sábado, 4 de julho de 2020

Travessia



As tempestades...
Seja na sede do deserto, seja no mistério do oceano, elas trazem sombras aos nossos corações...
Em ondas muito maiores do que esperamos, em dunas muito mais extensas do que imaginamos...
As tempestades chegam encobrindo a luz com suas pesadas nuvens de cinzas, ou de areia...
As tempestades, o temor em nossas veias...
A água, a tormenta, o trovão, a dúvida, o medo inundando o coração....
O pó, a rajada violenta, o sol e a garganta seca, a escuridão, a súbita sensação de ser um mero
brinquedo da Criação...
As tempestades...
A solidão, a palidez, a imensidão, a pequenez, a falta de fé em toda a sua nudez, no meio do oceano
bravio ou no deserto da nossa própria aridez... Quem dizem que sou? Quem dizem que são?
Atravessar as tempestades, confiando nos passos firmes do Amor sobre as águas, seguindo suas
pegadas, encontrando seus oásis, mergulhando na oração,
até emergir no Tabor e contemplar a Transfiguração do Senhor...
A gloriosa manifestação da Trindade profética para a Trindade humana, tão cética em sua contemplação...
Entre dois elementos, Moisés e o Maná no deserto, Elias e seu arrebatamento ao oceano azul do céu!
Moisés e seu cajado sobre o Mar Vermelho...Elias e seu manto dividindo as águas do jordão...Entre dois elementos, Terra e Água, deserto e oceano, uma explosão de luz: Jesus no centro da Criação! O Filho bem amado, no sagrado momento da revelação!
As tendas que Pedro imaginou erguer...
As tempestades da missão...no deserto das tentações, no mar das decepções...
E a longa travessia da salvação ainda a percorrer...
Com Jesus e Maria...
Do colo da noite da estrela guia ao colo de dor da Piedade sobre a matéria fria....
Sofrer, morrer e ressurgir...O Deserto da Paixão, o Oceano da Ressurreição...
O Sangue da Cruz, o Pão de Emaús...
Novamente Trindade a CAMINHO, transformando espinho em explicação...
As dobras marcadas no linho...As sobras da multiplicação...
No isolamento da angústia, a VERDADE da oração...
A vigília, o sono profundo, as maravilhas do mundo, a canção!
O andarilho, sozinho, tirando dos olhos os ciscos...
O homem isolado em seu ninho, com os olhos voltados para Francisco!
Pela televisão, a praça vazia...A chuva fria... O crucifixo e a pandemia!
A travessia....O passo trôpego... O desapego...O Pai Nosso, a Ave Maria!
A voz mais forte que o vento:
- "Coragem! Sou eu. Não tenham medo!”
O arroubo, o atrevimento...
- Deixa eu ir ao teu encontro!
A dúvida, o desassossego, e antes de afundar a súplica:
- Salva-me Senhor....
A mão estendida, a VIDA!
- Homem de pouca fé....
- Pedro, tu me amas?
Afirmação, exclamação!
-É claro que te amo!
Não!!!!!!!
A negação por três vezes...
A dor do arrependimento por meses...
O entendimento da missão!
No deserto da última travessia, a cruz de cabeça para baixo,
luz do mundo, pedra, Pedro, Francisco, e eu, onde me encaixo?
Tempestade, deserto, travessia...
Ao contemplar o irmão, a nova transfiguração!
Maravilha!
Vigília!
A Casa Comum em sintonia...
numa diferente Sexta-feira da paixão!


