segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Fontes...



De suas mãos
surgem traços
de carinhos
e abraços
que são ninhos
onde quero me deitar...

De seus olhos
brilham chamas
multicores,
das entranhas
brotam licores
que preciso degustar...

De suas pernas
nascem elos
de doçura,
corpos paralelos
à procura
de seu par...

De sua boca
chovem sonhos
em sussurros
onde deponho
armas e urros
sem hesitar...

De seu ventre
sinto o calor
de um doce leito
ouço o amor
sob seu peito
e o coração quer te pousar...

Eu mesmo não sei



De quando e onde
vem este perfume
que invade o ar

eu mesmo não sei...

De quando e onde
chega esta saudade
de algum lugar

eu mesmo não sei...

Apenas sinto
esta estranha presença
que me faz companhia
sem se apresentar...

De quando e onde
toma forma a sensação
deste olhar que adivinho

eu mesmo não sei...

De quando e onde
toma o paladar
este sabor de vinho...

eu mesmo não sei...

Apenas sinto
esta estranha presença
que me faz companhia
sem se apresentar...

Desafios



Quem te falou que eu desisti do teu beijo?
Ainda estou no trem e ainda é primavera...
Romeu sem Julieta é goiabada sem queijo...
Sou beija-flor vagabundo à sua espera...

Quem inventou esta história de longe?
Se o mundo nos separa, ainda insisto em te amar...
Sou só contemplação, sou silêncio de Monge...
Perigo é que meus olhos decidam me denunciar...

Quem foi que ousou duvidar da poesia?
Os versos se revelam quando o amor quer falar...
Ninguém tem o direito de negar a fantasia...
A flor que abre em segundos, vira meu mundo devagar...

Naquela rua




Naquela rua
passaram tantos carros
contaram tantas histórias
brincaram tantos sarros
morreram tantas memórias...

Naquela rua
vidas inteiras ficaram
sonhos dourados ruíram
mil brincadeiras calaram
amores fechados se abriram...

Naquela rua
a lua marcou comigo
e não veio...
Fiquei no passeio,
a mente nua,
sem nenhum abrigo...

Naquela rua
hospedei meus planos
contei meus acertos
me perdi nos enganos

Naquela rua
fiz algumas visitas
deixei um monte de avisos
conheci alguns artistas
reuni os grandes amigos

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Sobre o "Quase"



"Quase" é muito distante,
tão errante quanto o talvez...
Os dois são dilacerantes,
incerteza crua, fria aridez...

"Quase" é sempre deserto,
é o imprevisível que ronda
é o longe que está perto,
incerto como um mar sem onda...

A palavra engasgada
a indireta na frase
a verdade camuflada
na devastação de um quase...


"Quase" é um Quasar gigante
ameaça improvável e intangível
aspirando uma energia alucinante
na graça do universo inatingível...

"Quase" é o absurdo da dúvida
é sangue que deveria ter corrido
quando a pele estivesse mais lívida...
É tudo o que poderia ter sido...

A palavra engasgada
a indireta na frase
a verdade camuflada
na devastação de um quase...


“Quase” é o que não foi
quando poderia ter ido...
É o que ficou
quando deveria ter partido...

“Quase” é tudo que seria
Se não tivesse parado...
É o que restou da alegria
num sorriso amarelado...

A palavra engasgada
a indireta na frase
a verdade camuflada
na devastação de um quase...

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Mistérios



O mistério
é um fruto escondido
entre as folhas maiores
de uma árvore qualquer...

No meio do quintal
há tanto verde,
mas só uma copa me sorri
com a generosidade de mulher...

O mistério
está sustentado
por um pequeno talo
enquanto dança com o vento...

No seio maternal
há tanta seiva
mas só um deles se oferece
como meu alimento...

A vida se renova em mim
e eu nela...
Deitado na rede
ou na janela...
Olho pro espelho
e me pego a sorrir!

VIda




Vida
me dá minha parte
antes que me descarte o tempo
antítese do sonho...

Vida
me dá minha arte
antes de um infarte, o exemplo
metáfora da morte...

Vida
me dá minha herança
antes que a dança termine
hipótese do novo...

Vida
me dá minha recompensa
antes que a sentença mine
a tua própria resistência...

Fraternidade



Valente teimoso,
amigo de vida,
o tempo não dá trégua
e eu não vejo
a hora passar...

Relógio não é jóia,
ninguém vende o presente...
A herança dos meus netos
estará na gaveta
quando a hora chegar!

