domingo, 16 de fevereiro de 2020

Ainda na Berlinda....



Ainda cospem em suas mãos, irmã...
gente da sua própria Igreja...
Ainda olham os pequenos desvios
e invisibilizam o tanto que é feito...
Chega a doer no peito, irmã,
a palavra que é atirada como pedra
exigindo o perfeito...
mas como, irmã, se somos imperfeitos?
Ainda não aceitam seus caminhos, irmã...
ainda lhe coroam com espinhos...
Esquecem a dimensão de tuas obras
e disputam entre si suas sobras,
como fizeram com o linho do Cristo...
Se aproveitam de seu exemplo
pra ornamentar os seus templos,
para aproveitar o momento
em que o mundo te proclama santa!
Mas ainda apontam para ti, irmã,
condenando seus métodos...
Não entendem seu abraço,
não concebem seu acolher,
não conseguem entender
a Igreja em saída em cada um dos teus passos
em defesa da dignidade e da Vida!
Teu Amor, irmã, os faz se contorcer...
Ainda rejeitam seus pobres,
sentem nojo de seus doentes,
não alcançam os sentimentos mais nobres
que te faziam Mãe dos indigentes...
Ainda te colocam na berlinda,
inventam devoções concorrentes.
desdenham de sua gente,
e seguem em frente,
e viram o rosto,
e nos dão o desgosto
de não te fazerem bem-vinda...
Ainda...
Tem nada não, irmã...
Assim fizeram com Jesus...
Espinhos, maus tratos, calvário, cruz...
Bem aventurada é tua luz, irmã,
imagem e semelhança de Deus,
bem aventurança para os seus....
Ainda são injustos e parecem querer
pedir sua exclaustração até
entre os eleitos santos...
Ah irmã...
Perdoai-lhes...
Eles continuam a não saber o que fazem...
Continuam a não compreender nada...
Continuam a vociferar contra a sua obra
sem ter nem porquê...
Não aceitam sua santidade rebelde,
assim como não aceitaram os títulos de Anjo Bom,
de Mãe dos Pobres, de Anjo Azul...
Continuam sem entender que você
já estava canonizada mesmo antes de morrer
pela gratidão de seu povo, pelo bem querer de sua gente,
pelo respeito e admiração de pessoas de todos os credos...
gente que nem precisou estar com você para sentir
a força e o poder de uma vida dedicada a Amar e Servir!







Santa tinta...



Mãos que se tocam no sacerdócio do Amor...
missões que se entrelaçam na expressão de suas vocações...
tanta tinta para colorir a Vida, tanta luz para acolher o outro...
tantos traços em comum!
Mãos que se dedicam à fragilidade do semelhante,
aquele invisibilizado pelos holofotes do mundo...
Mãos que sonham espaços em branco,
espaços de paz, onde seus ideais se abracem
e suas almas comunguem...
espalhando as sementes sagradas da humanidade mais santa...
nos altares das ruas, lugares onde arte e amor possam deixar
suas assinaturas como um clamor por um tempo mais justo e acolhedor...
Mãos que são chamadas a fazer a diferença
e que, através de seus dons, hão de deixar mais e mais referências
a quem é tocado pelo desafio de AMAR e SERVIR...
Mãos que sonham juntas um mundo mais fácil para coexistir...
Um mundo que não usurpe o futuro dos artistas dos muros,
que não silencie a voz que vem das ruas...
mas, ao contrário, a escute... e com ela faça coro
e transforme dor e choro em sorriso...
Mãos que se estendem e se tocam
e mesmo em universos tão diversos
inspirem canções, pinturas, versos...
Inspirem quem de fato procura
oceanos de paz para estar imerso,
sepultando de vez o "tanto faz"...

