sábado, 16 de novembro de 2019

Maria e o Louro...



Asas, pra que lhes quero?
Se sou capaz de voar com os pássaros
e com eles conversar e me entender
e à natureza inteira agradecer...
Tocar seus pés com minhas mãos...
Olhar nos olhos de um coração
que ainda pulsa no ritmo
dos ecos da criação...

Asas, pra que lhes quero?
Se já consigo traduzir
tudo o que o louro do convento
consegue transmitir,
nestes momentos
onde Deus nos faz sorrir
por dentro...
E corpo e alma viram
um só templo,
e nos fazem transfigurar
e refulgir!

Para além do toque
entre o Divino e a humanidade,
Maria e o louro privam da Amizade...
Destas que desafiam tempo, espaço, proximidade...
Se sabem, se conhecem, em profunda intimidade...
Um alumbramento entre os dois, um sentimento...
Lindo de se testemunhar...

Franciscano advento até um novo encontrar...
Franciscana saudade...
Asas, pra que lhes quero?
Se a poesia de um momento faz voar?

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Rapidinha...



E Deus disse em mim,
depois de uma semana
de escuta e de troca:
"Por alguns dias
eu entreguei meu tempo
mais ao ofício de fazer
do que ao exercício
de criar..."
De volta ao melhor amigo,
ao papel, este generoso abrigo,
sinto que toquei o céu...

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Nos passos de uma santa



A cada dia uma descoberta, um presente...
Mais e mais gente com a alma aberta, nas trilhas do bem...
Do Hospital ao Santuário, tornam-se visíveis as pegadas do Amor!
Percorrendo os caminhos da Santa, vendo tanta gente sarar sua dor,
a emoção se agiganta, tudo é milagre de Amor!
No labirinto de corredores, tudo é memorial do seu CAMINHO!
No Evangelho oferecido em suas paredes, tudo exala sua VERDADE!
Nos olhares e sorrisos acolhedores, tudo expressa a sua VIDA!
Voluntários, protetores, sócios, colaboradores, médicos, enfermeiros, seguranças, conselheiros,
técnicos, gestores, amigas e irmãos de Dulce!
Irmãos de sua obra, deste Amor que sobra e por isso mesmo se doa e se renova!
Sua fortaleza é tão sensível no sorriso que desarma, na emoção que contagia, na paz de uma palavra,
na oração como via, no abraço que acalma, na presença que é guia !
Todos nós tão frágeis, tão pequenos diante de tão gigantesco Amor...
Simplesmente nos colocando ao seu dispor...
Para servir sem receio, sempre inspirados por ela!
No seu quarto, uma vela...Uma chama que a todos aquece, que a todos ilumina...
Gratidão elevada em prece!
Doce Luz que dali germina e floresce!
Coração Santuário com as portas abertas...
A razão de uma vida, assim redescoberta!

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Magalha!


Hoje é dia de festa! 
Transforme seu coração num salão de festa...
ou quem sabe numa clareira na floresta...
Aí depende do gosto...
O importante é ter vento e sorriso no rosto"
Ah... invente um ritual pra celebrar a vida! 
Reacenda a fogueira, 
aqueça-se na chama e, 
sem nenhum drama, 
transforme em comédia 
a aventura de viver! 
Pode crer, 
vai ter um monte de penetra
só pra abraçar você! 
Aí você pega umas pencas de amigos 
e faz um abrigo 
pra se proteger 
das tempestades e perigos 
que o tempo às vezes 
insiste em oferecer! 
Depois saia de mãos dadas 
com Patricia 
e ofereça a ela uma taça de luar...
Num instante vocês se verão 
num altar e renovarão as alianças..
E como crianças, 
chamarão seus filhos pra brincar! 
Antes de dormir, 
não esqueça de elevar uma prece 
de agradecimento a Deus! 
Só então será a hora de soprar as velas... 
Assim, seu barco estará pronto pra singrar
mais um ano de felicidade e muito sucesso
e tudo de bom que voce merece! 
Grande abraço!

Warney por Bob...(a dois irmãos queridos, na revelação de seu amor fraterno, eterno!)



No olhar do irmão, o foco, a atenção...
A viagem de um olhar muito além do quadrante...
Não se espante...
As "parecências" ancestrais nada mais são que reticências naturais de um cavaleiro errante...
ou seria um Quixote itinerante a contemplar seus moinhos de vento antes de lhes chamar para dançar no próximo instante?
O tempo e sua coreografia milenar...
O ser humano séculos adiante...
No instantâneo e precioso clicar, mesmo sem respirar, o irmão amplia o horizonte para lhe celebrar...
É o Amor, gigante, a se revelar...
A fraternidade a transformar fotografia em poesia..
Dança em nostalgia...
Brilho no DNA!

