domingo, 13 de outubro de 2019

Aos talentos de Osmar Silva (Em sua pequena Capela Sistina)















Cada traço é um passo na "via-crucis" da Paixão!
Cada traço é um abraço nos caminhos do coração...
Dom colocado a serviço...
Talento multiplicado em entrega...
com o viço da fé cega na simples ação...
Cada cor escolhida, com a inspiração de um jardineiro que, aqui e ali, rega cada canto do jardim, pensando em acarinhar nossa visão...
Visão do Paraíso...
Jesus, feito homem, em Vida! Resumo da história de um Deus que se faz irmão!
O Espírito de Deus soprando....
Cada quadro, no esquadro da inspiração...
A arte fazendo sua parte para trazer ainda mais beleza à Casa da mesa e do Pão!
No altar da partilha, ainda que em família, formas e cores ornam o entorno do altar do Senhor...
Revelando que Ser Igreja bem mais importante que estar na igreja!
Simples mente!
Descomplicada mente!
Um presente da criação!

Cacos colados pelo Amor




Devagar com a louça, que irmão é pra isso mesmo!
Se o armário desabou e transformou em "cacarecos" um bando de xícaras, pires, copos e pratos, nossa família não ia deixar barato esta pequena provocação da vida...
E já que vida encasquetou de enviar uma mensagem esquisita, através de um post na base do susto, nós traduzimos direitinho e sem custo: era tempo de renovar as coisas!
Pra isto servem os amigos e os irmãos...
Pra transformar cada caquinho de xícara em carinho, cada pedaço de prato em abraço transfigurar as lembranças antigas em resplandescentes momentos futuros!
Todos inesquecíveis, sem sombra de dúvidas!
Então, irmãos queridos, escancarem os armários do coração e recebam com muita alegria nosso bem querer, nossa admiração, nossa amizade, nossa gratidão e nosso amor na forma destas novas peças que, desejamos do fundo dos nossos corações, tragam ainda mais felicidade, bênçãos e graças em suas vidas!
Com o tempo algumas delas se quebrarão, como toda matéria da vida!
Assim como as peças antigas que hoje substituem, o que importa de verdade é o significado que tinham, têm e terão... Lembranças de momentos felizes, em família, momentos de partilha, de alimento, sustento, troca, diálogo e afeição!
Vai um pouquinho de nós em cada uma dessas novas peças...refletindo a importância que vocês têm na vida de cada um de nós!
Litros de alegrias com café...
Quilos de bem querer no pão!
Sucos de esperança e fé!
Fatias de paz e oração!
E que a cada dia a mesa vire altar e a vida celebração!