Não há nada
nem ninguém
mais teimoso
que o relógio
Tic-tac,
vai girando,
vai rodando
sem parar...

Amigo Valente
Teimoso no tempo,
a vida não dá trégua
e eu vejo
a vida passar...

O tempo é tão guloso
vai engolindo a gente
o arquiteto passa a régua
traça o destino
sem errar...

Não há nada
nem ninguém
mais teimoso
que o relógio
Tac-tic,
vai parando,
pilha acaba
sem avisar...

Dá o desconto
se ofendi
não levar o pulso.
É só um conto
a se contar pros netos
mais um dos contos avulsos
no meio da obra do arquiteto!

Pipocas...(Uma homenagem ao casório de Chicó e Sila)



O que é o que é? Dá um pulo e se veste de noiva?
Milho de Pipoca!
Mas hoje, peço licença para, também, estender esta brincadeira a vocês dois que vão se casar...
Este texto começa na seguinte pergunta que nos fizemos:
O que é o que é...
...que vamos dar de presente pra estes dois?
Milhares de idéias, nenhuma que entusiasmasse...
Pensamos em algo relacionado às artes, ao teatro, à música. Não achamos nada surpreendente a ponto de decidir. Pensamos em algo espiritual, algo que trouxesse proteção e paz ao cantinho de vocês. Desistimos, ao me lembrar que, além da fé ser algo muito pessoal, nada há de mais perfeito, neste sentido, do que vocês mesmos, templos do Deus que os criou. Aliás, proteção e paz serão presentes que vocês precisarão se dar, diariamente.
Assinar lista não é nossa praia, mesmo! Viva a surpresa, o sentimento e a sensibilidade, como acompanhantes essenciais de um presente dado a quem se quer bem...
Ok, uma cota para ajudar na lua de mel é uma boa idéia. Mas, só isso? Não...
Então, voltemos à pipoca...
Na Bahia pipoca é símbolo de alegria. É gente que se lança na avenida, sem medo de ser feliz...
Pipoca é mesmo algo mágico: Milho que explode para se transformar, mais leve, menos duro, mais saboroso. Grão que morre para se tornar alimento...
E mudando de assunto, como entretenimento, digam aí se há alguma coisa melhor num cineminha, como acompanhamento? Tá certo, se for doce, concordamos que beijo apaixonado é ainda melhor. Mas tirando isso, viva a pipoca!
Pronto, encontramos!
O presente ideal, algo que todas as vezes que vocês usarem, vão lembrar que tem gente que torce muito por vocês como casal. E ainda acompanha a receita de um ritual:
se o clima esquentar, rolar estresse, o negócio pegar, usem este presente à vontade, mas sempre juntos...
Não interessa o que estiver rolando: drama, suspense, ação, terror, romance. Não tem contra-indicação e pode ser usado quantas vezes vocês quiserem repetir.
E quando estiverem usando lembrem-se de tudo que a pipoca representa: Alegria, festa, entrega, magia, transformação, leveza, explosão, alimento, sabor, acompanhamento. Tudo isso é sal na vida a dois. É tempero fundamental...
Se o dia a dia estiver duro como milho, usem suas energias individuais e o fogo deste amor que hoje vocês celebram, para transformar milho em pipoca!
Um filmezinho de surpresa, um vinhozinho, uma buquê de flores, um jantarzinho especial, um carinho inesperado, uma cartinha e, vez por outra, o ritual da pipoquinha...
Desejamos que a vida a dois seja como este ritual...
Uma explosão de sentimentos bons, momentos saborosos, em quantidade, muita partilha e muita troca! E se a coisa pegar, dêem seus pulinhos, se vistam de noivos, de novo, e celebrem suas pipocas... Vocês vão adorar!
Esperam que curtam de montão este potão para pipocas, comendo juntinhos, vendo filminhos, em programinhas caseiros, ritual de companheiros, companheiros de vida que já são e esperamos que sejam para sempre, amém!

domingo, 22 de novembro de 2009

Podem tirar o cavalinho da chuva



Não há o que discutir
não procurem motivo
melhor celebrar o encontro
o tempo se manterá altivo
independente das diferenças
e dos pensamentos equivocados
Não se trata mesmo
de estar certo ou errado
em alguma hora
o erro será nosso
ninguém está sempre certo
ninguém é sempre perfeito
não tem jeito
a falha estásempre por perto
esperando o tropeço
mas a mão amiga de verdade
sempre se estenderá
para ajudar no recomeço...
Não procurem pretexto
não há porque reservar lugar
para a desavença...
Olhem para dentro
no centro de tudo
o filme passa...
Se não for possível,
olhem para fora...
Há um lindo céu azul
e nuvens brancas
em forma de cavalos
trotam com o vento...
É possível laçá-las
e voar com elas,
na direção da paz...
Chega de brigas,
chega de pelicas
nas mesmas luvas
que insistem em distribuir tapas...
Podem tirar o cavalinho da chuva...
Para cada dedo indicador,
um aceno, um aperto de mão,
para cada dedo acusador,
apenas um abraço de perdão...
Estou em paz...
Preservem um presente de pai...
O caminho está aí,
a estrada nos chama...
Andemos...
Enquanto não vem a chuva...

