quinta-feira, 19 de março de 2020

BBB REAL



Agora os confinados somos nós...
Brothers e sisters da vida real, mais do que nunca têm suas fragilidades expostas de um jeito nunca antes visto! E a cada instante testemunhamos gestos de absoluto individualismo, que vão de encontro ao interesse coletivo da nossa “casa comum”!
É verdade que ainda existem alguns anjos, protegendo e amparando os que estão no alvo da pandemia. Quem dera eles tivessem realmente o poder da imunidade...
Também é verdade que, mais do que nunca, os lideres precisam ser sensatos e pensar muito bem nas suas decisões. São várias as provas de resistência às quais estão sendo submetidos.
Nossas “estalecas” reais andam bem escassas e todo mundo parece estar na xepa. Muitos brothers e sisters que só pensam em si e agem como se os outros não existissem...
A convivência anda difícil, cada um mantendo a distância regulamentar estipulada pelo programa de saúde de cada local. Aliás, na hora de ditar regras, há uma grande dúvida sobre quem tem a palavra final. Quem seria nosso “Big Phone”afinal?  O poder público ou a mídia? Em quem você votaria?
Certo é que ao primeiro sinal de febre ou tosse seca, somos indicados a ir para o “quarto branco” ou viramos favoritos a eliminação! Nesta situação tão difícil, ainda existem aqueles que nos transformam em monstros, como se este caos global já não fosse um castigo suficiente...
O confinamento pode transformar brothers e sisters em plantas ou em excluídos, em renegados ou campeões. E há também o queridômetro, que vai esgarçando as relações, na medida em que certas doses de verdades vêm à tona...Aí vira zona, acaba amizade e carinho e pega fogo no parquinho...
Pois é, agora os confinados somos nós, do outro lado da telinha. E os heróis reais são aqueles que estão na linha de frente da batalha diária contra este inimigo comum, que colocou a humanidade toda numa espécie de paredão... Como será nosso raio x? Será que teremos direito a um bate-volta? Ou vamos sair da casa com altos índices de rejeição?
Que estratégia usaremos? Seremos vítimas de nossa própria contradição? Sim ou não? Qual será o resultado? Quem estará na direção? Seremos verdadeiros ao entrar no confessionário e dar nosso voto de contrição? Seremos dignos de juízo, de condenação ou de perdão?
No BBB da vida real não somos chamados à competição, mas à reflexão!
O Corona Vírus é um apresentador isento e muito atento sobre nossa condição: Todos somos alvos, sem distinção! E ao compreender que qualquer tipo de manipulação só nos trará prejuízo, conseguimos traduzir tudo isso como um aviso, talvez para nossa evolução...
O que será mais preciso? Diante do risco de vida efetivo, qual a importância das festas, da fama, da audiência, da popularidade, dos brindes, da premiação?
Talvez seja a hora de parar e finalmente enxergar que um daqueles Dummies pode ser seu irmão!
Que tal pensar um pouco naqueles que são invisíveis pra você... Se eles não têm rosto, talvez você não tenha coração...
Se passarmos bem por tudo isso, priorizando o respeito, a verdade, a fraternidade e o amor, aí sim, cada sobrevivente será de fato um vencedor!


quarta-feira, 18 de março de 2020

Mais além



O Amor
não conhece
fronteiras
O Amor
não dá bola
pros muros
O Amor ignora
as trincheiras
O Amor
sempre crê
no futuro

O Amor está
muito além de tudo
que a gente imaginar!

O Amor
não espera
retorno
O Amor
nos ensina
a voar...
O Amor
não aceita
ser morno
O Amor
faz a gente
brilhar!

O Amor está
muito além de tudo
que a gente imaginar!

E tudo em volta
pode parar
tudo pode mudar
mas o Amor
não vai se transformar!

E tudo em volta
pode parar
tudo pode mudar
nas o Amor
não vai se transformar!

Anti-vírus!



