeus...

quinta-feira, 19 de março de 2020

BBB REAL



Agora os confinados somos nós...
Brothers e sisters da vida real, mais do que nunca têm suas fragilidades expostas de um jeito nunca antes visto! E a cada instante testemunhamos gestos de absoluto individualismo, que vão de encontro ao interesse coletivo da nossa “casa comum”!
É verdade que ainda existem alguns anjos, protegendo e amparando os que estão no alvo da pandemia. Quem dera eles tivessem realmente o poder da imunidade...
Também é verdade que, mais do que nunca, os lideres precisam ser sensatos e pensar muito bem nas suas decisões. São várias as provas de resistência às quais estão sendo submetidos.
Nossas “estalecas” reais andam bem escassas e todo mundo parece estar na xepa. Muitos brothers e sisters que só pensam em si e agem como se os outros não existissem...
A convivência anda difícil, cada um mantendo a distância regulamentar estipulada pelo programa de saúde de cada local. Aliás, na hora de ditar regras, há uma grande dúvida sobre quem tem a palavra final. Quem seria nosso “Big Phone”afinal?  O poder público ou a mídia? Em quem você votaria?
Certo é que ao primeiro sinal de febre ou tosse seca, somos indicados a ir para o “quarto branco” ou viramos favoritos a eliminação! Nesta situação tão difícil, ainda existem aqueles que nos transformam em monstros, como se este caos global já não fosse um castigo suficiente...
O confinamento pode transformar brothers e sisters em plantas ou em excluídos, em renegados ou campeões. E há também o queridômetro, que vai esgarçando as relações, na medida em que certas doses de verdades vêm à tona...Aí vira zona, acaba amizade e carinho e pega fogo no parquinho...
Pois é, agora os confinados somos nós, do outro lado da telinha. E os heróis reais são aqueles que estão na linha de frente da batalha diária contra este inimigo comum, que colocou a humanidade toda numa espécie de paredão... Como será nosso raio x? Será que teremos direito a um bate-volta? Ou vamos sair da casa com altos índices de rejeição?
Que estratégia usaremos? Seremos vítimas de nossa própria contradição? Sim ou não? Qual será o resultado? Quem estará na direção? Seremos verdadeiros ao entrar no confessionário e dar nosso voto de contrição? Seremos dignos de juízo, de condenação ou de perdão?
No BBB da vida real não somos chamados à competição, mas à reflexão!
O Corona Vírus é um apresentador isento e muito atento sobre nossa condição: Todos somos alvos, sem distinção! E ao compreender que qualquer tipo de manipulação só nos trará prejuízo, conseguimos traduzir tudo isso como um aviso, talvez para nossa evolução...
O que será mais preciso? Diante do risco de vida efetivo, qual a importância das festas, da fama, da audiência, da popularidade, dos brindes, da premiação?
Talvez seja a hora de parar e finalmente enxergar que um daqueles Dummies pode ser seu irmão!
Que tal pensar um pouco naqueles que são invisíveis pra você... Se eles não têm rosto, talvez você não tenha coração...
Se passarmos bem por tudo isso, priorizando o respeito, a verdade, a fraternidade e o amor, aí sim, cada sobrevivente será de fato um vencedor!


quarta-feira, 18 de março de 2020

Mais além



O Amor
não conhece
fronteiras
O Amor
não dá bola
pros muros
O Amor ignora
as trincheiras
O Amor
sempre crê
no futuro

O Amor está
muito além de tudo
que a gente imaginar!

O Amor
não espera
retorno
O Amor
nos ensina
a voar...
O Amor
não aceita
ser morno
O Amor
faz a gente
brilhar!

O Amor está
muito além de tudo
que a gente imaginar!

E tudo em volta
pode parar
tudo pode mudar
mas o Amor
não vai se transformar!

E tudo em volta
pode parar
tudo pode mudar
nas o Amor
não vai se transformar!

Anti-vírus!