O novo descobrimento do Brasil (sobre uma foto de Henriqueta Alvarez)



Da caravela ouve-se um grito.
- Terra à vista...Vida à vista!
A água ainda vive...
Resiste ao óleo sem procedência...
Enquanto o poema na areia pede clemência...
A água viva, em sua transparência, avisa do veneno que polui o mar...
A caravela agoniza, enquanto a brisa vem soprar...
Enquanto a espuma preconiza uma resistência cabra da peste,
a Natureza vai curando as praias do nordeste
no ritmo preciso das marés...
Da caravela ouve-se um grito:
- Mar à vista...Luta a perder de vista...
Seus tentáculos pegam uma carona com a primeira onda, bem na crista...
E deixam-se renovar...
O mar é sal, tempera a terra, onde impera a Vida!
Uma imagem, uma paisagem, um ser que sangra e se eterniza: tatuagem numa superfície violentada...
Corpo submarino em retiro...
Da caravela ouve-se um último suspiro...
Nenhum "brado retumbante"
Apenas um ser e seu martírio...
E "pela própria natureza" o gigante mais parece um morto-vivo...

Servir e Amar...E Amar servir e amar!


Ela se ajoelhou diante dos mais humildes...
Porque neles reconhecia o Cristo necessitado!
Ela se curvou diante dos mais doentes...
Porque neles enxergava o Cristo fragilizado..
Ela se compadeceu dos mais desprezados...
Porque neles abraçava o Cristo entristecido...
Nos menores e mais esquecidos pela sociedade,
ela identificava a imagem e semelhança de Deus...
E por eles lutava e pedia...
E por eles não parava e seguia...
Contra todos os diagnósticos,
contra todos os prognósticos,
ela perseverava e insistia...
E só ao acolher cada um deles e alimentá-los com seu amor
ela finalmente sorria...
E assim o mundo a reconheceu Santa!
Por que em seus traços, em seus gestos, em sua obra,
o mundo reconheceu a imagem de Deus, no Amor ao semelhante!
Sem julgamentos, puro acolhimento!
Este é o seu maior legado...
Tornar o impossível possível apenas com Amor!
Seu maior milagre...
E nós que queremos representá-la, o que temos feito?
Estamos servindo à sua imagem?
Estamos amando à sua semelhança?
Estamos nos espelhando no seu caminho de santidade?
O que significa sua obra para nós?
O que representa seu santuário?
O que nos fala a história de Irmã Dulce?
O que cala em nós a sua vida?
Estamos sendo, de fato, seus legítimos representantes?
Como estamos acolhendo os pacientes?
Como estamos recebendo os visitantes?
Como estamos abraçando a nós mesmos?
Se a maior marca de Santa Dulce foi este amoroso acolher,
como preservar o seu legado sem escutar seu chamado
para que tentemos oferecer nosso melhor lado,
nossos maiores dons, sem olhar a quem,
sem olhar de lado, simplesmente sendo bons!
Qua a cada dia nos ajoelhemos diante da missão
a nós confiada, com a humilde intenção de servir...
Servir a Deus na pessoa do outro...
Do mais próximo...
ao mais distante...
Servir e amar...
E ir além...
Amar servir!
Que a Santa dos pobres desperte em nós os sentimentos mais nobres
para que sejamos dignos do que está por vir...
Servir à sua imagem, à sua semelhança, à sua obra, ao seu legado...
Que cada um possa abraçar a missão de ser solução de continuidade e perpetuidade
daquilo que a fez ser quem foi: a caridade!
Ela se ajoelhou diante dos mais humildes e deles se tornou serva...
Deles se tornou irmã, mãe, anjo bom, bem aventurada e santa!
Que seu Amor nos conduza a servir seguindo suas pegadas...
E que em momentos de sombra e escuridão, imitando o seu Jesus,
possamos clarear a estrada com sua doce luz!
Amém!



domingo, 27 de outubro de 2019

Chamado...



Sigo meu tempo
sem olhar as horas
o presente é o agora
nas lições dos momentos...
Cada encontro
escreve minha história
rabiscos na memória
na luz dos sentimentos...
Sigo meu tempo
sem contar minutos
entre a semente e os frutos
o descobrimento
As missões
são ondas dando sustos
a chama no arbusto
a voz do firmamento...
Sigo meu tempo
longe dos segundos
explorando mundos
conhecendo templos
Nos chamados
mergulhamos fundo
em solos fecundos
somos instrumentos

