segunda-feira, 28 de junho de 2010

Era uma vez



Quem vai contar
nossas memórias
de amor
quando eu for
só história
pra lembrar?

Quem vai falar
nossas bobagens
de amor,
quando eu for
só uma mensagem
a decifrar?

Pousa sua mão
na minha
e vem voar
mais uma vez
recomeçar
nosso conto
de fada
era uma vez...

Testamento



Peite seus sonhos...
Se você não acreditar neles,
quem o fará?
Não tenha medo do erro,
somos movidos por paixões...
Muitas vezes somos fiéis a nós mesmos,
noutras não.
E quando isso acontece ninguém sofre mais
do que nosso próprio coração...
Aquiete sua mente, quando ela fugir do controle.
Acelere suas idéias quando tudo parecer sem sentido...
A graça está viva, sempre, e em todo lugar...
Ninguém perde por esperar, por acreditar na vida...
Enfrente cada passo, cada não, cada obstáculo!
Faça a diferença, saiba somar idéias, multiplicar as forças, dividir emoções...
Coloque seus sentimentos no papel, seja lá como for!
Trabalhe a sua arte com amor.
Pode ser desenho, poesia, canção, crônica, arranjo, ilustração,
Expresse-se!
Faça a conexão...
Com alguém do lado, com alguém distante,
com uma estrela errante, com o criador...
Vamos estar por aí, sempre, vagando pelas nossas certezas...
Encare suas dúvidas, suas dívidas, suas contradições, seus tropeços...
São partes de você, são traços que se refletem no espelho...
Somos todos andarilhos do tempo...
Faça a sua parte...
Escolha o gesto certo, o silêncio cúmplice, a palavra amiga, a mão estendida...
Escreva sua história...
O tempo julgará seus anos...
Acalente seus planos...
O sonho de Deus se fará em você!

Reinos



Nunca sei exatamente
o que dizer
sempre fico sem palavras
com você
meus olhos suspiram
e tingem de amor
versos que me inspiram...

Me encantei completamente,
o que fazer?
Tudo ganha cor e vida
com você...
Seus olhos me guiam
e tingem de luz
sonhos que me inspiram...

Não sei se consigo
mais viver
sem teu amor...
Já não sei mais se
posso te perder
se preciso for...

Os meus escudos
deixei ficar
não me interessa mais
nem o lugar...

Faces do amor



Quantas caras você tem?
Quantas manias?
Quantas formas de amar alguém?
Quais fantasias?

Quantos gestos exclusivos seus?
Quantas verdades só suas?
Quantos mistérios, qual sua imagem de Deus?
Quais suas luas?

Nas ruas você sai
Pela noite você vai
Contando estrelas
Sem olhar pra trás...

E as estrelas
Olham pra você
E contam seus segredos
Até tudo ficar em paz
na estrada de um novo dia...

terça-feira, 22 de junho de 2010

São João




Estrelas no céu
incêndio no chão
o fogo queimando seu véu
estrago de balão

Estrelinhas de papel
bombinhas de São João
o jogo de luz livre ao léu
queimadura na mão

E a pólvora procurando o pavio
o fogo está no cio
o povo quer licor,
comida, amendoim,
milho, forró, até o fim
até o sim do amor...

Estrelas no céu
quadrilhas no chão
os fogos fazendo rapel
indo e vindo na contra mão...

Portais (Foto Aline Moraes)



As portas do convento
estão abertas
mas suas celas
estão desertas

As eras guardam segredos
nas suas paredes
e a branca nudez delas
agora é feita de verde

Mas as cores fugiram dali
quando o sol abriu suas comportas
e ressuscitou
as folhas mortas...

As portas do convento
estão abertas
a clausura acabou
e uma andorinha vigia alerta...

...o direito de qualquer um
fazer verão
para ser livre
em qualquer estação...

Os portais estão aí
por toda parte
esperando para se abrir
a toda arte!

Duvidas?




Não duvide nunca
das canções que o sol postou
nas nossas madrugadas...

Eu nunca duvidei
dos sinais que o céu pintou
com nuvens na estrada...

Onde será
que essas curvas vão levar?
Onde será?
Onde será que os vagalumes
se encontram
pra celebrar a luz?

Não duvide nunca
das visões que o mar traçou
na espuma das ondas quebradas...

Eu nunca duvidei
dos finais que o Amor guardou
para as paixões sagradas...

Onde será
que essas ondas vão levar?
Onde será?
Onde será que os cardumes
se reúnem
pra agradecer o azul?