Fique no seu canto
pense coletivo
cuide de quem ama
permaneça vivo

Leia algum livro
cante uma canção
ligue pra um amigo
faça uma oração

Se o mundo parou
e não dá pra descer
acredite no Amor
reinvente você

Curta a sua casa
brinque com sua filha
voe, ganhe asas
viva sua família

Seja um anti-vírus
faça a sua parte
fique bem tranquilo
viver é uma arte

Se o mundo parou
e não dá pra descer
acredite no Amor
reinvente você

Tempo de rever tudo
tempo de sonhar mais
hora de mudar o mundo
na revolução da paz!

terça-feira, 17 de março de 2020

Tempos difíceis



São tempos difíceis.
Não serão os primeiros...
Não serão os últimos...
São tempos que nos convidam a refletir e, acima de tudo, a valorizar a vida!
O que temos feito com ela, com a nossa vida?
O que temos feito com a vida daqueles que dizemos amar?
Como não lembrar do querido amigo e profeta Saja, que não cansava de nos provocar a crescer na consciência sobre nossa própria responsabilidade na construção de um tempo maior, de um mundo melhor, com gente melhor...
Vivemos tempos de reclusão, de preservação, de agir individualmente pensando coletivamente...
Tempos que nos colocam contra as paredes de nossos próprios "templos" e nos obrigam a escutar nosso silêncio interior...
Tempos de contemplar nossa fragilidade e mais ainda, olhar para o espelho de nossa história e aceitar que algo tão micro é capaz de abalar tudo o que temos considerado tão macro e importante durante séculos de conquistas e destruições...
O que temos mesmo feito com as nossas vidas? O que temos mesmo construído?
Nestes tempos de "isolamento obrigatório", de repente nos percebemos sentindo falta de um abraço, da presença de alguém, do encontro com o outro...
Coisas que há poucas semanas eram tão pouco valorizadas por nós mesmos...
São tempos de preocupação com nossos idosos, aqueles mesmos que muito de nós têm esquecido, ou pior, têm ignorado no dia a dia agitado de nosso próprio tempo!
Não são tempos fáceis para ninguém... Principalmente para aqueles que estão encarando, talvez pela primeira vez, que diante de uma ameaça global somos todos igualmente alvos...sem distinção...somos todos potencialmente alvos...
Entre alarmes justificados e um alarmismo desenfreado, seguimos com os corações apertados, cheios de dúvidas e inquietações e, como na música de Belchior, entristecidos por constatar que "ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais"....
Nossa mídia continua a mesma, valorizando as informações sensacionalistas...
Nossas redes sociais continuam as mesmas, multiplicando fake news e piadas infames...
Nossa mentalidade continua a mesma, "farinha pouca, meu pirão primeiro", esvaziando as prateleiras das farmácias e mercados, numa atitude egoísta e de nenhuma utilidade para o todo...
Sim, são tempos muito difíceis...
Neles, somos chamados a uma nova forma de viver, ou de sobreviver...
A casa comum sofre...nosso planeta agoniza...
Não é só o Corona Vírus! São a fome, a violência, a desigualdade, a guerra, a droga, a indiferença, a cobiça, o consumismo...
Os "Cavaleiros do Apocalipse" estão por aí, rondando e espalhando o terror, com atitudes mesquinhas e desumanas...
É tempo de despertar e responder de uma vez por todas:
O que estamos fazendo com nossas vidas? O que vamos fazer com a vida de quem amamos a partir deste novo tempo?
Perguntas difíceis...respostas difíceis...para pessoas difíceis, em tempos difíceis...
Há esperança?
A esperança é ver, sentir compaixão e cuidar...
Primeiramente de nós mesmos, em nossa miséria interior...
E por consequência, enxergar, se compadecer e cuidar do outro, entendendo que a nossa atitude diante da vida fará a diferença na vida de muitos!
A esperança é ser Bom Samaritano...
É ter o olhar de Santa Dulce dos pobres, de São Francisco de Assis, de Santa Teresa de Calcutá...
O olhar amoroso de Cristo, isento de julgamentos, de egoísmo, de predileções...
Tempo de rezar, de amar e de servir!
De nos retirar para o deserto e encarar nossos demônios...
Tempo de nos transformar, de transfigurar a humanidade, de fazer valer a nossa luz!
Para isso fomos feitos! Para isso estamos aqui...
Já passou da hora de escutarmos o chamado e, definitivamente, brilhar!
Talvez assim, quando nos dermos conta, fará todo o sentido a frase bíblica:
"Os últimos serão os primeiros"...
A compreender, a amar, a evoluir...