A casa dos "D"s, a casa de Deus



O Endereço? A Avenida da simplicidade!
Lá, descidos das alturas, do conforto, da imponência e da segurança da "Casa Grande", um Adão contemporâneo e sua Eva moldaram um lugar inspirados pelo Amor!
Qualquer coisa a ver com o paraíso...
Recanto de paz, de silêncio e de sorrisos...
Um templo a céu aberto onde se tem tudo o que é preciso...
Um modelo raríssimo de espaço físico com alma!
Um lugar onde é sensível a presença de Deus, dançando feliz!
Um lugar onde criação, natureza e humanidade, conseguem tocar o sagrado, em breves (e leves) instantes de plenitude...
O lar da quietude...
Onde naturalmente se aprende a silenciar para ouvir os pássaros, para escutar o vento, para acolher a melodia do outro!
No quintal da lagoa, todos os elementos parecem se unir, para louvar o agora!
No varal as roupas ganham vida a toda hora e se permitem dançar com a brisa...
Num castelo sem escudos, há espaço para tudo...
Alimento, abrigo, descanso, oração, fé, alegria, sonho, realização!
Uma luz que preenche o ambiente nos renova o significado de ser gente...
Ser coração...ser transparente...ser inspiração!
A casa dos Ds é casa de Deus!
Repleta de sinais em cada um de seus cantos...
O manto do Amor se estende, muito além do encanto...
E nos diz tanto!
Ali os carneirinhos de São João convivem pacificamente com o Irmão Lobo de São Francisco...
E Nossa Senhora das Flores semeia e colhe perfumes e cores, sem pudores ou riscos...
Há ilhas para o retiro e pontes para o convívio...
A liberdade permite se deitar nas redes, se aconchegar na varanda ou se encontrar no alpendre...
Generosamente o espaço se doa...
E o Amor ressoa entre árvores centenárias e uma vizinhança feliz pelo privilégio de viver ali o sonho do ser pessoa...
Solo sagrado...regado pela mais cuidadosa atenção...entrega, carinho, dedicação... em cada cantinho!
Como Deus que desce ao nível humano, visitando nosso plano, tornando-se próximo aos seus...
Dão e Dani, bem aventurados ciganos entre o rural e o urbano, trazem a Lagoa para o patamar da intimidade, da convivência, da igualdade...
E ali pescam seus convidados nas deliciosas redes do Amor e da Amizade!
Quando ali estivemos, o mundo se preencheu de irmandade!
Sem desigualdades ou preconceitos, a esperança ardeu no peito e o Amor arranjou seu jeito de mostrar os caminhos da verdade...
E ela ecoou ligeiro...
E nos fez passageiros de tanta gratuidade!
Gratidão por cada segundo nos quais fomos servidos das deslumbrantes receitas deste "seu" mundo!
Cada uma mais perfeita...
Canções de silêncio...Orações em abraços...
Emoções de sobremesa e gentileza no antepasto...
Um profundo bem estar do chegar ao cafézinho...
Como na música dos Beatles, um lugar pra "se deixar estar"...
Entre a família de sangue e os amigos, Dão e Dani se tornam abrigos...
Entre as famílias de vida, estão entre os seus, escancarando portas e janelas desta casa de Deus!

segunda-feira, 21 de outubro de 2019


Violetinha...
Querida Irmã...
Mais do que ninguém, você sabe que a santidade tem seus calvários..
Sempre existirão os que interpretação a palavra mais bondosa com os olhos da maldade...
Sempre existirão os que colocarão em sua boca palavras que não são suas...
Se o próprio Cristo passou por isto...passa até hoje... como não abraçar estas coisas como pequenos martírios dos bem aventurados?
"Bem aventurados sois vós toda vez que vos caluniares e julgares e sobre vós falarem todo tido de injustiça por causa do meu nome...grande será sua recompensa nos céus!"
Não entristeceis o vosso coração Violeta, Irmã sem convento...
Teu "pai" Francisco também foi mal interpretado...E nada disso maculou seu caminho de santidade...
Basta conhecer um pouquinho você para saber quais são suas palavras e quais não são, naquela reportagem...
Mas não fique sentida!
Sei que vai abraçar, também, estas "irmãs" calúnia e injúria, com o mesmo amor que abraça os "irmãos" ciúme, violência, maldade, rancor...
e vai estender este abraço aos "irmãos jornalistas", que são como seus filhos de rua...carentes, perdidos, loucos por um pouco de reconhecimento e amor...
Na verdade não vi na reportagem nenhuma intenção de lhe caluniar ou prejudicar... Apenas falta de cuidado e de sensibilidade...
Mas logo que li, intuí que você não ficaria feliz com o tipo e tamanho da exposição...
Violetinha...
Querida irmã...
Paz e bem!
Teus filhos, os de rua e estes daqui da família te abraçam com muito amor neste momento...
E confiam que seu coração será sábio para aprender com esta experiência e para perdoar...
Como dizia uma outra santa...
Tudo passa...
Só Deus não muda!