Fique no seu canto
pense coletivo
cuide de quem ama
permaneça vivo

Leia algum livro
cante uma canção
ligue pra um amigo
faça uma oração

Se o mundo parou
e não dá pra descer
acredite no Amor
reinvente você

Curta a sua casa
brinque com sua filha
voe, ganhe asas
viva sua família

Seja um anti-vírus
faça a sua parte
fique bem tranquilo
viver é uma arte

Se o mundo parou
e não dá pra descer
acredite no Amor
reinvente você

Tempo de rever tudo
tempo de sonhar mais
hora de mudar o mundo
na revolução da paz!

terça-feira, 17 de março de 2020

Tempos difíceis



São tempos difíceis.
Não serão os primeiros...
Não serão os últimos...
São tempos que nos convidam a refletir e, acima de tudo, a valorizar a vida!
O que temos feito com ela, com a nossa vida?
O que temos feito com a vida daqueles que dizemos amar?
Como não lembrar do querido amigo e profeta Saja, que não cansava de nos provocar a crescer na consciência sobre nossa própria responsabilidade na construção de um tempo maior, de um mundo melhor, com gente melhor...
Vivemos tempos de reclusão, de preservação, de agir individualmente pensando coletivamente...
Tempos que nos colocam contra as paredes de nossos próprios "templos" e nos obrigam a escutar nosso silêncio interior...
Tempos de contemplar nossa fragilidade e mais ainda, olhar para o espelho de nossa história e aceitar que algo tão micro é capaz de abalar tudo o que temos considerado tão macro e importante durante séculos de conquistas e destruições...
O que temos mesmo feito com as nossas vidas? O que temos mesmo construído?
Nestes tempos de "isolamento obrigatório", de repente nos percebemos sentindo falta de um abraço, da presença de alguém, do encontro com o outro...
Coisas que há poucas semanas eram tão pouco valorizadas por nós mesmos...
São tempos de preocupação com nossos idosos, aqueles mesmos que muito de nós têm esquecido, ou pior, têm ignorado no dia a dia agitado de nosso próprio tempo!
Não são tempos fáceis para ninguém... Principalmente para aqueles que estão encarando, talvez pela primeira vez, que diante de uma ameaça global somos todos igualmente alvos...sem distinção...somos todos potencialmente alvos...
Entre alarmes justificados e um alarmismo desenfreado, seguimos com os corações apertados, cheios de dúvidas e inquietações e, como na música de Belchior, entristecidos por constatar que "ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais"....
Nossa mídia continua a mesma, valorizando as informações sensacionalistas...
Nossas redes sociais continuam as mesmas, multiplicando fake news e piadas infames...
Nossa mentalidade continua a mesma, "farinha pouca, meu pirão primeiro", esvaziando as prateleiras das farmácias e mercados, numa atitude egoísta e de nenhuma utilidade para o todo...
Sim, são tempos muito difíceis...
Neles, somos chamados a uma nova forma de viver, ou de sobreviver...
A casa comum sofre...nosso planeta agoniza...
Não é só o Corona Vírus! São a fome, a violência, a desigualdade, a guerra, a droga, a indiferença, a cobiça, o consumismo...
Os "Cavaleiros do Apocalipse" estão por aí, rondando e espalhando o terror, com atitudes mesquinhas e desumanas...
É tempo de despertar e responder de uma vez por todas:
O que estamos fazendo com nossas vidas? O que vamos fazer com a vida de quem amamos a partir deste novo tempo?
Perguntas difíceis...respostas difíceis...para pessoas difíceis, em tempos difíceis...
Há esperança?
A esperança é ver, sentir compaixão e cuidar...
Primeiramente de nós mesmos, em nossa miséria interior...
E por consequência, enxergar, se compadecer e cuidar do outro, entendendo que a nossa atitude diante da vida fará a diferença na vida de muitos!
A esperança é ser Bom Samaritano...
É ter o olhar de Santa Dulce dos pobres, de São Francisco de Assis, de Santa Teresa de Calcutá...
O olhar amoroso de Cristo, isento de julgamentos, de egoísmo, de predileções...
Tempo de rezar, de amar e de servir!
De nos retirar para o deserto e encarar nossos demônios...
Tempo de nos transformar, de transfigurar a humanidade, de fazer valer a nossa luz!
Para isso fomos feitos! Para isso estamos aqui...
Já passou da hora de escutarmos o chamado e, definitivamente, brilhar!
Talvez assim, quando nos dermos conta, fará todo o sentido a frase bíblica:
"Os últimos serão os primeiros"...
A compreender, a amar, a evoluir...