terça-feira, 23 de junho de 2020

Noites Juninas

Não adianta o licor
da delicatessen da esquina
saudade da noite junina
de lá do interior...
Saudade do São João de verdade
da fogueira da casa do cumpadi
da canjica feita pela cumadi
das bandeirolas de tudo quanto é cor...
Não adianta o mungunzá
nem o bolo de aipim
nada consegue dar fim
na saudade que me enche de dor...
A galera em águas
no meio dos coqueiros
cantando as mágoas
entre a cerveja e o licor...
O vizinho chamando fifó de fiofó
e a risadaria, que maravilha,
no improviso da quadrilha,
num tinha coisa mió!!!
E no encontro das águas
teve até extraterrestre dando tchau
fantasiado de bacurau
entre ciroulas e anáguas...
Visões de besouros gigantes
visitando o "P" vinte e nove
entre um e outro engov
contando segreddos distantes...
Não adianta o licor de tamarindo
o azedo da saudade
deixa a gente na vontade
de ver aqueles fogos tão lindos...
E se misturar com o de jenipapo
mesmo assim não dá jeito
saudade é ar rarefeito
que vem pra tirar escalpo...
Olha eu aqui de novo
xaxando mesmo sem querer
querendo xaxar sem poder
de junto do meu povo...
No tempo do tal Corona
que nos roubou o calor do abraço
tento encontrar um espaço
pra abraçar uma sanfona...
Mas se você for deste tipo de gente
que acha a poesia uma coisa cafona
que põe um poema na lona
por não saber o que sente...
Eu vou te pedir perdão
para ser bem transparente
você não sabe realmente
nadinha sobre São João...
Então, se me permite aconselhar,
procure uma paixão verdadeira
que acenda que nem fogueira
a sua própria escuridão...
Só então você verá as estrelas
ao provar uma boca vermelha
que com a sua faça par
e faça dançar seu coração!
Só aí a sua alma vai se elevar
e tocar o céu que nem balão
e voce vai dar razão
quando o poeta cantar
sua saudade do São João!

sábado, 20 de junho de 2020

Na saúde e na doença...(a Jorge e Anna Studart)




Salve São Jorge, mata este dragão!
Salve Sant'Anna, pede a Joaquim e Maria pra acabar esta agonia!
Olhem com o Amor de Cristo por seus xarás, Jorge e Anna Studart que, na aliança de um Amor também abençoado, seguem unidos na saúde e na doença, amando-se e respeitando-se!
Escuta esta oração por meus padrinhos de casório e, muito além do ilusório, faz do amanhã um lindo dia, da mais louca alegria, vencendo a tal pandemia pela força de um grande amor!
Ouve as preces de sua família e leva embora a febre, a angústia e a preocupação...
Salvem Jorge e Anna e os mantenham unidos na partilha deste amor!
Peçam aos seus amigos anjos e arcanjos que os abençoe com a cura e com suas asas levem a brisa da paz à sua casa...
Salve Jorge...Salve Anna!
Salvem o amor, exemplo de família, templo da fé, história de graças!
Que este tempo passe logo e que voltem os sorrisos!
Filhos, netos e bisnetos, que fazem coro com este pedido, na confiança que serão atendidos para celebrar suas raízes, com um grande e inesquecível abraço no costumeiro almoço de domingo!
Amém!

Os sinais dos tempos no tempo dos sinais...



Olhei para o céu e vi uma nuvem desenhando um anjo e sua trombeta...
Uma canção indecifrável  a nos tocar...
Olhei pela janela e vi um anjo azul da cor do céu a me fitar...
O que estaria a sussurrar com um olhar tão doce?
O que estaria a revelar?
Quanta gentileza trazia pra me ensinar?
Enquanto isso meu coração não parava de pedir ao anjo pra perguntar a Deus...
- Por que eu?
Não haveria alguém com mais merecimento para uma missão tão sublime?
Alguém com mais brilho, com mais conhecimento? Alguém  mais popular?
O anjo apenas me sorriu e aquele sorriso disse tudo o que era preciso para eu simplesmente confiar...
E enquanto nuvem, anjo e trombeta se desfaziam no céu, embalados pelo vento...
... um sentimento de gratidão me invadia e me fazia chorar...
Nada de tristeza, somente alegria...
Uma oração  silenciosa que dizia tudo sem nada falar...

segunda-feira, 15 de junho de 2020

Geo



Uma música....
Tantas lembranças...
Uma turma....
Identidade...
Uma voz, além do tempo...
Um sentimento,
nossa saudade!
A grandiosidade
impressa
na alma que expressa
uma amizade...
Um grande abrigo...
Inesquecível personagem...
Um grande abraço!
O nosso amigo...
Gordon...
Geo...
Gordo...
Vassilatos...
Valente...
Gente!
Presente...
Intenso
desde a
juventude!
Na plenitude
de suas
verdades!
Lágrimas e
sorrisos
que compõem
nossa emoção...
Um ícone
de nossa geração...
falando
de eternidade
através
da canção!