domingo, 8 de março de 2020

Dia da Mulher


Não se trata 
de uma data somente, 
mas da poesia diária 
que este ser reluzente poliniza 
em todos os lugares do mundo,
principalmente para quem mais precisa!
O Feminino 
é mais profundo,
mais belo, 
exala muito mais 
harmonia e inspiração.
Não importa a condição, 
a forma, a profissão...
É curva, é elo, é paralelo, 
é vida pulsante, vibrante, 
é o processo lapidado
da cura, da procura,  
da conexão mais pura
entre mente e coração!
É ventre, é semente, é criação, 
são seios, é veio,  é alimento, 
são argumentos e emoções...
A mulher é a representação maior 
do sentimento mais sagrado:
o amor sem condições
por Deus abençoado!

Dia Internacional da Mulher



No Dia Internacional da Mulher, o meu ser masculino se enche de gratidão e graça por poder amar e servir numa instituição fundada por uma das mulheres mais especiais que o mundo já conheceu!
É um privilégio poder me aprofundar diariamente nos valores e princípios de Santa Dulce dos Pobres, trabalhando em seu Santuário e aprendendo com sua gente sobre seu legado de amor incondicional...
É um aprendizado diário a convivência com as colegas que por lá multiplicam este legado, colocando seu profissionalismo, seus talentos, sua entrega e o seu "ser feminino" a serviço do Dulcismo.
É uma oportunidade maravilhosa aprender e ser liderado por sua sobrinha, Maria Rita, em quem o DNA da amorosidade, da simplicidade e da sensibilidade são tão visíveis, nos orientando a dar continuidade à história e à obra desta Santa que hoje é venerada nos altares de todo o mundo!
Que nossa Irmã Dulce continue a ser inspiração para muitas mulheres e para nós, homens, que temos tanto a aprender com a maternalidade de seu acolhimento e com a intensidade de sua vida!
A OSID é uma obra que pulsa o feminino, o cuidar, o acolher, o servir, o ousar, o amar, o ir além, o invadir, se for preciso, para salvar alguém!
Que em nosso dia a dia possamos ser reflexo desta esperança... Que saibamos ler, como crianças, a poesia que o feminino traz à humanidade... Uma poesia que fala de paz, que nos ensina a ser e confiar mais!
Que resgatemos em nós o dom de nos emocionar, de nos comover, de nos permitir derramar as lágrimas que nosso olhar derreter...Que reaprendamos a ser! A colher o melhor da vida, sem calcular tanto, sem planejar tanto, sem especular tanto, sem julgar ou esperar em troca... que possamos simplesmente ver, sentir e fazer!
No Dia Internacional da Mulher, gratidão e graça pela vida de uma das pessoas mais especiais que foi capaz de entender e realizar tudo o que Deus concebeu!
Viva Santa Dulce dos Pobres!!!!

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Vovó "Durce"...