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Uma Geração de Gepetos



Criamos nossos filhos à nossa imagem. Talvez seguindo o exemplo de quem nos criou.
Cuidadosamente vamos talhando neles  tudo o que julgamos ser o melhor. Mas raramente nos perguntamos:
- Melhor pra quem mesmo?
Se parássemos para nos fazer e depois responder conscientemente esta pergunta, provavelmente nos depararíamos com uma resposta que iria nos doer:
- Com certeza, melhor para nós...
Somos uma geração que segue padrões, que se afunda em suas bolhas sociais e, como o velho
marceneiro da história de Pinóquio, vai vivendo de ilusões à espera de uma fada azul para dar vida à própria vida...
Somos uma geração de pais com preguiça de educar, sem coragem para fazer diferente, com medo da negação, com horror à simples possibilidade de nosssos filhos se frustrarem, ficamos velhos antes da nossa própria geração..Nos transformamos em avós, sem termos sido pais de verdade... Somos uma geração de Gepetos...aceitamos criar nossos filhos num mundo de mentiras, de faz de contas, numa imensa e submissa fábula virtual que ainda se chama vida...
Nos negamos a enxergar o nariz de nossos filhos crescendo, aceitamos ser enganados, aceitamos virar piada, aceitamos ser desrespeitados, aceitamos a inversão de valores, fugimos do conflito de gerações, aceitamos estar o tempo inteiro errados diante de uma impositiva opinião...
Como Gepetos coitados, não nos preparamos para nossas criações darem errado...
- Como assim? Isso não é possível!
E assim detonamos a autoridade do professor, colocamos em risco de extinção a disciplina num lar, abraçamos a televisão e o computador e deixamos de lado o diálogo e as brincadeiras de família... Enquanto nossos filhos se divertem no seu mundinho virtual, alguns de nós esqueceram até da preocupação tão natural nos pais... E o mundo foi ficando muito chato, sem este adorável e íntimo humor...
Para a geração do politicamente correto, não passamos de estranhos seres que lhe garante o teto, apenas isso. Pais e mães vivendo em conflito por causa dos "gritos a favor" da ideologia de gênero e outros mitos, centenas de mitos nas prateleiras virtuais ao seu dispor...
E a geração de Gepetos, calada, cansada, estupefata diante de tudo isso, senta em seus bancos de madeira, sem saber como agir e se acovarda, na soberba de um pseudo-amor pelos filhos que tudo justifica, tudo releva, tudo evita...
Diante dos próprios espelhos os Gepetos olham assustados para suas rugas precoces e, entre pigarros e tosses, não se fazem de rogados e continuam tentando...Tentam se adaptar, tentam se enganar, tentam se justificar...E o tempo vai passando!
Pais heróis só existem depois que morrem...E olhe lá...
Os heróis estão nas séries ou então nos fora de série que lutam contra a vida, mas defendem as minorias...Vilão hoje em dia é pai ou mãe, padrinho ou tia, que cai na armadilha de ousar trilhar os
caminhos da educação...
Sem forçação, com eles não!
A palmada virou crime, a bronca virou assédio moral, a verdade virou alienação parental...
Uau!
E os pobres Gepetos, no final, vão percebendo que eles é que estão se transformando em vegetais...suas raízes ficaram fracas... seus galhos não se sustentam... seus frutos tomaram conta do quintal...
Dia desses virão e transformarão os pobres velhinhos em vassouras, colocarão atrás da porta como um sinal...os incomodados que se retirem...Já deu! Passou...Pinóquio agora é o tal!

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Santa Dulce dos Pobres e os milagres das inspirações


 



Ela já nasceu com nome de duas santas: Maria, mãe de Cristo e da Igreja, senhora da entrega e do sim e Rita, a Santa da paciência e abnegação. Maria Rita Lopes Pontes, no entanto, preferiu o nome de Dulce e adotou o título de irmã!

Neste outubro em que a Igreja, a Bahia, o Brasil e o mundo celebram sua canonização, a vida da Santa Dulce dos pobres ganha novos capítulos para nossa reflexão e meditação...

Muito mais importante que as imagens, camisas, terços, agendas e demais souvenirs que com certeza se multiplicarão a partir deste outono, é que se multipliquem aqueles que conheçam e se dediquem de alguma forma à obra social  deixada por ela. Muito mais importante que o título de santidade em si é que o exemplo que ela deixou, ao olhar para quem ninguém mais olha, continue inspirando outras tantas pessoas a abraçar o seu legado! Muito mais importantes que os dois milagres que contribuíram para a sua canonização, são os milagres diários que continuam ocorrendo para que o Hospital
Santo Antônio e suas obras sociais continuem de portas abertas atendendo àqueles que não tem mais a quem recorrer...

Neste Outubro abençoado, Irmã Dulce não se transfigura em santa sozinha...Com ela estão sendo canonizados milhares de anônimos santos voluntários que já partiram para o andar de cima e deixaram profundos testemunhos de amor ao próximo e dedicação ao serviço generoso nesta obra divina! (Lembro aqui de Dulcinha, Tia Anna e Tio Levy entre tantos!)

Como Maria, Santa Dulce foi mãe, foi sim, foi cuidado, foi carinho, foi aceitação, foi serviço, foi fiel, foi confiante, foi cheia de graça enquanto habitou entre nós! Como Rita, foi paciente, abnegada, orante, misericordiosa, determinada e caridosa! Da invasão do galinheiro às visitas do papa, A Santa Irmã foi muitas vezes testada, provada, enquanto religiosa cristã!Foi caluniada, perseguida, maltratada, usada, desprezada e ignorada pelos poderosos de plantão...Por alguns deles também foi respeitada e ajudada...Mas acima de tudo, foi, é e continuará a ser amada pelo povo que abrigou no coração!