Família



A velha árvore
permanece de pé...
Algumas raízes
debaixo da terra
outras à mostra,
velhas de guerra...

Galhos fortalecidos
outros mais fracos
Alguns frutos já polpudos
outros ainda em flor
e nas folhas se multiplicam
ninhos e ninhos de amor...

A velha árvore
continua firme
depois de tempestades
e lenhadores
sua seiva corre viva
apesar de tantas dores...

Cada um e todos
dançando ao sabor do vento
Seu tronco sábio
se tornou flexível
e se repartiu, generoso,
vistoso guardião invencível...

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Da cor da tua luz



Acendeu a cor,
bastou apenas um sorriso
e tudo que eu preciso
é simplesmente seu amor...

Desligou o som
olhou, mas em silêncio,
falou mais forte o momento
e foi tão bom...

Luz,
centenas de feixes nús,
milhares de estrelas,
bilhões de centelhas,
na curta distância
entre nossos dois olhares....
Você me seduz...


Apagou o céu
mas o azul ficou no leito
de um rio voltando ao seu peito
e a nuvem tirando o véu...

Desenhou em minha mão
traços da distância cruel
que só estava no papel
do seu coração...

Luz,
centenas de feixes nús,
milhares de estrelas,
bilhões de centelhas,
na curta distância
entre nossos dois olhares....
Você me seduz...

Depois da Tempestade



Calmaria...
Vento de partida
pra outro lugar...
Brisa fria...
Resto de umidade
impregnando o ar...

A tempestade se foi
e agora?
De volta pro sol,
de volta pra luz
lá fora...


Ventania...
Tempo sem medida,
cidadão sem lar...
Esvazia
qualquer dignidade
quando só resta chorar...

Mas agora
a tempestade se foi, lá fora...
De volta pro sol,
de volta pra luz
é sempre tempo
de recomeçar

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Segredos de Longe



Me diz aonde é longe,
quando a saudade é presença...

Me conta como é que se esconde
tudo o que a gente sente...

Me mostra quando é que é tarde,
se alguém faz a diferença...

Me sopra tudo isso que arde,
quando até a verdade nos mente...

Por favor não cale
tudo isso que o seu olhar
tem pra dizer...

Por favor me fale,
se for preciso até chorar,
faça o que tem que fazer...


Me explica como pode ser deserto,
com tanta gente do seu lado...

Me ensina sobre a distância,
mesmo com alguém tão perto...

Me acorda enquanto ainda é cedo,
não deixa o que ainda vem virar passado...

Me sussurra qualquer segredo,
que me deixe boquiaberto...

Por favor não cale
tudo isso que o seu olhar
tem pra dizer...

Por favor me fale,
se for preciso até chorar,
faça o que tem que fazer...

Mundo cigano




Faz tempo
que os dias
são semanas
pra nós...

Ninguém tem tempo...
Vagamos por aí, sós...

Faz tempo
que os meses
se transformaram
em anos...

Ninguém tem tempo...
Somos um mundo cigano...


Emprestando
energia e tempo
a juros altos...

Depois cobrando,
nas esquinas,
entre ameaças e assaltos....

Ninguém mais
quer ler as linhas
de mãos que não sejam
as suas...

E o futuro se perdeu
no labirinto urbano
das ruas...

Ninguém tem tempo...
Somos um mundo cigano...

Perguntar não ofende



De onde viemos?
Como começamos?
Porque nós nascemos?
E pra onde nós vamos?

O que nós comemos?
Será que pensamos?
Quanto nós bebemos?
Você acha que contamos?

De onde começamos?
Porque nós viemos?
Porque aqui paramos?
Pra que nós sofremos?

Para que sorrimos?
Para que choramos?
Como nos sentimos?
Onde mesmo nós vamos?

Quem é você?
Quais são seus planos?
Quais são suas certezas?
Quais são os seus enganos?


O que você quer?
Em que você acredita?
Do que você gosta?
O que é que lhe excita?