Minha avó Dulce tinha um olhar melancolicamente doce...
Uma sombra meio triste que, de uma hora pra outra, se iluminava num sorriso...
Vivia para os seus...cuidando de tudo, como uma prendada dona de casa devia fazer na época em que viveu!
Minha "Vó Durce" tinha algumas paixões que transfiguravam dela para quem quisesse perceber...
Uma delas era meu avô Alexandre! Como ela cuidava dele, o respeitava e ficou triste com sua partida...Arrasada seria o termo...Daí pra frente a depressão não a deixou em paz...
Aliás, minha avó foi uma das pessoas nas quais foi mais sensível a dor pela ida precoce de "Tio Jone"...Não foram poucas as vezes que ela ficava me olhando e depois de um longo suspiro me dizia:
-"Voce parece tanto com seu pai! Eu sinto uma saudade de João Augusto!"....
Outra paixão era o chocolate...como ela gostava! E creio que gostava mais ainda de oferecer chocolate para família! Ela adorava a algazarra que produzia quando passava com sua caixa plástica com todo tipo de chocolate e bala que se pudesse imaginar... Todo almoço na casa dela era uma farra... Primos reunidos para sua inesquecível feijoada, não sem antes bater o tradicional "baba" no playground do Edifício Antunes (que deveria ter sido batizado de Ed. Maia) sob os protestos do porteiro Aluísio...Depois, cansados e suados, subíamos as escadas até o primeiro andar, passando pelos combongós redondos, para nos resfastelar com os quitutes de Vovó Dulce... Na mesa, sempre
orgulhoso pelo sucesso da esposa, Xanduba sorria discretamente, satisfeito e feliz com a família reunida!
Depois do almoço e da sobremesa ela vinha lá de dentro com sua enorme caixa de bombons e oferecia a todos, um por um, para que tirássemos aquele que mais nos apetecia!Chego a sentir o gosto do saquinho de "confete" ou do alpino que ela chamava de "saia plissada"...Doces lembranças...
Silenciosamente estava atenta a todos e queria agradar a cada um de seus filhos, netos e agregados com um amor e uma entrega inesquecíveis!
Quando chegamos de Brasília, logo que entrei em sua casa, ela olhou pra mim e para Luly e disse:
"- A ceia está na mesa. Vão ariar os dentes no quartio sanitário!" De onde vinha aquele sotaque espanhol?! Um quartio pras oitio? Que língua era aquela?fiquei mais perdido que camarão em tsunami...se não fosse Tia Zélia que, vendo meu desespero sem saber o que fazer, traduziu aquele "dialeto", me orientando a escovar os dentes no banheiro, acho que estaria ali até hoje!
Ao voltar para a mesa, fui apresentado por ela ao Leite Ninho! Com aquela medida de alumínio, ela fez a "mágica" de transformar aquele pó em leite e me fez saborear o mais delicioso "nescau" de meus "longos" sete anos de vida até então!
Tudo na casa de minha avó tinha um toque diferente... Um cheiro, uma cor, uma textura...Tudo era novidade praquele brasiliense recém chegado ao solo sagrado de suas origens baianas...
Quem não lembra da cristaleira dela, de seu presépio fluorescente que iluminava o escuro da sala de estar. Quem não lembra das canecas dos inúmeros festivais de chopp promovidos pelo Lions, cujo único Leão padrão temos o privilégio de ter como avô e pai?
Entre tantas lembranças muito especiais, lembro da última vez que a vi, numa véspera de
Natal... Nosso grupo de canto da paróquia de Santana resolveu cantar músicas natalinas para alguns idosos , passando por suas casas... ligamos pra perguntar se ela queria que passássemos la e ela disse que sim... Nesta época vovó e a também inesquecível Tia Regi moravam juntas... As duas, como boas irmãs, se amavam tanto que viviam se digladiando pelas coisas mais corriqueiras... Desta forma afirmavam que se importavam uma com a outra! Depois das músicas natalinas Tia Regi pediu sua música favorita de igreja: A Barca!  Quase rola uma discussão pois a música não era natalina....No final, a emoção acabou transbordando tudo!!!! Saímos de lá felizes por aquele momento, mas meu coração estava pequeno e eu não sabia porquê... Depois eu entendi que foi o nosso "até breve" sem que ninguém houvesse combinado...
Hoje Tia Zélia nos presenteou com a lembrança da celebração de sua vida! E Leco com uma linda canção falando dela e de seu inseparável Xanduba! Que, de junto de Deus, eles possam abençoar a todos nós...filhos, netos, bisnetos e Laurinha, nós que damos seguimento ao amor que eles começaram, namorando escondido, meu avô na praça do Rio vermelho, minha avó na janela do sótão de sua casa...
Uma linda história de amor para cada um de nós sentir muito orgulho e gratidão!
Um viva à vida de D. Durce!

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Eterno...