Neste outubro, além da devoção à Santa dos Pobres, além da celebração de sua canonização, além da festa, da cerimônia, dos rituais, das missas, que tal abraçar a irmã pobreza a quem ela tanto acudia? Que tal acolher a irmã miséria, a quem ela tanto compreendia? Que tal aconchegar a irmã ignorância, a quem ela tanto ensinava? Que tal abrigar a irmã revolta, a quem ela tanto sossegava? Que tal, você, do seu jeito, voltar para o mais necessitado seu olhar de Dulce e fazer a diferença na vida de alguém? Que tal você se desalojar do conforto da sua vida e aceitar a missão de ser "Dulce" para um semelhante? Não precisa largar tudo, não precisa ir tão fundo, como, por exemplo, fez a outra Maria Rita, sua sobrinha e substituta que, com vocação e carisma bem diferentes da tia querida, abraçou a OSID e tem colocado ali seu talento, seu conhecimento e sua vida, trazendo profissionalismo e organização e mantendo o Amor ao próximo como princípio de tudo. Não, não  é preciso tanto... Basta um gesto, uma mudança em sua rotina, alguns momentos dedicados a alguém que talvez nunca saberá seu nome...A simples decisão de espalhar o bem, sem olhar a quem...

No fundo de meu coração, sinto que esta multiplicação de fraternidade, esta epidemia de solidariedade, este carnaval de generosidade trariam muito mais alegria ao coração da Santa dos Pobres do que qualquer título, homenagem ou monumento em sua memória!

Tive o privilégio de estar com Irmã Dulce três vezes... Em duas delas contemplei seu silencioso e profundo carinho para com os mais carentes...Na outra, pedi ajuda sobre como ajudar na evangelização das suas crianças de Simões Filho, num serviço ao qual nos dispomos na época.  A primeira coisa que ela disse:
- "Não falem logo de Deus para eles... Eles são filhos da revolta, da desconfiança... Joguem futebol, volei, brinquem com eles, ganhem sua amizade...É pelo bem querer de vocês que eles sentirão Deus em suas vidas!"

Com o coração cheio de alegria e gratidão, junto minha voz a tantas vozes para louvar a vida da primeira santa brasileira!

Longe de não valorizar este momento, que tenho certeza inspirará muita gente no Caminho, na Verdade e na Vida,apenas aceno com estas palavras para o que considero essencial nesta linda história de Amor!




terça-feira, 8 de outubro de 2019

Compor...



Dom de transformar
Vida em canção
Som pra se inspirar
Luz de violão....

Tom de aconchegar
Paz de oração
Bom de se escutar
Canta o coração...

Toda Graça
Traduzida em harmonia
Todo sonho
Revelado num refrão
A palavra
Dando a mão à melodia
No silêncio
A arte é pura gratidão

Coração em brasa



Meu coração está em brasa
Meu coração é tua casa
Tua presença dá asas
presente do Amor em mim!

Na tua paz eu repouso
O Espírito pousa em mim
jardim de um Deus amoroso
Amor que nunca tem fim!

Meu coração está em festa
Meu coração, tua morada...
Tua palavra me guarda
palavra de Deus em mim!

Na minha fé eu espero...
Na oração me renovo
na dor não me desespero...
no pão te provo, enfim!

Meu coração se ilumina
Meu coração silencia
Teu Evangelho me anima
Paz e alegria em mim!

sábado, 5 de outubro de 2019

Lições de São Francisco


Quando numa tarde ensolarada Ele finalmente compreendeu que não lhe cabia tirar o cisco dos outros olhos, pôde finalmente se deitar no colo da irmã santidade e regar o solo de seus pensamentos com o tempo que havia perdido, consumido na ira santa de seus argumentos...
Não lhe pertencia nenhum convencimento... Sua pobreza era a "mais valia" de seu sustento... Num
instante de melancolia, permitiu-se se fartar de vento... Um prazer que seu rosto não sentia havia tempo.. E então sentiu novamente no ar o perfume da liberdade... E os pássaros voltaram a pousar sobre Ele...E ele se sentiu flutuar... E eles voltaram a cantar... E Ele os acompanhou entre assobios... E neste instante Deus sorriu e chorou, num arrepio!