A Santa nos braços do povo




Irmã do mundo!
Abraço universal...
Doce Luz de um azul profundo!
Pulsando o Amor como um sinal!
Mãe dos pobres, anjo bom...
Em cada poro, em cada som!
Presença pousando serena em cada palavra, em cada silêncio, em cada sorriso agradecido, em cada olhar marejado...
Chamado...
Celebração...
Missão...
Na antiga fonte nova uma nova fonte de luz, amor e paz!
A Santa de Salvador...
A Santa do Salvador...
Do Salvador olhar que a tantos fitou e acolheu...
Tantos filhos seus...
Filhos de Deus!
Filhos que ela resgatou...
Filhos que ela salvou, amou, transformou...
Sob teu doce santo olhar as diferenças se rendem e tendem a se celebrar...
De novo nos braços do povo, anjo, mãe, irmã, cidadã atemporal de um planeta em crise, a Santa dos pobres resgata em cada um de nós os mais nobres sentimentos, as mais belas esperanças... De repente, numa noite de Domingo, em pleno dia do Senhor, a comunhão se faz e uma sensação de paz embala os corações!
Ave Santa Irmã Dulce!
Salve anjo bom do Amor!

domingo, 13 de outubro de 2019

Aos talentos de Osmar Silva (Em sua pequena Capela Sistina)















Cada traço é um passo na "via-crucis" da Paixão!
Cada traço é um abraço nos caminhos do coração...
Dom colocado a serviço...
Talento multiplicado em entrega...
com o viço da fé cega na simples ação...
Cada cor escolhida, com a inspiração de um jardineiro que, aqui e ali, rega cada canto do jardim, pensando em acarinhar nossa visão...
Visão do Paraíso...
Jesus, feito homem, em Vida! Resumo da história de um Deus que se faz irmão!
O Espírito de Deus soprando....
Cada quadro, no esquadro da inspiração...
A arte fazendo sua parte para trazer ainda mais beleza à Casa da mesa e do Pão!
No altar da partilha, ainda que em família, formas e cores ornam o entorno do altar do Senhor...
Revelando que Ser Igreja bem mais importante que estar na igreja!
Simples mente!
Descomplicada mente!
Um presente da criação!

Cacos colados pelo Amor




Devagar com a louça, que irmão é pra isso mesmo!
Se o armário desabou e transformou em "cacarecos" um bando de xícaras, pires, copos e pratos, nossa família não ia deixar barato esta pequena provocação da vida...
E já que vida encasquetou de enviar uma mensagem esquisita, através de um post na base do susto, nós traduzimos direitinho e sem custo: era tempo de renovar as coisas!
Pra isto servem os amigos e os irmãos...
Pra transformar cada caquinho de xícara em carinho, cada pedaço de prato em abraço transfigurar as lembranças antigas em resplandescentes momentos futuros!
Todos inesquecíveis, sem sombra de dúvidas!
Então, irmãos queridos, escancarem os armários do coração e recebam com muita alegria nosso bem querer, nossa admiração, nossa amizade, nossa gratidão e nosso amor na forma destas novas peças que, desejamos do fundo dos nossos corações, tragam ainda mais felicidade, bênçãos e graças em suas vidas!
Com o tempo algumas delas se quebrarão, como toda matéria da vida!
Assim como as peças antigas que hoje substituem, o que importa de verdade é o significado que tinham, têm e terão... Lembranças de momentos felizes, em família, momentos de partilha, de alimento, sustento, troca, diálogo e afeição!
Vai um pouquinho de nós em cada uma dessas novas peças...refletindo a importância que vocês têm na vida de cada um de nós!
Litros de alegrias com café...
Quilos de bem querer no pão!
Sucos de esperança e fé!
Fatias de paz e oração!
E que a cada dia a mesa vire altar e a vida celebração!