Terno...
Eterno...
Olhar fraterno...
Olhar que cuida...
Olhar que invade...
Olhar que incomoda
com sua verdade!
Olhar que nos provoca...
Que se entrega
sem pedir nada em troca...
Olhar que acolhe,
abraça e carrega...
Que se encarrega
de cuidar de tudo...
Olhar que vira escudo
contra as barbáries do mundo!
Olhar que é doce!
Olhar de Dulce!
Olhar que é santo
Olhar que é nobre!
Olhar que ama tanto
que enxerga Cristo
no mais pobre!
Terno...
Eterno...
Cuidar fraterno!
Cuidar que se levanta,
se desacomoda,
cuidar que se agiganta
e chama a gente pra roda!
Cuidar que não tem medo,
que não julga ninguém
que não tem nenhum segredo
e apenas faz o bem!
Cuidar que contagia
que toca, que trata, que cura...
Cuidar que é sim de Maria
pra quem a Ele procura...
Cuidar que esquece de si
porque lembra do próximo,
que faz valer o existir
porque é paz pro outro!
Cuidar que transforma tudo,
não esquece de nada,
que ama por pura alegria
que estende a mão, abraça, cria
e deixa pegadas de amor na estrada!
Cuidar que não espera...
Sabe que a fome tem pressa...
Sabe que a dor não aguarda...
Que o desespero não tarda
quando tudo parece ás avessas....
Cuidar externo...
Cuidar interno...
Olhar eterno...
Olhar fraterno...
Olhar tão terno...
Olhar da nossa irmã santificada...

domingo, 16 de fevereiro de 2020

Ainda na Berlinda....



Ainda cospem em suas mãos, irmã...
gente da sua própria Igreja...
Ainda olham os pequenos desvios
e invisibilizam o tanto que é feito...
Chega a doer no peito, irmã,
a palavra que é atirada como pedra
exigindo o perfeito...
mas como, irmã, se somos imperfeitos?
Ainda não aceitam seus caminhos, irmã...
ainda lhe coroam com espinhos...
Esquecem a dimensão de tuas obras
e disputam entre si suas sobras,
como fizeram com o linho do Cristo...
Se aproveitam de seu exemplo
pra ornamentar os seus templos,
para aproveitar o momento
em que o mundo te proclama santa!
Mas ainda apontam para ti, irmã,
condenando seus métodos...
Não entendem seu abraço,
não concebem seu acolher,
não conseguem entender
a Igreja em saída em cada um dos teus passos
em defesa da dignidade e da Vida!
Teu Amor, irmã, os faz se contorcer...
Ainda rejeitam seus pobres,
sentem nojo de seus doentes,
não alcançam os sentimentos mais nobres
que te faziam Mãe dos indigentes...
Ainda te colocam na berlinda,
inventam devoções concorrentes.
desdenham de sua gente,
e seguem em frente,
e viram o rosto,
e nos dão o desgosto
de não te fazerem bem-vinda...
Ainda...
Tem nada não, irmã...
Assim fizeram com Jesus...
Espinhos, maus tratos, calvário, cruz...
Bem aventurada é tua luz, irmã,
imagem e semelhança de Deus,
bem aventurança para os seus....
Ainda são injustos e parecem querer
pedir sua exclaustração até
entre os eleitos santos...
Ah irmã...
Perdoai-lhes...
Eles continuam a não saber o que fazem...
Continuam a não compreender nada...
Continuam a vociferar contra a sua obra
sem ter nem porquê...
Não aceitam sua santidade rebelde,
assim como não aceitaram os títulos de Anjo Bom,
de Mãe dos Pobres, de Anjo Azul...
Continuam sem entender que você
já estava canonizada mesmo antes de morrer
pela gratidão de seu povo, pelo bem querer de sua gente,
pelo respeito e admiração de pessoas de todos os credos...
gente que nem precisou estar com você para sentir
a força e o poder de uma vida dedicada a Amar e Servir!







Santa tinta...



Mãos que se tocam no sacerdócio do Amor...
missões que se entrelaçam na expressão de suas vocações...
tanta tinta para colorir a Vida, tanta luz para acolher o outro...
tantos traços em comum!
Mãos que se dedicam à fragilidade do semelhante,
aquele invisibilizado pelos holofotes do mundo...
Mãos que sonham espaços em branco,
espaços de paz, onde seus ideais se abracem
e suas almas comunguem...
espalhando as sementes sagradas da humanidade mais santa...
nos altares das ruas, lugares onde arte e amor possam deixar
suas assinaturas como um clamor por um tempo mais justo e acolhedor...
Mãos que são chamadas a fazer a diferença
e que, através de seus dons, hão de deixar mais e mais referências
a quem é tocado pelo desafio de AMAR e SERVIR...
Mãos que sonham juntas um mundo mais fácil para coexistir...
Um mundo que não usurpe o futuro dos artistas dos muros,
que não silencie a voz que vem das ruas...
mas, ao contrário, a escute... e com ela faça coro
e transforme dor e choro em sorriso...
Mãos que se estendem e se tocam
e mesmo em universos tão diversos
inspirem canções, pinturas, versos...
Inspirem quem de fato procura
oceanos de paz para estar imerso,
sepultando de vez o "tanto faz"...