O LIVRO DOS ESTIGMAS



E quando chegou o tempo em que nem discutir ideias era uma opção, percebendo que sua voz não ecoava mais nos corações que lhe importavam, Ele foi lentamente desaparecendo de suas vidas...
Contemplando os vagalhões do tempo, visitando o próprio templo, vagando entre os suntuosos castelos de seus sonhos e os terrenos baldios das suas esperanças, Ele foi se recolhendo e abraçando sua própria insignificância... e, entre andrajos, abraçou a irmã tolerância e se deixou estar...
Estava claro que existia uma guerra silenciosa acontecendo sem declarações prévias...
Revoluções tramadas aparentemente sem motivos...
Pessoas armadas... Garras e presas selvagemente afiadas ao seu redor... por pessoas amadas...
Intuiu que o melhor a fazer por elas era acostumá-las à sua ausência...
Compreendeu aí o valor do silêncio...
E se pôs em retiro...
Procurou uma rede para embalar sua solidão e não encontrou...
Então Ele sentiu sede, frio e dor...
Ninguém havia entendido nada, Senhor?
Nada sobre este Amor?
E silenciosamente abraçou sua cruz e com ela chorou!
E segurou seu cálice...
E numa mesa de lar, tomou um trago de poesia...
E se deixou ficar...
na alegria da sua dor"

São Francisco



"Ninguém notou seu silêncio...sua presença passou quase despercebida... e era justamente isso que Ele queria...estar em paz...sentindo a graça em seu coração...,nada mais! Sua prece em elevação...contemplação...escuta... no ritmo da respiração... no tempo do seu coração...
Ninguém notou sua entrega... seu alumbramento...tanta gente cega em seus próprios sofrimentos... gente que não rega mais seus sentimentos...apenas se carrega de mil pensamentos...
Ninguém percebeu sua dor...Ninguém se tocou para sua tristeza... Todo mundo tão preocupado em mostrar valor...todo mundo tão isolado  em suas verdades e seus julgamentos...
Ele era só mas um velho, isolado, cego, esquecido em sua caverna... carregando em si os estigmas do Mestre...E de amar tanto...Francisco se tornou santo!"

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Pequena notável!



A desengonçada criança, que vivia se "estabocando" nos fins de semana do Encontro, cresceu!
E encontrou seu ponto de equilíbrio em sua dança com a vida! E se tornou ponto de equilíbrio em sua família... Maravilha!!!
No exílio de sua formação profissional precisou enfrentar seus fantasmas... e venceu!
Nossa Bia, tão querida...
Abraçando a medicina e o amor, a baianinha mergulhou em sampa e se transfigurou!
Tornou-se resplandescente...forte... destemida...transparente...
Construiu um lar... e encarou com seu companheiro de aventura a dura rotina de aprendizes...
E assim a pequena se tornou gigante! E juntos, eles seguem felizes...
Diamantes a se lapidar!
Acelerada, responsável, pensante...
Cavaleira errante decidida a conquistar...
Bia é este rompante que pega tudo no ar!
Um buscar itinerante...
Um templo a se renovar...
Massa de modelar...
Brilhante!
Hoje é dia de Celebrar!!!!
Sua vida! Sua história! Seu caminho!
Sua verdade! Seu ninho!
Este seu "se jogar"!
Que Deus te abençoe e te guarde, sempre!
Te proteja e te ampare...
E regue seus melhores sonhos com seu sopro divino!
Parabéns, Dra. Albira, pelo pequeno notável grande ser humano que vc está embalando dentro de você!
Aproveite seu tempo!
Celebre sua vida!

Parábola sobre desencontros



Foi de repente...
Um simples romper de pacto...
E não havia mais cumplicidade entre eles...
Tudo o que restava era uma disputa por espaço...
Quem conseguiria falar mais alto?
Quem conseguiria escutar menos...
É verdade que já haviam sinais claros de uma hostilidade sem porquê..
No reino das mulheres, ele era apenas uma carta fora do baralho...
Seu coração doeu mais forte pela segunda vez naquela semana...
Os desencontros se multiplicavam...
Só uma coisa não estava clara...
Por que permaneciam com ele?
Havia chegado a estação dele se exilar nos labirintos do silêncio...
E foi o que ele simplesmente resolveu fazer...
Partiu quietude...