Quem é seu exemplo?
Quais seus ideais?
O que move você?
O que te joga pra trás?

Quem é você?
Quais são seus planos?
Quais são suas certezas?
Quais são os seus enganos?


Quem você detesta?
Em quem você se mira?
Quem acha que não presta?
Quem você admira?

Quem é o próximo encontro?
Quando é o próximo amasso?
Quem está na sua lista?
Qual é o próximo passo?

Quem é você?
Quais são seus planos?
Quais são suas certezas?
Quais são os seus enganos?


Não, não me responda, não...
Guarde pra você
se tornar alguém melhor...

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

a certeza da dúvida




Dançam os guardas
abrem os portões
dançam as fardas
caem os botões
Dançam na madrugada
os guardiões
Dançam sem nada
com suas paixões...

A certeza da dúvida
é apenas a repetição
de uma mesma pergunta
que teima em ficar no ar...
Sem resposta e sem verdade
só uma aposta no suspense
fuga da realidade
dança de "la decandense"...

Forte como um tango
em alguns abraços,
e em outros passos
estranhamente suave....

Dançam os fortes
e as tentações
Dançam os fracos
e as frustrações
Dançam as mortes
e as emoções
Dançam os cacos
e as relações...

A certeza da dúvida
é somente a contradição
daquela mesma verdade
que teima em ficar no ar...
Sem resposta e sem pergunta
só uma aposta no suspense
quando a realidade se junta
à dança de "la decandense"...

Triste como um bolero
em alguns solfejos,
e em outros beijos,
estranhamente feliz....

Vontades


Vontade
de ficar bem
de estar só
sem ninguém...

Vontade
de comer mel
de tomar sol
sem chapéu...

Vontade
de ficar nús
de sentir nós
sem luz...

Vontade
de olhar mais
de provar sons
na paz...

Vontade
é tudo aquilo
que você
parece querer
até mais do
que você
se quer...

Vontade
é tudo aquilo
que você
parece guardar
até não mais
saber se ainda
vai querer...

sábado, 14 de novembro de 2009

Sorte minha, azar o seu




O que é que eu posso fazer
se eu não estou nem aí
pros cacos de espelho
que quebrei naquela noite?

O que é que eu posso dizer
se você não consegue dormir
por causa de uma escada
que você não contornou?

Você ouve demais a vizinha
que se acha muito viva, mas já morreu...
Eu prefiro manter minha linha,
sorte minha, azar o seu...


O que é que eu posso dizer
se um gato preto apareceu na esquina
cruzou seu caminho e depois
sumiu no mundo?

O que é que eu devo fazer
se eu acredito mesmo em sina
e isso vale pra nós dois,
e eu vou fundo!

Você ouve demais a vizinha
que se acha muito viva, mas já morreu...
Eu prefiro manter minha linha,
sorte minha, azar o seu...

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Sexta-feira 13 (Uma homenagem a Lila, que não acredita nessas coisas, no dia de seu niver, o dia de ser mais feliz!)




Bom dia!
Antes de mais nada, o meu mais sincero
desejo de boa sorte pra você,
neste belo dia 13, Sexta-feira...
Antes de sair por aí pensando em
desviar de escadas e gatos pretos,
que tal mentalizar que hoje,
como qualquer outra data do ano,
pode ser o dia de ser mais feliz?
Um jeito interessante de começar
pode ser dar de ombros para superstições
e profecias sobre este encontro mítico
da sexta-feira com o número 13...
Engraçado, ambos foram estigmatizados
por sua relação direta com a morte de Jesus Cristo.
A sexta, coitada, foi condenada a dia de azar, jejum
e penitência, por ter sido o dia da morte de Jesus Cristo.
Sempre questionei essa coisa...
Jesus veio pra isso ou não, finalmente?
Não era a sua missão? Então...
Quem acredita nele, como eu, não deveria
pensar que aquele foi um grande dia?
Afinal, naquele dia, ao morrer de braços abertos,
na cruz, Ele não realizou tudo o que precisava ser feito
para abrir nossos olhos e corações para a Verdade?
Então, porque crucificar também a Sexta?
Como diria Adriana Calcanhoto, "toda Sexta-feira,
todo mundo é baiano", todo mundo é conterrâneo
no planeta, todo mundo deveria estar de branco,
pelo menos interiormente, e trabalhar pela paz...
O 13, outro coitado, virou alvo
dos supersticiosos de plantão,
porque na última ceia, Jesus se sentou
com seus doze apóstolos e dividiu com
eles a sua última refeição antes de morrer.
Daí em diante, pobre daquele que se sentar
na cabeceira de uma mesa com 13 pessoas,
está fadado a morrer e ponto final!
Que grande bobagem...
Mais uma vez, os cristãos,
entre os quais me incluo com muito orgulho
e fé, deveriam ser os primeiros a pensar
no significado positivo e transformador
daquela ceia...
Nela, Cristo assume seu papel de alimento nosso,
transubstanciado em pão e vinho e, sozinho,
abraça o seu destino e a humanidade.
A mesma humanidade que o havia transformado
de verbo em carne, quando nasceu pequenino,
menino numa gruta em Belém...
Por que associar então o 13 ao azar?
Tudo era plano de Deus...
Fazia parte do script do "grande roteirista",
do projeto do "grande arquiteto"...
Então, viva o 13, viva a sexta,
tenha fé em Deus e ponto!
Pobres gatos pretos, pobres escadas,
pobres espelhos quebrados...
Ninguém pensa que um espelho quebrado
se transforma em outros vários espelhos
e serve a muito mais gente?
Bom, é tudo uma questão de ponto de vista...
Respeito quem prefere pensar negativo, lá eles...
Deixem eles batendo três vezes na madeira,
cruzando os dedos, usando seus pés de coelho
ou seus patuás, colhendo suas arrudas,
seus trevos de quatro folhas...
Afinal, não deixa de ser uma forma de acreditar...
Eu, de minha parte, continuo pensando:
Azar de quem acredita em azar...

