domingo, 13 de setembro de 2020

O húmus da humildade...



 

Ah Terra... 
Solo sagrado da existência humana...
Base primeira dos passos originais...
lar de nossas pegadas...
templo de tantas sementes... 
Ah Terra... 
húmus  da humildade...
onde descansaremos nossas histórias um dia... 
regados pelas lágrimas daqueles com quem trocamos amor!
Ah Terra...
nave espacial da humanidade, 
grão azul no universo, 
imensa placenta de seus habitantes... 
Doce gestante de tantos sonhos...
planeta radiante apesar de seus seres errantes... 
Ah Terra! 
Mãe de tantos perfumes, 
tantos sabores, 
tantos costumes, 
tantas cores! 
Ah Terra...
Irmã generosa, 
namorada do Sol, 
guia da Lua, 
majestosa nos brilhantes tons 
de suas vestes azuis...
Descalça na feminilidade 
de seus pés nus, 
desfilando pela galáxia, 
a beleza de sua fertilidade... 
Ah Terra... 
perdoa os que perderam a dádiva 
de se sentirem e se declararem apaixonados por ti...
Eles não sabem o que sentem... 
eles não sabem o que fazem...
eles nãos sabem o que matam e o quanto morrem 
entre os graciosos movimentos de suas rotações e tranlações...
Ah Terra,,,

O Assobio de Clara de Assis


  

Enquanto isso, numa cidade vizinha, Irmã Clara, com pensamentos leves sobre o encontro próximo com o Irmão Francisco, seguia pela estrada florida da primavera, questionando-se sobre o que haveria de ser a novidade que ele queria lhe mostrar e que havia batizado de presépio... 

O Natal se aproximava... 

No Espírito de simplicidade que unia aqueles dois santos, Clara seguia pela estrada, em direção a Francisco, assobiando uma canção bem conhecida...

"Bate o sino, pequenino, sino de Belém...já nasceu Deus menino para o nosso bem..."

Tão diferente dos badalados sinos de manchetes atuais...

Estado de graça Franciscano



Nu diante da Trindade, 
o meu Espírito vem ao mundo 
como criança que deixa o ventre da  mãe
 e chora, sentindo o oxigênio da fé arder no peito, 
voltando a ser aquele Adão de antes da maçã... 
Livre, feliz, pleno no sentimento de pertencer à criação! 
Sem dividas, sem medos, sem segredos...
face a face com o Amor!

" A senhora chora tao lindo, Mãe Violeta... A senhora chora sorrindo! "
Esta foi a fala de uma das filhas de rua de Irmã Violeta que testemunhei noutro dia...
E o eco desta fala me repete generosamente a mesma gratidão do Irmão João, quando fala sobre o carisma da paixão vivido por nossa Violetinha...
A Irmã, reluzente de felicidade com a declaração de sua filha de rua, não se conteve e, indo ao seu encontro, a abraçou, oferecendo seu colo materno tão carinhoso...
Como aquele abraço me lembrou o do Pai Misericordioso indo ao encontro do filho pródigo...
Como aquela fala da filha de rua ecoou em mim como o filho pródigo falando: 
"Pequei contra o céu e contra ti...."
E eu ali, embriagado de tanto Amor, vendo se dissipar qualquer dor e ser perdoado qualquer pecado...
Ali, ao lado das duas, Deus fazendo das suas...
E eu, estranhamente, me sentindo lindo, chorando sorrindo...

Coisas da irmã Doçura



A Irmã Doçura estava na Capela rezando numa noite de lua e chuva....
pensava na família que havia visto num Jardim em Nazaré.
Eles pareciam passar fome e frio...
E seu coração tinha arrepios ao ver irmãos com qualquer tipo de dor...
A Irmã Doçura era movida pelo Amor!
Agora, ali na Capela, na simplicidade do seu servir franciscano, ela pensava em quantas portas haviam se fechado para aquela família...E uma espécie de nostalgia ecoava em sua alma...
Em tempos de pandemia seu coração intuía que aquela família representava a pobreza de tantas famílias que estavam peregrinando, naquele momento, pelos terrenos baldios e becos escuros dos seus interiores mais solitários e sombrios...
Aquele era o Natal do vazio...
o Natal do estio...
do jejum forçado do abraço, da Vida ausente, do presépio indigente, da saudade enclausurada...
Extasiada pela transfiguração reluzente de sua peregrinação solidária, na jornada orante e solitária de sua oração, a Irmã Doçura ofereceu a si mesma o banquete da sua impotência diante daquela situação...
A angústia arranhando seu coração...
A falta de oportunidade de ação como penitência....
o eco de tanta indiferença latejando como um mantra, uma admoestação...
É...você não pode mudar o mundo, costumava escutar...
Estamos todos de passagem montando presépios interiores, oferecendo confortáveis manjedouras aos nossos próprios lamentos...aos nossos frágeis sentimentos...
Naquele instante a Irmã Doçura pôde  sentir o travo amargo da inquietação na degustação daquela miragem...
No espelho de seu deserto, a contemplação da madrugada da ausência  em sua jornada...
Sua Belém abandonada na matança dos inocentes...
Na contemplação de tantas casas reviradas ao avesso, o Amor continua em busca de morada...
Há algum lar com portas abertas ao sacrifício?
Há algum lar capaz de abrigar o Amor como ofício?
Saindo da capela em direção a um dos seus, exercendo o sacerdócio do abraço, a Irmã Doçura acolhia a Deus em cada um dos seus passos...