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Doutora em Dulcismo...(À Dra Josecy Peixoto, com profunda gratidão)



Pense numa pessoa joinha...
Uma jóia de ser humano capaz de ver a dor do outro, sentir compaixão e cuidar dele...
Assim foi hoje...A parábola do bom samaritano em tempo e vida reais!
Depois de receber um telefonema de alguém muito especial (uma santa de nossos dias, cuja obra acompanho há alguns anos), e percebendo sua angústia com a situação de sua mãe, que sofre com um avançado grau de Alzheimer, meu coração foi tocado para tentar oferecer a esta amiga querida algum conforto para que ela não permanecesse consumida pela dúvida de estar ou não oferecendo à sua mãezinha o possível para aliviar seu sofrimento.
Depois de sair de sua casa, onde fui com um amigo irmão levar uma imagem de Santa Dulce dos Pobres para nossa Santinha Violeta, cheguei na OSID e me veio claramente a imagem da médica de minha mãe. Sabendo que ela trabalha por lá, fui até ela e pedi ajuda. Expliquei a situação e ela me olhou com o acolhimento próprio de Santa Dulce e se dispôs a ir até a casa da minha amiga...
No exercício pleno de seu sacerdócio e no cumprimento fiel à sua vocação e ao juramento de se dedicar à defesa da vida humana, depois de um dia extenuante de trabalho, ela largou tudo e foi até a mãe de minha amiga...
O encantamento com seu cuidado, dedicação, preparo, conhecimento e, principalmente, com a sua missão de AMAR E SERVIR se traduziu no brilho de um olhar pacificado pela confiança, marejado pela emoção, e na gratidão desta amiga que viu, no gesto despreendido e generoso de uma verdadeira "médica de homens e de almas", a última porta de esperança escancarando-se como os braços de alguém que vem para oferecer o acolhimento do AMOR ÁGAPE, aquele sem qualquer outro tipo de interesse ou intenção além de amar!
Sem dúvidas, hoje, esta jóia de doutora foi a imagem e semelhança de Santa Dulce dos Pobres para uma outra santa...de nome Violeta... Foi aquele abraço acolhedor, aquele amor personificado, se derramando como bálsamo sobre alguém com muita dor...
A médica competente e comprometida, o ser humano generoso e iluminado, receita do bem maior que é capaz de acalmar o coração e injetar na alma a mais pura paz!
Gratidão por testemunhar tudo isso!