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Francisco em êxtase....(contemplando a presença de um irmão querido nesta magnífica obra de arte! Gratidão irmão Valente! Sua generosidade nos faz voar junto com São Francisco,,,)


Francisco, em êxtase,
no apogeu do seu caminho,
eleva-se, leve,
cego, doente, sozinho...
Sua caverna se abre
seus andrajos se rasgam
sua carne se desfaz,
e enquanto canta a sua alma...
seu espírito se refaz!
Francisco flutua
entre sorrisos breves
abraçando irmãos espinhos
se tornando, ele, ninho...
galho de árvore para
os passarinhos...
que lhe emprestam asas
e nele se sentem em casa...
Sua dor eles espantam...
enquanto cantam,
Francisco chora...
Francisco ora...
será chegada a hora
de abraçar o seu Senhor?
Uma luz estranha...
que invade as entranhas
do instrumento
 da Vossa paz...
Oh Mestre...
eu não sou digno
de que entreis em
minha morada...
Mas Tu vens
e iluminas 
a minha caverna...
Essa luz tão Clara,
é tão amada...
me sopra que a morte 
não é nada...
mas é morrendo
que se vive
para a vida eterna!
Francisco levita,
se santifica,
asas abertas
seu corpo se liberta!
No mais profundo
aconchego
dos braços do seu Senhor
ele abandona
seu último apego
e se torna pleno
no Amor!






Pequena parábola sobre desgostos...



- Menino chato!
Ela gritou...
E o coração dele foi se quebrando em pedaços, como uma camada de gelo fina se partindo e engolindo tudo ao seu redor com um súbito frio, um gélido calafrio, transformado em silêncio sem eco no espaço... Algo surreal...Como aquela animação em que a caça pela noz fazia terminar a era glacial...
Naturalmente não deveria ser nada importante o que aquele pai teria a dizer a sua filha...Melhor mesmo mantê-lo distante... Tanta coisa pra ela tem pra fazer!
-Menino chato...menino chato...menino chato...
A dor daquele pai ecoando solitária em sua mente, bravamente repetida em seu coração, sangrando de repente...Em sua consciência, nada que justificasse tamanha distância, intensa agressividade...de volta à idade média, que tal uma sangria?
Calmamente ele foi se retirando...se afastando daquele momento de espinhos...
Já sozinho, pegou um pote de poesia e passou em suas feridas...a tristeza foi cicatrizando....assim é a vida...a cruz entre louvores e desacatos, entre ramos e crucifiquem-no!
- Menino chato... menino chato...
A voz que antes o aclamava e que o chamava e com ele brincava e partilhava as descobertas da vida, agora simplesmente o rejeitava...
- Menino chato!
Diante do destrato, a concretude das lições aprendidas, o abstrato dos mistérios da vida...além de qualquer substrato...
Oh Mestre... fazei que eu procure mais....
Como filho, olhou pro Céu e agradeceu mais um dia...
Como pai, olhou pra Terra e compreendeu o que se esvaía...
Como espírito, se deixou estar...
E ofereceu seu tempo de agonia...
Murmure palavras sábias....
- Deixe estar...
Quando este tempo passar, só o Amor ficará!
E ele,ah, ele com certeza jamais desistiria de amar!

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Doritos



Eleita,
escolhida,
companheira
de uma vida...
Presença
querida...
sentida...
acolhedora...
amiga,
namorada,
mulher
que a vida doura...
Fonte de tanta
poesia...
Ponte de tanta
alegria...
Esposa...
Maria...
Auxiliadora!

O Sumo de um poema...



Lapidando
as arestas
do sopro
de inspiração
que nos resta
no fim deste dia
que vai...
será que adivinho
a poesia
que fala da floresta
e de uma cachoeira
onde a luz encontra frestas
e uma lágrima cai?
quanto tempo
ainda se presta?
quanta vida
de um poema
se extrai?

Irmão sonho



Irmão...
Irmão sonho...
Não te percas por aí...
Preciso de ti...
dos teus conselhos...
Não acho ser necessário
ter que pedir...
Mas se for,
posso ficar de joelhos
ou te encontrar
num espelho,
seu olhar
a me medir...
Ou quem sabe
a sorrir
no travesseiro
pouco antes
de eu dormir...
Irmão...
Irmão sonho...
Não me percas por aí...
Entre pesadelos
medonhos,
daqueles
capazes de nos ferir...
Não...
Melhor ficar por aqui!
E apenas velar meu sono...
pra me fazer prosseguir...

Diálogo com o tempo....