Mundo Bola



Rola
a bola gira
a Terra roda
feita de argila
é pura moda
estar na copa
na sala de estar
de alguma fila
alguém se dopa
alguém se choca
é bola na mão
ou mão na bola?
Se alguém souber
de algum impedimento
que se cale para sempre
ou fale agora!

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Violenta




Na madrugada
ouvi a voz da violência
no eco de alguns tiros
quando já passava das duas...

A rua violentada
clamando por decência
e a Terra dando seus giros
em busca de outras luas...

Na calada da noite
a testemunha calada
nada ouve, nada vê também
se sente ameaçada

Crime, castigo,
quem será o inimigo?
Quem faz a lei
ou quem não a cumpre?
Estamos todos
no mesmo balaio
desde o tempo
do Rei...

Na madrugada
ouço passos aflitos,
alguma coisa roubada
seguida de alguns gritos...

Mas ninguém faz mais nada...
A responsabilidade não é minha,
não é sua, não é de ninguém...
A educação negada,
o velho jeitinho e a grana acumulada
são mesmo culpa de quem?

Crime, castigo,
quem será o inimigo?
Quem faz a lei
ensina a não cumprir...
Estamos todos
no mesmo barco
desde o tempo
do Rei...

Mas hoje,
quem descobriu o Brasil?
Quem armou a cilada
ou quem fugiu?

domingo, 20 de junho de 2010

Soltas




Sonho
transformação
realidade
feita ficção

Sombra
iluminação
claridade
feita escuridão

Solta
na amplidão
toda verdade
vira ilusão

Sobra
sublimação
nunca é tarde
pra ver a perfeição...

sábado, 19 de junho de 2010

E depois deste desterro? (Foto Aline Moraes)




E depois deste desterro,
o que será?
A flor tecnológica virá?
O mundo de aço
e plástico?
O papel elástico,
o que haverá?

E depois deste desterro,
quem vai sonhar?
A antena parabólica?
O mundo da imagem,
virtual?
A vida banal,
o que esperar?

Um futuro desfocado,
preto e branco?
Sobre um muro desbotado?

E além deste desterro,
o que terá?
A fé elitizada e anciã?
A cruz ou a espada?
A mostarda ou a maçã?
A caridade inflada
pelo ego?
Ou o olho cego
num convento
sem irmãs?

E depois deste desterro?
O fruto bonito
de um ventre,
continuará bendito?
Ainda seremos dignos
das promessas divinas?
E depois deste desterro,
qual será a nossa sina?

Vôo além



Vôo além de mim
além de todo céu
num ponto qualquer
nas linhas de um papel

Vôo além do sol
além de todo amor
na estrada que eu fizer
na linha do equador

Eu preciso sentir
o vento no rosto
e a sua presença
preciso sorrir
de novo com gosto
e esquecer toda ofensa

Vôo além do azul
além de toda cor
nos sonhos que eu soprar
pra aliviar a dor

Vôo além da voz
além de todo som
nos cantos que encontrar
nas casas onde eu for

Eu preciso sentir
o vento no rosto
e a sua presença
preciso sorrir
de novo com gosto
e esquecer toda ofensa

Poeira Cósmica



Quando brigo com o mundo
vou desabafar com as estrelas
os melhores ombros que conheço
elas somente me escutam
e eu apenas agradeço

Olhar pro céu
sempre me lembra
que somos só
poeira cósmica
e, um dia,
ao cosmo voltaremos

Olhar pro céu
me lembra
o nosso tamanho
ínfimo
muita coisa perde
importância
no mundo que vivemos

Quando brigo com a paz
vou trocar uma idéia com as nuvens
as amigas mais leves que conheço
elas apenas choram comigo
e eu, sorrindo, agradeço...

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Fronteiras




Acreditar e ir além
de tudo que existe
buscar e descobrir o que há
depois dos meus limites
marcar encontros
com mim mesmo
aonde nunca estive
e conquistar o meu lugar
no sonho de ser livre

Me questionar em cada amém
a fé assim resiste
deixar pegadas para alguém
que um dia me visite
travar duelos
com mim mesmo
com armas que não tive
e conquistar o meu lugar
no sonho de ser livre

Toda fronteira ultrapassar
sem medo de ser e estar
de bem com a vida
Toda clareira sinalizar
brinquedo de ver no ar
sinais da vida...

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Sem esperar mais nada em troca....




O que mais esperar?
Quanto tempo esperar?
Ou será,
melhor me questionar
porque devo esperar
e não agir?

O que mais conquistar?
Contra quantos lutar?
Ou será,
melhor me perguntar
onde quero chegar
desde que parti...