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Doutora em Dulcismo...(À Dra Josecy Peixoto, com profunda gratidão)



Pense numa pessoa joinha...
Uma jóia de ser humano capaz de ver a dor do outro, sentir compaixão e cuidar dele...
Assim foi hoje...A parábola do bom samaritano em tempo e vida reais!
Depois de receber um telefonema de alguém muito especial (uma santa de nossos dias, cuja obra acompanho há alguns anos), e percebendo sua angústia com a situação de sua mãe, que sofre com um avançado grau de Alzheimer, meu coração foi tocado para tentar oferecer a esta amiga querida algum conforto para que ela não permanecesse consumida pela dúvida de estar ou não oferecendo à sua mãezinha o possível para aliviar seu sofrimento.
Depois de sair de sua casa, onde fui com um amigo irmão levar uma imagem de Santa Dulce dos Pobres para nossa Santinha Violeta, cheguei na OSID e me veio claramente a imagem da médica de minha mãe. Sabendo que ela trabalha por lá, fui até ela e pedi ajuda. Expliquei a situação e ela me olhou com o acolhimento próprio de Santa Dulce e se dispôs a ir até a casa da minha amiga...
No exercício pleno de seu sacerdócio e no cumprimento fiel à sua vocação e ao juramento de se dedicar à defesa da vida humana, depois de um dia extenuante de trabalho, ela largou tudo e foi até a mãe de minha amiga...
O encantamento com seu cuidado, dedicação, preparo, conhecimento e, principalmente, com a sua missão de AMAR E SERVIR se traduziu no brilho de um olhar pacificado pela confiança, marejado pela emoção, e na gratidão desta amiga que viu, no gesto despreendido e generoso de uma verdadeira "médica de homens e de almas", a última porta de esperança escancarando-se como os braços de alguém que vem para oferecer o acolhimento do AMOR ÁGAPE, aquele sem qualquer outro tipo de interesse ou intenção além de amar!
Sem dúvidas, hoje, esta jóia de doutora foi a imagem e semelhança de Santa Dulce dos Pobres para uma outra santa...de nome Violeta... Foi aquele abraço acolhedor, aquele amor personificado, se derramando como bálsamo sobre alguém com muita dor...
A médica competente e comprometida, o ser humano generoso e iluminado, receita do bem maior que é capaz de acalmar o coração e injetar na alma a mais pura paz!
Gratidão por testemunhar tudo isso!

domingo, 19 de janeiro de 2020

Milagres diários 2



Saindo das Obras Sociais de Irmã Dulce, outro dia, me deparei com uma cena que, além de ter me trazido lembranças queridas, me trouxe uma certa apreensão.
Em frente ao Memorial de Santa Dulce dos Pobres, quatro senhorinhas em pé, do lado de fora, e com o celular na mão, pareciam aguardar alguma condução.
Imediatamente lembrei de minha sogra, Anna Maria Pereira e suas inseparáveis amigas, companheiras que, durante tantos anos, se irmanaram na nobre missão de serem voluntárias da OSID.
Atento ao fato de que, naquela região, pode ser um risco ficar com o celular assim, em exposição, no fim de tarde, olhei para os lados e percebi que um dos seguranças estava de olho nelas, talvez com a mesma preocupação que me afligia naquele momento.
Por alguns instantes fiquei a "vigiá-las", anonimamente, torcendo para que sua condução chegasse logo e elas fossem em paz para suas casas. Enquanto estava ali, percebi uma movimentação perto delas. Um ambulante estava procurando alguma coisa embaixo de seu carrinho de frutas. De repente, com o sorriso de quem havia encontrado o que procurava, virou-se na direção delas e lhes ofereceu quatro bancos de plástico para que aguardassem sua condução sentadas, com mais conforto e segurança, ainda mais perto do portão...
Não sei quem ficou mais feliz...Elas, o segurança, o ambulante ou eu.
Contemplar uma cena destas, em Salvador, é tão impensável, que beira mesmo a esfera dos milagres...
Depois de acomodá-las cuidadosamente, o ambulante retornou a seu carrinho e ali permaneceu como se nada houvesse acontecido...
Não me contive... Fui até ele e lhe disse o quanto surpreso e agradecido eu havia ficado com sua atitude...
Sorrindo, ele me disse que já está ali, naquele ponto, há quase 20 anos. E que desde o primeiro dia ele percebeu o cuidado e a atenção com os quais as pessoas da obra acolhiam aqueles que chegavam, independente de quem fossem... Me falou também que os próprios seguranças que, em outros lugares costumam ser grosseiros e mandões, ali se preocupavam em orientar e em ajudar. Me disse, então, que percebeu logo que se não seguisse o mesmo comportamento, provavelmente não ficaria ali por muito tempo.
Em seu anônimo serviço, aquele ambulante me mostrou, e à todos envolvidos no ocorrido, a força que possui um bom exemplo! Santa Dulce dos Pobres já está ausente fisicamente desde 1992 (já se vão 28 anos que Deus a chamou), mas o seu modelo de acolhimento caridoso e inclusivo permanece tão vivo que se espalha além das fronteiras de suas próprias obras.
A emoção e a gratidão tomaram conta de mim naquele momento e imediatamente elevei uma prece a Deus por presenciar algo tão incomum em nossos dias.
Não pude deixar de sinalizar ao segurança que aquele fato também era reflexo de seu próprio exemplo, reconhecendo seu trabalho e a forma como costumava conduzir as coisas com atenção, cuidado e caridade, próprios da instituição que representa.
Talvez seja exagero falar em milagre...
Mas num tempo e num lugar onde a cultura da "farinha pouca, meu pirão primeiro" costuma ser a ordem do dia, poder testemunhar algo tão fora do comum, inclusive para padrões de países desenvolvidos, no mínimo coloca esta cativante iniciativa no patamar do extraordinário!
Que Santa Dulce dos Pobres seja sempre motivo de inspiração e de imitação para o povo brasileiro!
Amém!