Tempo
me dê um minuto
do seu tempo,
um momento
de atenção
pra expressar
o sentimento
que vem de uma
inspiração
que chegou
ao pensamento...
Dá um tempo...
antes que
deixes de ser hoje
e te transformes
em amanhã...
para, descansa,
pousa, no mistério
daquilo que
um poeta
pode calar
na manhã...

Liberdades



Meia hora
para cinco poemas...
Qual o problema,
dona das horas?
Não há dilema,
não sei por que chora...
Poesias não são
teoremas,
nem precisam
de esporas
pra se ajustar
aos sistemas...
São livres...
como aquele
beija flor
que adora
amoras...

Paródia de oração



Não,
não nos deixeis
cair no não perdão...
mas livrai-nos
de nos sentir os tais...

Amém!

Não julgueis



Não, não me julgue...
Não me condene
à vastidão do seu juízo...
Sou pequeno demais
para trazer
qualquer prejuízo
para sua paz...
Isso só será possível
se você permitir...
Não, não me condene...
Não me julgue,
não vale a pena...
É tão mais leal
sair de cena...
Tão mais legal...
Tão mais real...
Tão mais divinal...
E ao mesmo tempo
tão mais humano...
permitir alguém
deixar o tribunal...
fazer novos planos
não perder-se nos danos
de uma vida marginal...
Não, não se condene
ao me julgar
voce pode cometer
um engano...
e nunca mais
se perdoar...

Pura nostalgia...



Hora!
O agora
urge!
Ora,
logo mais
uma outra
aurora
trará
um outubro
apressado,
escutando
o chamado
de um setembro
que já finda...
Saudade
linda
que vai
se deitando,
ouvindo
o galope
de um novo dia...
De repente
tudo se resume
em contemplar
a luz de um vagalume
que passa
e nem sequer
disfarça...
seu piscar
é pura nostalgia!

Desapego



A luz
levemente
tremula,
chama
a escuridão,
enquanto
as sombras
dançam
nas paredes
escuras
degustando
seu pequeno
clarão...
Uma voz
docemente
sussurra,
clama
uma oração
enquanto
a vida
mostra sua
face mais dura
na coreografia
da desilusão...
um pequeno
eco de toda
a criação
une-se,
de repente,
à luz e
à voz...
Enquanto
absolutamente
desapegados,
sonhamos livres
entre os lençóis...

Dor de flor



Quantas cores
no mês das flores
falam das dores
de seus jardins?
Gérberas alaranjadas,
Girassóis avermelhados
pequeninas violetas
lírios amarelados...
Margaridas desfolhadas
Dálias despetaladas
Petúnias desbotadas
Graxas destinturadas...
Todas sedentas de chuva
Todas já murchas de mágoa
o caule lentamente se curva
enquanto a raiz busca água...
Quantas flores
no mês das cores
choram as dores
de seus jardins?
Quantas pétalas
no fim do dia
jazem inertes
exalando jasmin...

Conselho




Uma estrela
solitária...
junto à lua
lá no céu...
quem será
mais solidária?
quem fará
este papel?
enquanto
a noite
retira
seu véu...
uma cadente
imaginária
risca a janela
do quartel...
do outro lado
da candelária
uma decadente
estrela de bordel
ensina para uma
estagiária
que a vida
é um incansável
carrossel...

Doze....

Doze meses
Doze apóstolos
Doze tribos
Doze dias
Uma dúzia
de palavras
de bananas
de lichias
Doze ovos
doze falas
Doze ciganas
para ler
uma só mão...
Doze linhas
numa palma
Doze vinhas
numa alma....
Doze planetas
doze cometas
Doze estrelas
Doze anões vermelhas...
Doze plantas, doze vasos...
E ainda faltam
doze poemas
pra eu sair do atrazo...

Presente



O tempo tem passado bem depressa...
o tempo tem passado bem...
o tempo tem passado...
o tempo tem....
o tempo...
quanto tempo o tempo tem?
quanto tempo o tempo tem passado...
quanto tempo o tempo tem passado bem?
bem...
o passado, quanto tempo tem?
e o futuro, tem tempo pra quem? 
o presente é o tempo do chamado...
mas o tempo é um chamado de quem? 

A seguir...