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Uma Geração de Gepetos



Criamos nossos filhos à nossa imagem. Talvez seguindo o exemplo de quem nos criou.
Cuidadosamente vamos talhando neles  tudo o que julgamos ser o melhor. Mas raramente nos perguntamos:
- Melhor pra quem mesmo?
Se parássemos para nos fazer e depois responder conscientemente esta pergunta, provavelmente nos depararíamos com uma resposta que iria nos doer:
- Com certeza, melhor para nós...
Somos uma geração que segue padrões, que se afunda em suas bolhas sociais e, como o velho
marceneiro da história de Pinóquio, vai vivendo de ilusões à espera de uma fada azul para dar vida à própria vida...
Somos uma geração de pais com preguiça de educar, sem coragem para fazer diferente, com medo da negação, com horror à simples possibilidade de nosssos filhos se frustrarem, ficamos velhos antes da nossa própria geração..Nos transformamos em avós, sem termos sido pais de verdade... Somos uma geração de Gepetos...aceitamos criar nossos filhos num mundo de mentiras, de faz de contas, numa imensa e submissa fábula virtual que ainda se chama vida...
Nos negamos a enxergar o nariz de nossos filhos crescendo, aceitamos ser enganados, aceitamos virar piada, aceitamos ser desrespeitados, aceitamos a inversão de valores, fugimos do conflito de gerações, aceitamos estar o tempo inteiro errados diante de uma impositiva opinião...
Como Gepetos coitados, não nos preparamos para nossas criações darem errado...
- Como assim? Isso não é possível!
E assim detonamos a autoridade do professor, colocamos em risco de extinção a disciplina num lar, abraçamos a televisão e o computador e deixamos de lado o diálogo e as brincadeiras de família... Enquanto nossos filhos se divertem no seu mundinho virtual, alguns de nós esqueceram até da preocupação tão natural nos pais... E o mundo foi ficando muito chato, sem este adorável e íntimo humor...
Para a geração do politicamente correto, não passamos de estranhos seres que lhe garante o teto, apenas isso. Pais e mães vivendo em conflito por causa dos "gritos a favor" da ideologia de gênero e outros mitos, centenas de mitos nas prateleiras virtuais ao seu dispor...
E a geração de Gepetos, calada, cansada, estupefata diante de tudo isso, senta em seus bancos de madeira, sem saber como agir e se acovarda, na soberba de um pseudo-amor pelos filhos que tudo justifica, tudo releva, tudo evita...
Diante dos próprios espelhos os Gepetos olham assustados para suas rugas precoces e, entre pigarros e tosses, não se fazem de rogados e continuam tentando...Tentam se adaptar, tentam se enganar, tentam se justificar...E o tempo vai passando!
Pais heróis só existem depois que morrem...E olhe lá...
Os heróis estão nas séries ou então nos fora de série que lutam contra a vida, mas defendem as minorias...Vilão hoje em dia é pai ou mãe, padrinho ou tia, que cai na armadilha de ousar trilhar os
caminhos da educação...
Sem forçação, com eles não!
A palmada virou crime, a bronca virou assédio moral, a verdade virou alienação parental...
Uau!
E os pobres Gepetos, no final, vão percebendo que eles é que estão se transformando em vegetais...suas raízes ficaram fracas... seus galhos não se sustentam... seus frutos tomaram conta do quintal...
Dia desses virão e transformarão os pobres velhinhos em vassouras, colocarão atrás da porta como um sinal...os incomodados que se retirem...Já deu! Passou...Pinóquio agora é o tal!

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Santa Dulce dos Pobres e os milagres das inspirações


 



Ela já nasceu com nome de duas santas: Maria, mãe de Cristo e da Igreja, senhora da entrega e do sim e Rita, a Santa da paciência e abnegação. Maria Rita Lopes Pontes, no entanto, preferiu o nome de Dulce e adotou o título de irmã!

Neste outubro em que a Igreja, a Bahia, o Brasil e o mundo celebram sua canonização, a vida da Santa Dulce dos pobres ganha novos capítulos para nossa reflexão e meditação...

Muito mais importante que as imagens, camisas, terços, agendas e demais souvenirs que com certeza se multiplicarão a partir deste outono, é que se multipliquem aqueles que conheçam e se dediquem de alguma forma à obra social  deixada por ela. Muito mais importante que o título de santidade em si é que o exemplo que ela deixou, ao olhar para quem ninguém mais olha, continue inspirando outras tantas pessoas a abraçar o seu legado! Muito mais importantes que os dois milagres que contribuíram para a sua canonização, são os milagres diários que continuam ocorrendo para que o Hospital
Santo Antônio e suas obras sociais continuem de portas abertas atendendo àqueles que não tem mais a quem recorrer...

Neste Outubro abençoado, Irmã Dulce não se transfigura em santa sozinha...Com ela estão sendo canonizados milhares de anônimos santos voluntários que já partiram para o andar de cima e deixaram profundos testemunhos de amor ao próximo e dedicação ao serviço generoso nesta obra divina! (Lembro aqui de Dulcinha, Tia Anna e Tio Levy entre tantos!)

Como Maria, Santa Dulce foi mãe, foi sim, foi cuidado, foi carinho, foi aceitação, foi serviço, foi fiel, foi confiante, foi cheia de graça enquanto habitou entre nós! Como Rita, foi paciente, abnegada, orante, misericordiosa, determinada e caridosa! Da invasão do galinheiro às visitas do papa, A Santa Irmã foi muitas vezes testada, provada, enquanto religiosa cristã!Foi caluniada, perseguida, maltratada, usada, desprezada e ignorada pelos poderosos de plantão...Por alguns deles também foi respeitada e ajudada...Mas acima de tudo, foi, é e continuará a ser amada pelo povo que abrigou no coração!

Neste outubro, além da devoção à Santa dos Pobres, além da celebração de sua canonização, além da festa, da cerimônia, dos rituais, das missas, que tal abraçar a irmã pobreza a quem ela tanto acudia? Que tal acolher a irmã miséria, a quem ela tanto compreendia? Que tal aconchegar a irmã ignorância, a quem ela tanto ensinava? Que tal abrigar a irmã revolta, a quem ela tanto sossegava? Que tal, você, do seu jeito, voltar para o mais necessitado seu olhar de Dulce e fazer a diferença na vida de alguém? Que tal você se desalojar do conforto da sua vida e aceitar a missão de ser "Dulce" para um semelhante? Não precisa largar tudo, não precisa ir tão fundo, como, por exemplo, fez a outra Maria Rita, sua sobrinha e substituta que, com vocação e carisma bem diferentes da tia querida, abraçou a OSID e tem colocado ali seu talento, seu conhecimento e sua vida, trazendo profissionalismo e organização e mantendo o Amor ao próximo como princípio de tudo. Não, não  é preciso tanto... Basta um gesto, uma mudança em sua rotina, alguns momentos dedicados a alguém que talvez nunca saberá seu nome...A simples decisão de espalhar o bem, sem olhar a quem...