A Casa das Sete Mulheres




Em torno do Rei do Pão
sete mulheres carismáticas
todas se dando as mãos
por uma tradição fantástica...
Na casa das sete mulheres
Ana, Zuleika e Dalvinha,
Marina, Gogói e Concinha,
as filhas de Dona Glorinha...
As mulheres de Seu Sousa
retrato de uma familia unida
que faz no pão de cada dia
um grande exemplo de vida!
Cada uma do seu jeito,
entre tristezas e alegrias,
honra o colo e o peito
da matriarca da Marias
Sete mulheres guerreiras
a mãe e suas seis filhas
como uma semana inteira
cada uma representa um dia...
Entre delicias tão bem feitas
vão perpetuando uma história
mulheres que seguem a receita
dessa admirável Dona Glória!

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

Esperança, fé, espiritualidade...

 

Esperar...
Apostando no que virá...
Como uma criança que nem por um segundo é capaz de duvidar que sua mãe vai lhe buscar, mesmo que seja a última achegar....
Isso é Esperança!
Acreditar...
Que o melhor ainda virá!
Se atirar no colo do Pai, na firme certeza de que Ele vai suportar...
E mesmo com medo do mar, simplesmente mergulhar! Na profundidade submergir, mesmo que lhe falte o ar!
Isso é fé!
Voar...
Tendo como asas a esperança e a fé...Encarar o caminho e abraçar o espinho que vai ferir seu pé..
Trazer a caridade para a essência do que se é!
Isso é Espiritualidade...
O chamado da Cruz....
Do Amor que conduz e nos faz aceitar a dor do outro e a transformar em nossa própria dor!
Amor que acolhe a saudade, que supera a tristeza, que triunfa sobre a morte e vai além da própria natureza!
E maior que o sofrimento, transforma a voz do lamento em testemunho de vida!
Amor que cicatriza feridas...
Esperança, fé, espiritualidade...
Mistério da Trindade transfigurado na aceitação de um chamado...
Vocação? Missão? Cálice sagrado? Dom confirmado? Fruto colhido?
Qual o sentido que, em você, foi despertado?
Olfato, visão, paladar, tato, audição?
Qual deles desperta em você a mística "saudade da criação"?
Físico, alma, razão...
Trindade em contemplação....
Imagem e semelhança de Deus...
Mistério de cruz e paixão!

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

À Tua Imagem!



Fala em mim, 
silêncio de Deus...
cala em mim
Palavra de Amor...
Sopra o SIM,
me faz gestar Deus!
Paz sem fim,
se faz oração...
Toda expressão 
ter Tua imagem...
Doce VIAGEM
da contemplação...
O Deus que Dança 
a luz que arde 
a semelhança,
a criação!
Espírito! Espírito!
Meu coração está em brasa!
Espírito! Espírito
Meu coração  é sua casa.. 
Brisa suave de tuas asas...
Pouso de Deus, inspiracao!

26 anos, bodas de Alexandria...



Há 26 anos nós nos dizíamos sim, sacralizando um Amor nascido da amizade e da paixão por Deus!Naquele início de Setembro, na igreja do Desterro, sob as bênçãos de Santana e Santa Clara, de nossos pais e irmãos, amigos queridos, padrinhos e testemunhas e do inesquecível Padre Luna.Dali em diante a Caminhada passou a ser a dois, pegadas lado a lado, na companhia de Cristo e de Maria, numa Trindade de anos que nos trouxe a intimidade e o tempo do plantio e da colheita!Novas vivências, desafios, alegrias, saudades, gente nova chegando, gente querida partindo de nossas vidas... E a chegada de Let. Fazendo o Amor frutificar...Nosso lar... Acolhimento de mães...Missão par... honrando gente tão ímpar...Donna da Casa...Caninas asas... saudade em brasa...E a presença de Deus, na alegria marrom vinda das ruas...Deus tem umas coisas tão suas...Como explicar o chamado? Depois de tanto tempo, de tanta Caminhada? Como não dar graças por você ao meu lado? Do banco da praça ao dia de hoje...Você que curte tanto carnaval, que assumiu comigo ser luz e sal, e fez da minha vida folia na alegria de um beijo onde só havia você, a praça e o poeta...pouco antes de um ensaio do coral...Vida é "fiesta" ao seu lado...Gratidão por juntos termos conseguido dar sentido ao sim que nos dissemos! Caminhemos! Que cada dia seja um sinal dessa aliança! E sempre que entrar Setembro, a boa nova seja uma criança chamando a gente pra dança no templo do.nosso Amor! Feliz Bodas de Alexandria...Que tudo o que havia seja, cada vez mais, maior!Cada vez mais, melhor!

domingo, 23 de agosto de 2020

Santuário Vivo



Ser
Santuário vivo
Ser
necessário abrigo
Abraço solidário
para o sofredor!

Ver
na dor do invisível
um calvário acessível
traço humanitário
do mais puro Amor!

Um Amor
sem julgamento
ou diferenças...
Um Amor
que é sacramento
e é presença!
Que inclui
quem não é visto,
vendo ali
o próprio Cristo

Um Amor 
maior do que 
se é!
Um Amor
maior que a
própria fé!
Que inclui
quem não é visto,
vendo ali
o próprio Cristo

Ser
Santuário vivo
Ser
necessário abrigo
Abraço solidário
para o sofredor!
Ver
na dor do invisível
um calvário acessível
traço humanitário
do mais puro Amor!