domingo, 19 de janeiro de 2020

Milagres diários 2



Saindo das Obras Sociais de Irmã Dulce, outro dia, me deparei com uma cena que, além de ter me trazido lembranças queridas, me trouxe uma certa apreensão.
Em frente ao Memorial de Santa Dulce dos Pobres, quatro senhorinhas em pé, do lado de fora, e com o celular na mão, pareciam aguardar alguma condução.
Imediatamente lembrei de minha sogra, Anna Maria Pereira e suas inseparáveis amigas, companheiras que, durante tantos anos, se irmanaram na nobre missão de serem voluntárias da OSID.
Atento ao fato de que, naquela região, pode ser um risco ficar com o celular assim, em exposição, no fim de tarde, olhei para os lados e percebi que um dos seguranças estava de olho nelas, talvez com a mesma preocupação que me afligia naquele momento.
Por alguns instantes fiquei a "vigiá-las", anonimamente, torcendo para que sua condução chegasse logo e elas fossem em paz para suas casas. Enquanto estava ali, percebi uma movimentação perto delas. Um ambulante estava procurando alguma coisa embaixo de seu carrinho de frutas. De repente, com o sorriso de quem havia encontrado o que procurava, virou-se na direção delas e lhes ofereceu quatro bancos de plástico para que aguardassem sua condução sentadas, com mais conforto e segurança, ainda mais perto do portão...
Não sei quem ficou mais feliz...Elas, o segurança, o ambulante ou eu.
Contemplar uma cena destas, em Salvador, é tão impensável, que beira mesmo a esfera dos milagres...
Depois de acomodá-las cuidadosamente, o ambulante retornou a seu carrinho e ali permaneceu como se nada houvesse acontecido...
Não me contive... Fui até ele e lhe disse o quanto surpreso e agradecido eu havia ficado com sua atitude...
Sorrindo, ele me disse que já está ali, naquele ponto, há quase 20 anos. E que desde o primeiro dia ele percebeu o cuidado e a atenção com os quais as pessoas da obra acolhiam aqueles que chegavam, independente de quem fossem... Me falou também que os próprios seguranças que, em outros lugares costumam ser grosseiros e mandões, ali se preocupavam em orientar e em ajudar. Me disse, então, que percebeu logo que se não seguisse o mesmo comportamento, provavelmente não ficaria ali por muito tempo.
Em seu anônimo serviço, aquele ambulante me mostrou, e à todos envolvidos no ocorrido, a força que possui um bom exemplo! Santa Dulce dos Pobres já está ausente fisicamente desde 1992 (já se vão 28 anos que Deus a chamou), mas o seu modelo de acolhimento caridoso e inclusivo permanece tão vivo que se espalha além das fronteiras de suas próprias obras.
A emoção e a gratidão tomaram conta de mim naquele momento e imediatamente elevei uma prece a Deus por presenciar algo tão incomum em nossos dias.
Não pude deixar de sinalizar ao segurança que aquele fato também era reflexo de seu próprio exemplo, reconhecendo seu trabalho e a forma como costumava conduzir as coisas com atenção, cuidado e caridade, próprios da instituição que representa.
Talvez seja exagero falar em milagre...
Mas num tempo e num lugar onde a cultura da "farinha pouca, meu pirão primeiro" costuma ser a ordem do dia, poder testemunhar algo tão fora do comum, inclusive para padrões de países desenvolvidos, no mínimo coloca esta cativante iniciativa no patamar do extraordinário!
Que Santa Dulce dos Pobres seja sempre motivo de inspiração e de imitação para o povo brasileiro!
Amém!

Lavagem do Bonfim nas OSID


Em frente ao Santuário de Dulce dos Pobres, a multidão vai passando...
Rumo à Colina Sagrada o povo vai a pé...
Pelo território santo, tantos elementos vão se misturando...
A alegria, a diversão, a tradição, a festa, a bebida, a devoção, a diversidade, a música, a gratidão, a fé...
Gente se encontrando, se benzendo ou simplesmente passando por ali, nesta quinta especial...
Romaria vira carnaval num ritual de respeito e troca, baianidade na medida exata do Bonfim...
Em frente à imagem da Santa, a reverência de seu povo conta uma história que não tem fim...
Histórias de amor e reconhecimento, de uma santidade construída além dos muros dos conventos...
Além das religiões ou das origens, pessoas de todas as crenças reenconrtam suas raízes, tocando o sagrado!
Do fundo de cada peito um coração que vem pedir uma graça ou apenas dizer obrigado...
Vem encontrar Santa Dulce dos Pobres pra agradecer por sua obra...
Neste lugar onde há Amor de sobra, bênçãos se derramam, na continuidade de um legado!
Uma multidão a caminho, que enxerga no Santuário de Dulce uma espécie de ninho, onde há um doce acolhimento!
Emoção, verdade, intensidade, sentimento...
Sorrisos e lágrimas que transmitem, com pura simplicidade, a humanidade se revelando de maneira pungente...
Entre passos e abraços, a esperança mostra sua pujança em gestos de entendimento e de paz...
Santa Dulce dos Pobres se faz presente na caminho da fé de sua gente!
Igreja em sintonia, elevando um Pai Nosso e uma Ave Maria pra celebrar sua primeira Santa brasileira e baiana!
Canções, orações e poesia!
Da rua lotada o entendimento de que da igreja ao hospital, tudo é santuário onde ela pisou, onde ela serviu e amou!
Toda sua obra é uma espécie de sacrário, onde a presença de Cristo se perpetuou!
Talvez, por isso, artistas, políticos, religiosos, intelectuais e, principalmente, os anônimos pobres mortais façam das suas obras passagem obrigatória...
O Anjo Bom da Bahia faz parte de sua história, permanece vivo em suas memórias, continua presente, como referência de Amor e Paz!