No fundo de meu coração, sinto que esta multiplicação de fraternidade, esta epidemia de solidariedade, este carnaval de generosidade trariam muito mais alegria ao coração da Santa dos Pobres do que qualquer título, homenagem ou monumento em sua memória!

Tive o privilégio de estar com Irmã Dulce três vezes... Em duas delas contemplei seu silencioso e profundo carinho para com os mais carentes...Na outra, pedi ajuda sobre como ajudar na evangelização das suas crianças de Simões Filho, num serviço ao qual nos dispomos na época.  A primeira coisa que ela disse:
- "Não falem logo de Deus para eles... Eles são filhos da revolta, da desconfiança... Joguem futebol, volei, brinquem com eles, ganhem sua amizade...É pelo bem querer de vocês que eles sentirão Deus em suas vidas!"

Com o coração cheio de alegria e gratidão, junto minha voz a tantas vozes para louvar a vida da primeira santa brasileira!

Longe de não valorizar este momento, que tenho certeza inspirará muita gente no Caminho, na Verdade e na Vida,apenas aceno com estas palavras para o que considero essencial nesta linda história de Amor!




terça-feira, 8 de outubro de 2019

Compor...



Dom de transformar
Vida em canção
Som pra se inspirar
Luz de violão....

Tom de aconchegar
Paz de oração
Bom de se escutar
Canta o coração...

Toda Graça
Traduzida em harmonia
Todo sonho
Revelado num refrão
A palavra
Dando a mão à melodia
No silêncio
A arte é pura gratidão

Coração em brasa



Meu coração está em brasa
Meu coração é tua casa
Tua presença dá asas
presente do Amor em mim!

Na tua paz eu repouso
O Espírito pousa em mim
jardim de um Deus amoroso
Amor que nunca tem fim!

Meu coração está em festa
Meu coração, tua morada...
Tua palavra me guarda
palavra de Deus em mim!

Na minha fé eu espero...
Na oração me renovo
na dor não me desespero...
no pão te provo, enfim!

Meu coração se ilumina
Meu coração silencia
Teu Evangelho me anima
Paz e alegria em mim!

sábado, 5 de outubro de 2019

Lições de São Francisco


Quando numa tarde ensolarada Ele finalmente compreendeu que não lhe cabia tirar o cisco dos outros olhos, pôde finalmente se deitar no colo da irmã santidade e regar o solo de seus pensamentos com o tempo que havia perdido, consumido na ira santa de seus argumentos...
Não lhe pertencia nenhum convencimento... Sua pobreza era a "mais valia" de seu sustento... Num
instante de melancolia, permitiu-se se fartar de vento... Um prazer que seu rosto não sentia havia tempo.. E então sentiu novamente no ar o perfume da liberdade... E os pássaros voltaram a pousar sobre Ele...E ele se sentiu flutuar... E eles voltaram a cantar... E Ele os acompanhou entre assobios... E neste instante Deus sorriu e chorou, num arrepio!

O LIVRO DOS ESTIGMAS



E quando chegou o tempo em que nem discutir ideias era uma opção, percebendo que sua voz não ecoava mais nos corações que lhe importavam, Ele foi lentamente desaparecendo de suas vidas...
Contemplando os vagalhões do tempo, visitando o próprio templo, vagando entre os suntuosos castelos de seus sonhos e os terrenos baldios das suas esperanças, Ele foi se recolhendo e abraçando sua própria insignificância... e, entre andrajos, abraçou a irmã tolerância e se deixou estar...
Estava claro que existia uma guerra silenciosa acontecendo sem declarações prévias...
Revoluções tramadas aparentemente sem motivos...
Pessoas armadas... Garras e presas selvagemente afiadas ao seu redor... por pessoas amadas...
Intuiu que o melhor a fazer por elas era acostumá-las à sua ausência...
Compreendeu aí o valor do silêncio...
E se pôs em retiro...
Procurou uma rede para embalar sua solidão e não encontrou...
Então Ele sentiu sede, frio e dor...
Ninguém havia entendido nada, Senhor?
Nada sobre este Amor?
E silenciosamente abraçou sua cruz e com ela chorou!
E segurou seu cálice...
E numa mesa de lar, tomou um trago de poesia...
E se deixou ficar...
na alegria da sua dor"