Lavagem do Bonfim nas OSID


Em frente ao Santuário de Dulce dos Pobres, a multidão vai passando...
Rumo à Colina Sagrada o povo vai a pé...
Pelo território santo, tantos elementos vão se misturando...
A alegria, a diversão, a tradição, a festa, a bebida, a devoção, a diversidade, a música, a gratidão, a fé...
Gente se encontrando, se benzendo ou simplesmente passando por ali, nesta quinta especial...
Romaria vira carnaval num ritual de respeito e troca, baianidade na medida exata do Bonfim...
Em frente à imagem da Santa, a reverência de seu povo conta uma história que não tem fim...
Histórias de amor e reconhecimento, de uma santidade construída além dos muros dos conventos...
Além das religiões ou das origens, pessoas de todas as crenças reenconrtam suas raízes, tocando o sagrado!
Do fundo de cada peito um coração que vem pedir uma graça ou apenas dizer obrigado...
Vem encontrar Santa Dulce dos Pobres pra agradecer por sua obra...
Neste lugar onde há Amor de sobra, bênçãos se derramam, na continuidade de um legado!
Uma multidão a caminho, que enxerga no Santuário de Dulce uma espécie de ninho, onde há um doce acolhimento!
Emoção, verdade, intensidade, sentimento...
Sorrisos e lágrimas que transmitem, com pura simplicidade, a humanidade se revelando de maneira pungente...
Entre passos e abraços, a esperança mostra sua pujança em gestos de entendimento e de paz...
Santa Dulce dos Pobres se faz presente na caminho da fé de sua gente!
Igreja em sintonia, elevando um Pai Nosso e uma Ave Maria pra celebrar sua primeira Santa brasileira e baiana!
Canções, orações e poesia!
Da rua lotada o entendimento de que da igreja ao hospital, tudo é santuário onde ela pisou, onde ela serviu e amou!
Toda sua obra é uma espécie de sacrário, onde a presença de Cristo se perpetuou!
Talvez, por isso, artistas, políticos, religiosos, intelectuais e, principalmente, os anônimos pobres mortais façam das suas obras passagem obrigatória...
O Anjo Bom da Bahia faz parte de sua história, permanece vivo em suas memórias, continua presente, como referência de Amor e Paz!