domingo, 8 de março de 2020

Dia da Mulher


Não se trata 
de uma data somente, 
mas da poesia diária 
que este ser reluzente poliniza 
em todos os lugares do mundo,
principalmente para quem mais precisa!
O Feminino 
é mais profundo,
mais belo, 
exala muito mais 
harmonia e inspiração.
Não importa a condição, 
a forma, a profissão...
É curva, é elo, é paralelo, 
é vida pulsante, vibrante, 
é o processo lapidado
da cura, da procura,  
da conexão mais pura
entre mente e coração!
É ventre, é semente, é criação, 
são seios, é veio,  é alimento, 
são argumentos e emoções...
A mulher é a representação maior 
do sentimento mais sagrado:
o amor sem condições
por Deus abençoado!

Dia Internacional da Mulher



No Dia Internacional da Mulher, o meu ser masculino se enche de gratidão e graça por poder amar e servir numa instituição fundada por uma das mulheres mais especiais que o mundo já conheceu!
É um privilégio poder me aprofundar diariamente nos valores e princípios de Santa Dulce dos Pobres, trabalhando em seu Santuário e aprendendo com sua gente sobre seu legado de amor incondicional...
É um aprendizado diário a convivência com as colegas que por lá multiplicam este legado, colocando seu profissionalismo, seus talentos, sua entrega e o seu "ser feminino" a serviço do Dulcismo.
É uma oportunidade maravilhosa aprender e ser liderado por sua sobrinha, Maria Rita, em quem o DNA da amorosidade, da simplicidade e da sensibilidade são tão visíveis, nos orientando a dar continuidade à história e à obra desta Santa que hoje é venerada nos altares de todo o mundo!
Que nossa Irmã Dulce continue a ser inspiração para muitas mulheres e para nós, homens, que temos tanto a aprender com a maternalidade de seu acolhimento e com a intensidade de sua vida!
A OSID é uma obra que pulsa o feminino, o cuidar, o acolher, o servir, o ousar, o amar, o ir além, o invadir, se for preciso, para salvar alguém!
Que em nosso dia a dia possamos ser reflexo desta esperança... Que saibamos ler, como crianças, a poesia que o feminino traz à humanidade... Uma poesia que fala de paz, que nos ensina a ser e confiar mais!
Que resgatemos em nós o dom de nos emocionar, de nos comover, de nos permitir derramar as lágrimas que nosso olhar derreter...Que reaprendamos a ser! A colher o melhor da vida, sem calcular tanto, sem planejar tanto, sem especular tanto, sem julgar ou esperar em troca... que possamos simplesmente ver, sentir e fazer!
No Dia Internacional da Mulher, gratidão e graça pela vida de uma das pessoas mais especiais que foi capaz de entender e realizar tudo o que Deus concebeu!
Viva Santa Dulce dos Pobres!!!!

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Vovó "Durce"...