São Francisco



"Ninguém notou seu silêncio...sua presença passou quase despercebida... e era justamente isso que Ele queria...estar em paz...sentindo a graça em seu coração...,nada mais! Sua prece em elevação...contemplação...escuta... no ritmo da respiração... no tempo do seu coração...
Ninguém notou sua entrega... seu alumbramento...tanta gente cega em seus próprios sofrimentos... gente que não rega mais seus sentimentos...apenas se carrega de mil pensamentos...
Ninguém percebeu sua dor...Ninguém se tocou para sua tristeza... Todo mundo tão preocupado em mostrar valor...todo mundo tão isolado  em suas verdades e seus julgamentos...
Ele era só mas um velho, isolado, cego, esquecido em sua caverna... carregando em si os estigmas do Mestre...E de amar tanto...Francisco se tornou santo!"

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Pequena notável!



A desengonçada criança, que vivia se "estabocando" nos fins de semana do Encontro, cresceu!
E encontrou seu ponto de equilíbrio em sua dança com a vida! E se tornou ponto de equilíbrio em sua família... Maravilha!!!
No exílio de sua formação profissional precisou enfrentar seus fantasmas... e venceu!
Nossa Bia, tão querida...
Abraçando a medicina e o amor, a baianinha mergulhou em sampa e se transfigurou!
Tornou-se resplandescente...forte... destemida...transparente...
Construiu um lar... e encarou com seu companheiro de aventura a dura rotina de aprendizes...
E assim a pequena se tornou gigante! E juntos, eles seguem felizes...
Diamantes a se lapidar!
Acelerada, responsável, pensante...
Cavaleira errante decidida a conquistar...
Bia é este rompante que pega tudo no ar!
Um buscar itinerante...
Um templo a se renovar...
Massa de modelar...
Brilhante!
Hoje é dia de Celebrar!!!!
Sua vida! Sua história! Seu caminho!
Sua verdade! Seu ninho!
Este seu "se jogar"!
Que Deus te abençoe e te guarde, sempre!
Te proteja e te ampare...
E regue seus melhores sonhos com seu sopro divino!
Parabéns, Dra. Albira, pelo pequeno notável grande ser humano que vc está embalando dentro de você!
Aproveite seu tempo!
Celebre sua vida!

Parábola sobre desencontros



Foi de repente...
Um simples romper de pacto...
E não havia mais cumplicidade entre eles...
Tudo o que restava era uma disputa por espaço...
Quem conseguiria falar mais alto?
Quem conseguiria escutar menos...
É verdade que já haviam sinais claros de uma hostilidade sem porquê..
No reino das mulheres, ele era apenas uma carta fora do baralho...
Seu coração doeu mais forte pela segunda vez naquela semana...
Os desencontros se multiplicavam...
Só uma coisa não estava clara...
Por que permaneciam com ele?
Havia chegado a estação dele se exilar nos labirintos do silêncio...
E foi o que ele simplesmente resolveu fazer...
Partiu quietude...

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Francisco em êxtase....(contemplando a presença de um irmão querido nesta magnífica obra de arte! Gratidão irmão Valente! Sua generosidade nos faz voar junto com São Francisco,,,)


Francisco, em êxtase,
no apogeu do seu caminho,
eleva-se, leve,
cego, doente, sozinho...
Sua caverna se abre
seus andrajos se rasgam
sua carne se desfaz,
e enquanto canta a sua alma...
seu espírito se refaz!
Francisco flutua
entre sorrisos breves
abraçando irmãos espinhos
se tornando, ele, ninho...
galho de árvore para
os passarinhos...
que lhe emprestam asas
e nele se sentem em casa...
Sua dor eles espantam...
enquanto cantam,
Francisco chora...
Francisco ora...
será chegada a hora
de abraçar o seu Senhor?
Uma luz estranha...
que invade as entranhas
do instrumento
 da Vossa paz...
Oh Mestre...
eu não sou digno
de que entreis em
minha morada...
Mas Tu vens
e iluminas 
a minha caverna...
Essa luz tão Clara,
é tão amada...
me sopra que a morte 
não é nada...
mas é morrendo
que se vive
para a vida eterna!
Francisco levita,
se santifica,
asas abertas
seu corpo se liberta!
No mais profundo
aconchego
dos braços do seu Senhor
ele abandona
seu último apego
e se torna pleno
no Amor!






Pequena parábola sobre desgostos...