Fato ou falso?
Notícia ou boato?
Qual o próximo ato?
Quem pisará no cadafalso?
Quem fará o próximo discurso?
Quem mudará a verdade em curso?
Quem será o próximo eleito?
Qual será seu pior defeito?
Falso ou verdadeiro?
Solitário ou companheiro?
Altruísta ou sorrateiro?
Realista ou aventureiro?
Qual o próximo voto?
Fanatismo de devoto?
Mimetismo de Discípulos?
A seguir cenas
dos próximos
capítulos...

Nada como um dia após o outro...



Anteontem
vida festejada
ontem
vida celebrada
hoje
vida trabalhada
amanhã
ninguém pode afirmar nada!

Correr contra o tempo


Correr 
contra 
o tempo
correr
mesmo
com o
tempo
contra
mesmo
com os
contra
tempos
correr...
correr...
correr...
mesmo
não se
dando 
conta...
mesmo
não dando
conta...
mesmo
com o
tempo
a correr
contra...
correr!

Apocalíptica mente....



Faz sentido...
muito sentido...
Ir na direção contrária
ao mundo poluído...
atitude temerária?
sem juízo?
visão missionária
diante de tantos avisos?
Apocalíptica mente...
tempos de improviso...
O coração em paz...
Segue, tranquilamente!

Às pressas



A pressa...
Que leva os segundos depressa...
e vira os mundos às avessas,
sem pedir licença ou desculpas...
A pressa...
Mal iniciei a conversa
e por causa das razões mais diversas,
sem melindres ou cupas...
Toda a poesia se dispersa,
finalizando o poema,
sem nenhum problema...
Muito fiel ao tema,
correndo pra um final vagabundo!
Às pressas,
escrevo contando
os segundos!!!

Sobre Sampa 04 - Josias e a Cesta; Aparecida, ida - Graal, entregas de fé, graças pelos 25 anos Renovando nossa aliança em Nossa Senhora do Brasil


Domingo acordamos com o som do interfone... Corri para atender e Josias, o porteiro, me falou que a encomenda de Emílio já estava la embaixo. Disse a ele que Emílio não tinha chegado mas que eu iria buscar. Voltei pro quarto pra colocar uma roupa decente e explicar a Dora que tinha uma encomenda lá embaixo. Antes que fizesse uma das duas coisas e um xixizinho amigo que já estava nas bocas, olha o interfone de novo... Josias novamente dizendo que o pessoal tinha que entregar a cesta em mãos...Meu Deus... povo apressadinho este de Sampa, pensei com meus botões... E corri pro quarto pra mudar a roupa e avisar a Dora que iria descer pra pegar uma cesta. Ainda sem fazer xixi, coloquei uma calça e uma camisa e desci correndo pelo elevador para não deixar ninguém esperando... Ao sair do elevador e me dirigir para a portaria, uma cena tragicômica que jamais esquecerei:
- Josias, o porteiro atrapalhado, veio correndo em minha direção com os braços abertos com a clara intenção de não me deixar passar, pedindo desculpas e me dizendo que tinha se enganado de apartamento, que eu o desculpasse, que ele tinha me acordado, etc,etc,etc...
Na hora eu vi que era uma surpresa pra gente e que o pobre Josias, na melhor das intenções de ajudar, tinha se enrolado todo e falado pra pessoa errada (no caso, eu) sobre a cesta...
A cara e a atitude de desespero do pobre Josias me trouxe, ao mesmo tempo, uma imensa compaixão e uma vontade de rir absurdas... mal disfarçando o riso, disse a ele que não havia problema, que eu já estava acordado e que ele ficasse tranquilo... Dei meia volta já me pocando de rir no elevador e adentrei no apartamento tentando disfarçar aquele frouxo de riso que insistia em me perseguir. Dei de cara com Dra. Albira, colocando um sobretudo, indo na direção da porta. Assim que me viu, sem saber de onde estava vindo me perguntou o que eu estava fazendo acordado aquela hora... Sem saber o que dizer balbuciei alguma desculpa como vim pegar um copo dagua e sai correndo pro banheiro, ja me acabando de rir... Não sei como não me urinei nas calças... Bia ainda me perguntou... Oxe, ta rindo de que? E eu, sem ter o que dizer, respondi, ja me enclausurando no banheiro que estava rindo do cabelo de Dora (coitada).. Foram 5 minutos sentado na latrina, sem saber se ria, chorava, respirava ou fazia xixi, ou todos ao mesmo tempo... Rapaz... vi a hora de passar mal, pois até pra respirar estava difícil... Depois de relatar tudo a Dora, que olhava pra mim e não sabia se ria ou se me acudia, tomamos um banho, nos arrumamos e pude oferecer a ela a canção que havia feito em parceria com Lú Viola, pelos nossos 25 anos de casados... Depois das gargalhadas de Josias, as lágrimas de emoção...Só então voltamos para sala onde nos esperava uma gigantesca e deliciosa cesta de café da manhã, com a qual os nossos anfitriões iniciaram a celebração do dia de nossas bodas de prata! Literalmente inesquecível por tudo...Pelo cartão lindo e cheio de amor, pelas delícias que nós quatro compartilhamos e pela resenha da trapalhada de Josias e Bia revoltadíssima com a pisada na bola que ele havia dado com ela...(Depois soubemos que ela havia avisado a ele pra não interfonar em hipótese nenhuma, pois Will iria pegar a cesta quando chegasse do plantão) E que entre a segunda interfonada e a minha descida ela tinha falado com ele e dito pra ele se virar e não me entregar encomenda nenhuma... Aí eu pergunto: existe forma mais legal de iniciar um dia tão especial do que com um incontrolável frouxo de riso seguido de um momento tão especial e emocionante e pra completar um delicioso e farto café da manhã com direito a resenha e mais gargalhadas?