Só um adeus na mochila
e o peito vazio
ser livre no estio
na chuva ser argila
remodelar quem sou
meu mundo reformar
sem esperar
mais nada em troca...

Só eu e Deus
fundar a vila que der,
encher o leito do rio
e desaguar num mar qualquer
revisitar o amor
num colo de mulher
sem esperar
mais nada em troca...

Prisioneiros do olhar




Prisioneiros
do olhar,
suas mãos
vão se algemar,
seus corpos
querem se laçar,
dois amantes,
um par...

Companheiros
no amor,
suas almas
tem cheiro de cor,
seus carinhos
leveza de flor
seus beijinhos
doces de licor...

A troca,
na entrega,
conquistar...
Evoca
a paixão cega
sem chamar
só ser,
sentir e abraçar
você,
e a gente
a se amar...

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Sem endereço




Nosso lugar não tem endereço
No nosso altar, nenhum adereço

Mas não adianta
botar olho, botar preço...
O nosso amor se agiganta,
mesmo vestido ao avesso...

Nossa canção não tem meio tom
Na sua boca, mais nenhum batom

Não vale a pena
torcer contra, não tem jeito...
Nossa paixão é tão plena,
que chega a beirar o perfeito...

Final feliz
no escuro do cinema
a gente aplaude e diz:
o filme valeu a pena!

domingo, 13 de junho de 2010

Garimpeiro



Arrancar do peito
toda dúvida
e encontrar um jeito
de apagar a escuridão

Transformar paixão em verso
e o universo em emoção...

Aquecer o sangue
com um beijo
traduzindo em duas línguas
um desejo

Transformar o universo em paixão
e a emoção em meus versos...

E o inverso de tudo isso
é o compromisso de uma canção
concebida em alguma esquina
de uma rua deserta do coração

E eu imerso em tudo isso
sem saber a direção
garimpeiro em plena mina
não consigo entender o seu não...

sábado, 12 de junho de 2010

Dias fabricados




Dia das crianças,
Dia da mulher,
Dia de estar do lado,
Dia do que quiser...

Dia das mães,
Dia de finados,
Dia dos pais,
Dia dos namorados...

Dia D contra a dengue,
Dia de se vacinar,
Dia de salsa e merengue,
Dia de casar...

Dia dos médicos,
Dia das secretárias,
Dia D da Normandia,
Dia contra a Malária

Dia de algum santo
Dia de pagamento
Dia de ficar em seu canto
Dia de pedir aumento

Dia do que der vontade
Dia de lembrar o passado
Dia de usar a liberdade
E dizer não aos dias fabricados...

Fácil ou difícil?




Fácil falar, difícil fazer
há uma grande diferença
entre pregar e fazer

Fácil cantar, difícil entender
há uma enorme diferença
entre mudar e querer

E o mundo segue
a hipocrisia do discurso
vê o fim se aproximando
mas não muda o curso

Acha que basta ser
politicamente correto
não há prova de aborto
se não existe um feto...

Fácil calar, difícil pagar pra ver
há uma grande diferença
entre encarar e se abster

Fácil sonhar, difícil acontecer
há uma grande diferença
entre levar e valer!

E o mundo segue
a hipocrisia do discurso
vê o fim se aproximando
mas não muda o curso

Acha que basta ser
politicamente correto
não há prova de aborto
se não existe um feto...

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Silencio Cumplice



Já perdi a conta das vezes
que nada precisou ser dito
um olhar, uma atitude, um sorriso
e o mundo gira bem mais bonito...

A sintonia de idéias ou sonhos
o improvável encontro na escuridão
um sol brilhando forte no outono
a flor trocando a roupa no verão...

Eu já perdi a conta das horas
que o tempo pareceu congelar
um gesto, algum sinal, uma história
e o mundo parece se encaixar

A sintonia de sonhos e idéias
o improvável encontro na escuridão
um sol brilhando forte no outono
a flor trocando a roupa no verão...

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Poeminha



Com pressa
pra gente com dor
dê pressa
pra gente folgada
a pressa
quem sabe é a flor
que ex pressa
a corrida pro nada

terça-feira, 8 de junho de 2010

Olhar de poeta




Arde
sem alarde
o sol do
fim da tarde
de um dia
que seria
tão comum...

Dança
sempre mansa
a brisa
que descansa
na face
que conquista
qualquer um...

Mas o olhar
do poeta percebe
o momento
e segue o movimento
mesmo quando
não há nenhum....

Lenta,
se sustenta,
a lua
que nos tenta,
desejo de pirata
olhando
o rum...