- Menino chato!
Ela gritou...
E o coração dele foi se quebrando em pedaços, como uma camada de gelo fina se partindo e engolindo tudo ao seu redor com um súbito frio, um gélido calafrio, transformado em silêncio sem eco no espaço... Algo surreal...Como aquela animação em que a caça pela noz fazia terminar a era glacial...
Naturalmente não deveria ser nada importante o que aquele pai teria a dizer a sua filha...Melhor mesmo mantê-lo distante... Tanta coisa pra ela tem pra fazer!
-Menino chato...menino chato...menino chato...
A dor daquele pai ecoando solitária em sua mente, bravamente repetida em seu coração, sangrando de repente...Em sua consciência, nada que justificasse tamanha distância, intensa agressividade...de volta à idade média, que tal uma sangria?
Calmamente ele foi se retirando...se afastando daquele momento de espinhos...
Já sozinho, pegou um pote de poesia e passou em suas feridas...a tristeza foi cicatrizando....assim é a vida...a cruz entre louvores e desacatos, entre ramos e crucifiquem-no!
- Menino chato... menino chato...
A voz que antes o aclamava e que o chamava e com ele brincava e partilhava as descobertas da vida, agora simplesmente o rejeitava...
- Menino chato!
Diante do destrato, a concretude das lições aprendidas, o abstrato dos mistérios da vida...além de qualquer substrato...
Oh Mestre... fazei que eu procure mais....
Como filho, olhou pro Céu e agradeceu mais um dia...
Como pai, olhou pra Terra e compreendeu o que se esvaía...
Como espírito, se deixou estar...
E ofereceu seu tempo de agonia...
Murmure palavras sábias....
- Deixe estar...
Quando este tempo passar, só o Amor ficará!
E ele,ah, ele com certeza jamais desistiria de amar!

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Doritos



Eleita,
escolhida,
companheira
de uma vida...
Presença
querida...
sentida...
acolhedora...
amiga,
namorada,
mulher
que a vida doura...
Fonte de tanta
poesia...
Ponte de tanta
alegria...
Esposa...
Maria...
Auxiliadora!

O Sumo de um poema...



Lapidando
as arestas
do sopro
de inspiração
que nos resta
no fim deste dia
que vai...
será que adivinho
a poesia
que fala da floresta
e de uma cachoeira
onde a luz encontra frestas
e uma lágrima cai?
quanto tempo
ainda se presta?
quanta vida
de um poema
se extrai?

Irmão sonho



Irmão...
Irmão sonho...
Não te percas por aí...
Preciso de ti...
dos teus conselhos...
Não acho ser necessário
ter que pedir...
Mas se for,
posso ficar de joelhos
ou te encontrar
num espelho,
seu olhar
a me medir...
Ou quem sabe
a sorrir
no travesseiro
pouco antes
de eu dormir...
Irmão...
Irmão sonho...
Não me percas por aí...
Entre pesadelos
medonhos,
daqueles
capazes de nos ferir...
Não...
Melhor ficar por aqui!
E apenas velar meu sono...
pra me fazer prosseguir...

Diálogo com o tempo....



Tempo
me dê um minuto
do seu tempo,
um momento
de atenção
pra expressar
o sentimento
que vem de uma
inspiração
que chegou
ao pensamento...
Dá um tempo...
antes que
deixes de ser hoje
e te transformes
em amanhã...
para, descansa,
pousa, no mistério
daquilo que
um poeta
pode calar
na manhã...

Liberdades



Meia hora
para cinco poemas...
Qual o problema,
dona das horas?
Não há dilema,
não sei por que chora...
Poesias não são
teoremas,
nem precisam
de esporas
pra se ajustar
aos sistemas...
São livres...
como aquele
beija flor
que adora
amoras...

Paródia de oração



Não,
não nos deixeis
cair no não perdão...
mas livrai-nos
de nos sentir os tais...

Amém!

Não julgueis



Não, não me julgue...
Não me condene
à vastidão do seu juízo...
Sou pequeno demais
para trazer
qualquer prejuízo
para sua paz...
Isso só será possível
se você permitir...
Não, não me condene...
Não me julgue,
não vale a pena...
É tão mais leal
sair de cena...
Tão mais legal...
Tão mais real...
Tão mais divinal...
E ao mesmo tempo
tão mais humano...
permitir alguém
deixar o tribunal...
fazer novos planos
não perder-se nos danos
de uma vida marginal...
Não, não se condene
ao me julgar
voce pode cometer
um engano...
e nunca mais
se perdoar...

Pura nostalgia...



Hora!
O agora
urge!
Ora,
logo mais
uma outra
aurora
trará
um outubro
apressado,
escutando
o chamado
de um setembro
que já finda...
Saudade
linda
que vai
se deitando,
ouvindo
o galope
de um novo dia...
De repente
tudo se resume
em contemplar
a luz de um vagalume
que passa
e nem sequer
disfarça...
seu piscar
é pura nostalgia!

Desapego



A luz
levemente
tremula,
chama
a escuridão,
enquanto
as sombras
dançam
nas paredes
escuras
degustando
seu pequeno
clarão...
Uma voz
docemente
sussurra,
clama
uma oração
enquanto
a vida
mostra sua
face mais dura
na coreografia
da desilusão...
um pequeno
eco de toda
a criação
une-se,
de repente,
à luz e
à voz...
Enquanto
absolutamente
desapegados,
sonhamos livres
entre os lençóis...