Após este maravilhoso início de dia nos arrumamos e saímos em direção a Aparecida... Albirabola pisando fundo, Tia Dora de co-pilota sem saber se fiscalizava os radares ou tirava um cochilo, eu e Bia nos revezando nas cantorias... Ela fazendo o perere, parara, piriri, perere do Bola original... Eu cantando "Eh São Paulo, Eh São Paulo... São Paulo terra boa,  São Paulo da garoa..."Viagem maravilhosa, rápida, tranquila, com direito a uma passagem no Graal, um "pit stop" genial que existe nas estradas de SAMPA e que não fica atrás de nenhum pit stop de qualquer lugar do mundo! Nos
fartamos, almoçamos, fizemos nossas "nicissidadis" e seguimos em frente.




A chegada a Aparecida, com o sol a pino e bastante quente já nos preparou para momentos nos quais o coração ia arder... E foram alguns bem intensos... primeiro por estar realizando um sonho de minha nubente... depois pelo próprio lugar... tão denso espiritualmente...Sob a imagem de Nossa Senhora colocamos nossas intenções...Amigos e famílias nos corações e nas mentes... Na Capela do Santíssimo (lugar muito sagrado) silêncio, oração, entrega, fé, gratidão! Emoção em cada poro, em cada célula, o Amor de Deus ecoando, reverberando, fluindo...Tudo e todos entregando...sentindo...
Depois algumas entregas e pedidos ainda mais urgentes e especiais...Há Vida em Aparecida... Plena e cheia de significado...Um encontro marcado, muito além das estruturas físicas, do Santuário ou da Basílica... A santidade e a beleza esão na fé pura e cristalina dos romeiros, no olhar suplicante e emocionado de todos que por ali passam...no significado deste aglomerado de esperança e fé...
Dia de nossas bodas num lugar muito especial, grandioso, num clima maravilhoso de profunda comunhão...A volta tranquila e abençoada, com um lindo por do sol nos recebendo de volta na megalópole paulistana. Albirabola brilhando mais uma vez, numa direção segura e rápida! Tudo em paz!




De noite, terminamos o dia em estado de graça, depois da missa celebrada na Igreja de Nossa Senhora do Brasil, um recanto de arte, oração e fé! Mais momentos de emoção, entrega e gratidão por tantos anos juntos, por tantos amigos queridos, por tantos irmãos especiais...Cada detalhe desta igreja é muito especial! Vale uma visita!


Após a missa um milkshake pra lá de especial no Milk & Mellow...
Muito bem alimentados espiritual e fisicamente, voltamos ao tranquilo e especial recanto de nossa hospedaria e fomos dormir, meio que sonhando acordados, por tudo o que vivemos neste dia tão especial!


Nossa gratidão muito especial a Bia por ter sido instrumento para vivermos momentos tão significativos e inesquecíveis!