Minha avó Dulce tinha um olhar melancolicamente doce...
Uma sombra meio triste que, de uma hora pra outra, se iluminava num sorriso...
Vivia para os seus...cuidando de tudo, como uma prendada dona de casa devia fazer na época em que viveu!
Minha "Vó Durce" tinha algumas paixões que transfiguravam dela para quem quisesse perceber...
Uma delas era meu avô Alexandre! Como ela cuidava dele, o respeitava e ficou triste com sua partida...Arrasada seria o termo...Daí pra frente a depressão não a deixou em paz...
Aliás, minha avó foi uma das pessoas nas quais foi mais sensível a dor pela ida precoce de "Tio Jone"...Não foram poucas as vezes que ela ficava me olhando e depois de um longo suspiro me dizia:
-"Voce parece tanto com seu pai! Eu sinto uma saudade de João Augusto!"....
Outra paixão era o chocolate...como ela gostava! E creio que gostava mais ainda de oferecer chocolate para família! Ela adorava a algazarra que produzia quando passava com sua caixa plástica com todo tipo de chocolate e bala que se pudesse imaginar... Todo almoço na casa dela era uma farra... Primos reunidos para sua inesquecível feijoada, não sem antes bater o tradicional "baba" no playground do Edifício Antunes (que deveria ter sido batizado de Ed. Maia) sob os protestos do porteiro Aluísio...Depois, cansados e suados, subíamos as escadas até o primeiro andar, passando pelos combongós redondos, para nos resfastelar com os quitutes de Vovó Dulce... Na mesa, sempre
orgulhoso pelo sucesso da esposa, Xanduba sorria discretamente, satisfeito e feliz com a família reunida!
Depois do almoço e da sobremesa ela vinha lá de dentro com sua enorme caixa de bombons e oferecia a todos, um por um, para que tirássemos aquele que mais nos apetecia!Chego a sentir o gosto do saquinho de "confete" ou do alpino que ela chamava de "saia plissada"...Doces lembranças...
Silenciosamente estava atenta a todos e queria agradar a cada um de seus filhos, netos e agregados com um amor e uma entrega inesquecíveis!
Quando chegamos de Brasília, logo que entrei em sua casa, ela olhou pra mim e para Luly e disse:
"- A ceia está na mesa. Vão ariar os dentes no quartio sanitário!" De onde vinha aquele sotaque espanhol?! Um quartio pras oitio? Que língua era aquela?fiquei mais perdido que camarão em tsunami...se não fosse Tia Zélia que, vendo meu desespero sem saber o que fazer, traduziu aquele "dialeto", me orientando a escovar os dentes no banheiro, acho que estaria ali até hoje!
Ao voltar para a mesa, fui apresentado por ela ao Leite Ninho! Com aquela medida de alumínio, ela fez a "mágica" de transformar aquele pó em leite e me fez saborear o mais delicioso "nescau" de meus "longos" sete anos de vida até então!
Tudo na casa de minha avó tinha um toque diferente... Um cheiro, uma cor, uma textura...Tudo era novidade praquele brasiliense recém chegado ao solo sagrado de suas origens baianas...
Quem não lembra da cristaleira dela, de seu presépio fluorescente que iluminava o escuro da sala de estar. Quem não lembra das canecas dos inúmeros festivais de chopp promovidos pelo Lions, cujo único Leão padrão temos o privilégio de ter como avô e pai?
Entre tantas lembranças muito especiais, lembro da última vez que a vi, numa véspera de
Natal... Nosso grupo de canto da paróquia de Santana resolveu cantar músicas natalinas para alguns idosos , passando por suas casas... ligamos pra perguntar se ela queria que passássemos la e ela disse que sim... Nesta época vovó e a também inesquecível Tia Regi moravam juntas... As duas, como boas irmãs, se amavam tanto que viviam se digladiando pelas coisas mais corriqueiras... Desta forma afirmavam que se importavam uma com a outra! Depois das músicas natalinas Tia Regi pediu sua música favorita de igreja: A Barca!  Quase rola uma discussão pois a música não era natalina....No final, a emoção acabou transbordando tudo!!!! Saímos de lá felizes por aquele momento, mas meu coração estava pequeno e eu não sabia porquê... Depois eu entendi que foi o nosso "até breve" sem que ninguém houvesse combinado...
Hoje Tia Zélia nos presenteou com a lembrança da celebração de sua vida! E Leco com uma linda canção falando dela e de seu inseparável Xanduba! Que, de junto de Deus, eles possam abençoar a todos nós...filhos, netos, bisnetos e Laurinha, nós que damos seguimento ao amor que eles começaram, namorando escondido, meu avô na praça do Rio vermelho, minha avó na janela do sótão de sua casa...
Uma linda história de amor para cada um de nós sentir muito orgulho e gratidão!
Um viva à vida de D. Durce!