Saudades



Saudade...
A falta que alguém faz...
O hiato no tempo que fala de distância...
Que tem como trilha sonora o silencio...
E como pano de fundo o vazio...
Saudade...
A ausência do abraço, da gargalhada, da conversa...
Uma dor imersa em nostalgia...
Um retalho de lembranças em poesia...
Uma ausência presente entre lágrimas e sorrisos...
Saudade...
uma rima natural com a simplicidade...
tantas histórias guardadas nas memórias
do fértil terreno baldio do coração!
uma espécie de oração...
Saudade!
Elevação de um bem querer de verdade!
Da esperança que arde
de um novo encontro
em uma outra dimensão...
Saudade...
O eco mais forte de uma amizade...
no ritmo sincero da emoção!

segunda-feira, 8 de junho de 2020

De dentro pra fora ou de fora pra dentro?



De dentro da casa
o ramalhete de flor
se une ao verde de fora,
como se o vidro inexistisse
na transparência
do agora...
Na aquarela do instante
a cor amarela da flor
passeia de mãos dadas
com o sol...
No azul do céu
posso adivinhar
um par de asas
e um canto na janela
a sussurrar:
- vocês são livres,
deixem suas almas
continuarem a brincar!

quinta-feira, 4 de junho de 2020

Como Santa Dulce dos Pobres agiria em tempos de pandemia?





Olhando para as pessoas...
Sentindo compaixão...
Cuidando delas...
Indo além de seus muros...
Sendo luz em tempos escuros!
Inspirada por São Francisco,
chamaria o COVID-19 de Irmão Vírus
e o acolheria como parte da criação divina...
Inspirada por Santo Antônio,
daria um jeito de estar
em mais de um lugar ao mesmo tempo,
para fazer presente o Amor de Cristo!
Inspirada por Nossa Senhora
visitaria todos os que precisassem
de sua ajuda, dizendo sempre sim
ao Cristo revelado naqueles
que procuram abrigo!
Contra a pandemia,
Santa Dulce dos Pobres
agiria sendo portal de esperança,
e contagiaria os outros com sua fé!
Transmitiria a sua confiança
e receitaria doses diária de oração
para fortalecer a imunidade
contra as tentações!
Enxergaria Jesus por trás
de cada máscara e, assim,
acolheria cada doente
com a misericórdia do Samaritano!
E, como Santa que é,
nos ofereceria milagres
do impossível,
na simplicidade do possível!
Creio que assim seria!

Sobre a arte! (sobre conversa on line com a Arte-Educadora Mônica Silva)



Toda arte extrapola a razão e o conhecimento...
É dom, mistério, milagre de criação revelado pela inspiração do Amor!
Arte é muito menos cérebro e muito mais coração...
É se pôr, como sol, a serviço da beleza, a serviço do olhar do outro, da troca, do encantamento!
Somos apenas instrumentos do Grande Maestro lá de cima! Cada um com seu dom, na grande orquestra da vida!
E quando a arte abraça a fé e saem juntas, de mãos dadas, passeando, uma oração acaba se revelando, manifestando a presença de Deus em nossas vidas!
É sempre assim quando o coração arde!
Ou será que um olhar silencioso que diz tudo também não é arte?
Uma mão estendida no momento certo não é arte?
Um sorriso que se reparte?
Uma flor oferecida como bálsamo pra dor de alguém...
Tudo é arte do Criador, quando manifestação do Amor!

Oração a Santa Dulce dos Pobres




Santa Dulce dos Pobres
andarilha da compaixão
que, pela tua inspiração,
aprendamos mais e mais
a cuidar...
Aprendamos a enxergar
muito além da razão...
Aprendamos a sentir
superando preconceitos...
Aprendamos a acolher
muito além da aparência...
Aprendamos a coragem
de ir além dos nossos muros...
Aprendamos a servir
nos antecipando
às solicitações...
Aprendamos a amar
vencendo nossas
limitações!
Santa Dulce dos Pobres
que cada um de nós
seja um portal
de esperança
para quem mais
necessita
do Amor de Deus
em suas vidas,

Amém!