Leve,
livre e breve,
a nuvem
se atreve
e rega
o sonho
de quem não
tem sonho algum...

Chá das cinco




Chá de Alecrim
receita de alegria
perfuma o jardim
da mente então vazia

Chá de hortelã
refresco de outro dia
sol da manhã
que ainda não ardia

Em nós dois,
depois do chá das cinco,
o sol se pôs
você perdeu seu brinco

Chá de Jasmim
suave nostalgia
dança o Arlequim
na sua fantasia

Chá de maçã
ar fresco em noite fria
luz de amanhã
na escuridão um guia

Pra depois,
em pleno chá das cinco
um brinde a dois
você achou seu brinco...

Trato feito




Não precisa
de contrato
quando o ar
fica perfeito
dois olhares
fazem um trato
e esquecem
seus defeitos...

Não precisa
assinatura
quando o amor
invade o peito
milhares provam
a ternura
e em pares
se tornam eleitos...

E o trato está feito
nas mãos que se abraçam
um pacto aceito
nas almas que se enlaçam
o ponto eqüidistante
horizontais azuis
entre o céu e o mar
nossos corpos nús...

Passageiro do Tempo




Eu não sou mais
“da hora”
o tempo jazz
agora
e entre o primeiro
minuto
e o segundo
eu sou passageiro
e escuto
o som do mundo...

Eu não sou mais
que um dia
a mente é um cais
na noite fria
e entre o próximo mês
e o ano
que passou
eu sou um freguês
de cada engano
que restou...

Sou passageiro
do tempo
e o vento assobiou
na minha viagem...
O vento me avisou
que é o momento
do condutor
cobrar a passagem...

sexta-feira, 4 de junho de 2010

E aí, pai? (uma homenagem aos 78 anos de J.A. Didier)




E aí, pai,
como vai?
Como vão
seus sonetos
e rimas?
Nós, daqui,
percebemos
seus sinais...
Como anda
a morada
aí em cima?

E aí, pai,
como está?
Como vai
seu sorriso
e a covinha?
Nós, daqui,
te sentimos
em paz...
E aí,
tem uma
escrivaninha?

E daí, pai,
de onde brilha,
dá pra ver
sua mulher
e seus filhos?
Nós, daqui,
não podemos
te ver, mas...
Não deixamos
de ser
sua família...

E aí, pai,
quase oitenta...
E quase
trinta anos
de saudade...
Nós, daqui,
seguimos
sua estrada,
até o encontro
na eternidade!

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Fazendo Arte




Idéia vira desenho,
que a cor transforma
em pintura
Palavra vira poema
que o olhar transforma
em leitura

Quando a arte
é fazer a arte se encontrar
tudo parte de ser
e simplesmente se doar...

Nota vira partitura
que a voz transforma
em canção
A pedra vira escultura
mas quem transforma
é a mão

Quando a arte
é fazer a arte se encontrar
tudo parte de ser
e simplesmente se doar...

A entrega faz o artista
se apaixonar pelo que faz
luz cega, a arte é, à vista,
o pagamento pela paz...

Clareira do Bem




Não importa mais saber
o tempo que nos resta
nem se escolhemos bem
a trilha na floresta

Tudo é festa
se você vai com fé
quem nos gesta
é o tempo em que se é

E no fim de toda estrada
o universo se encontra pra dançar
todos os deuses se celebram
e a clareira do bem vira um altar


Não há porta certa a escolher
a luz penetra em frestas
nunca saberemos o que vem
a vida sempre testa

Tudo é festa
se você vai com fé
quem nos gesta
é o tempo em que se é

E no fim de toda estrada
todos os deuses se encontram pra dançar
o universo se celebra
e a clareira do bem vira um altar

terça-feira, 1 de junho de 2010

Coisas de Platão




O amor lacônico,
anônimo,
platônico,
sinônimo
da entrega
interior...

Um elo efêmero,
transcendental,
eufêmico,
paranormal,
entre almas
que se sentem
mas não podem
se tocar...

Corpos proibidos,
antígeno enlaçar,
lábios prometidos,
indígeno colar...

O amor afônico,
mitônimo,
neurônico,
antônimo
da cegueira
exterior...

Um selo digno,
sensorial,
desígnio,
contextual,
entre olhos
que se abraçam
mas não devem
se fechar...

Corpos proibidos,
antígeno enlaçar,
lábios prometidos,
indígeno colar...

E as sombras da caverna
são brindes na taverna
fazem o coração arder
e o peito esquentar

Apartes,
entre braços
e pernas,
movimentos
são lanternas
dão luz à arte!