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Eterno...



Terno...
Eterno...
Olhar fraterno...
Olhar que cuida...
Olhar que invade...
Olhar que incomoda
com sua verdade!
Olhar que nos provoca...
Que se entrega
sem pedir nada em troca...
Olhar que acolhe,
abraça e carrega...
Que se encarrega
de cuidar de tudo...
Olhar que vira escudo
contra as barbáries do mundo!
Olhar que é doce!
Olhar de Dulce!
Olhar que é santo
Olhar que é nobre!
Olhar que ama tanto
que enxerga Cristo
no mais pobre!
Terno...
Eterno...
Cuidar fraterno!
Cuidar que se levanta,
se desacomoda,
cuidar que se agiganta
e chama a gente pra roda!
Cuidar que não tem medo,
que não julga ninguém
que não tem nenhum segredo
e apenas faz o bem!
Cuidar que contagia
que toca, que trata, que cura...
Cuidar que é sim de Maria
pra quem a Ele procura...
Cuidar que esquece de si
porque lembra do próximo,
que faz valer o existir
porque é paz pro outro!
Cuidar que transforma tudo,
não esquece de nada,
que ama por pura alegria
que estende a mão, abraça, cria
e deixa pegadas de amor na estrada!
Cuidar que não espera...
Sabe que a fome tem pressa...
Sabe que a dor não aguarda...
Que o desespero não tarda
quando tudo parece ás avessas....
Cuidar externo...
Cuidar interno...
Olhar eterno...
Olhar fraterno...
Olhar tão terno...
Olhar da nossa irmã santificada...

domingo, 16 de fevereiro de 2020

Ainda na Berlinda....



Ainda cospem em suas mãos, irmã...
gente da sua própria Igreja...
Ainda olham os pequenos desvios
e invisibilizam o tanto que é feito...
Chega a doer no peito, irmã,
a palavra que é atirada como pedra
exigindo o perfeito...
mas como, irmã, se somos imperfeitos?
Ainda não aceitam seus caminhos, irmã...
ainda lhe coroam com espinhos...
Esquecem a dimensão de tuas obras
e disputam entre si suas sobras,
como fizeram com o linho do Cristo...
Se aproveitam de seu exemplo
pra ornamentar os seus templos,
para aproveitar o momento
em que o mundo te proclama santa!
Mas ainda apontam para ti, irmã,
condenando seus métodos...
Não entendem seu abraço,
não concebem seu acolher,
não conseguem entender
a Igreja em saída em cada um dos teus passos
em defesa da dignidade e da Vida!
Teu Amor, irmã, os faz se contorcer...
Ainda rejeitam seus pobres,
sentem nojo de seus doentes,
não alcançam os sentimentos mais nobres
que te faziam Mãe dos indigentes...
Ainda te colocam na berlinda,
inventam devoções concorrentes.
desdenham de sua gente,
e seguem em frente,
e viram o rosto,
e nos dão o desgosto
de não te fazerem bem-vinda...
Ainda...
Tem nada não, irmã...
Assim fizeram com Jesus...
Espinhos, maus tratos, calvário, cruz...
Bem aventurada é tua luz, irmã,
imagem e semelhança de Deus,
bem aventurança para os seus....
Ainda são injustos e parecem querer
pedir sua exclaustração até
entre os eleitos santos...
Ah irmã...
Perdoai-lhes...
Eles continuam a não saber o que fazem...
Continuam a não compreender nada...
Continuam a vociferar contra a sua obra
sem ter nem porquê...
Não aceitam sua santidade rebelde,
assim como não aceitaram os títulos de Anjo Bom,
de Mãe dos Pobres, de Anjo Azul...
Continuam sem entender que você
já estava canonizada mesmo antes de morrer
pela gratidão de seu povo, pelo bem querer de sua gente,
pelo respeito e admiração de pessoas de todos os credos...
gente que nem precisou estar com você para sentir
a força e o poder de uma vida dedicada a Amar e Servir!