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Carta de amor




Tanta coisa
ainda pra dizer
e já é madrugada....

No meio da estrada
o sol risca de azuis
um céu escuro, sem cor e luz...

E o tempo me diz
mais um dia virá
de qualquer jeito...

E o que posso fazer?
No meio da estrada,
só posso esperar
e mais nada...

Tanta coisa
ainda a amanhecer
tanta coisa errada...

No meio de nós
tanto laço a fazer
só me resta dizer

outra vez,
mais uma vez,
que eu amo você...

O Trânsito



Você que anda correndo, de um lado pro outro, por aí.
Freie um pouquinho. Pare alguns minutos, estacione a pressa.
Talvez você esteja andando na contra-mão da vida.
Nada vale tanto estresse. As pessoas estão se deixando
contaminar pela ira, diante de uma barbeiragem qualquer...
Não param pra pensar nas consequências dessa atitude.
Você nunca sabe quem é ou como está o "barbeiro" que te fechou.
Ele pode ser um velhinho indefeso, que cometeu um erro,
talvez por que seus reflexos não sejam mais os mesmos.
Mas pode ser também um marginal, armado, doido pro um motivo
para saciar sua sede de sangue.
Então pare, respire um pouco, use seu poder racional.
Alguns instantes podem ser a exata diferença entre a vida e a morte.
Faça a sua parte, contribua com a sua sorte!
Evite discussões desnecessárias, exerça o seu direito de "deixar pra lá"...
Você não mudará quem te deu aquela fechada absurda, nem tem o poder de curar aquela velha barbeira e surda que fez você se assustar e quase ter um infarte.
Mantenha a calma...
Mantenha a direita postura de pensar, antes de agir...
Siga em frente, sem tanto estresse...
Mantenha distância das confusões, dos ônibus e caminhões também...
Respeite os sinais e fique em paz, você está fazendo a sua parte...
Lembre-se que, na próxima esquina, seu destino pode mudar...
Pra que então arriscar?
Desacelere...
Pisque pra um lado, sorria pro outro, acene, seja simpático(a), cortês,
espere, ou melhor, dê a sua vêz, um pouco de gentileza não faz mal a ninguém,
pelo contrário, faz é bem...
Pra que se maltratar?
Não esqueça: a melhor faixa de segurança é aquela
que lhe mantém distante de uma parada cardíaca!
Falando em faixa de segurança, não é à toa que ela é branca, da cor da paz...
Dirija sua vida com cuidado...
Conduza com atenção...
Nada de sair por aí atropelando o direito dos outros de ir e vir...
A pressa é inimiga da direção, não tem conversa...
Acidente é resultado de infração...
Alguém sempre está errado...
Mantenha-se acordado!
Há vagas de sobra no cemitério, pra quem anda levando o trânsito tão a sério.
Saia dessa!
Se o mundo lá fora está parado, congestionado, não ligue...
Dentro do seu carro, há sempre uma música ou um assobio à sua disposição...
Pra que criar confusão, deixar a pressão subir?
O momento é sempre o agora e, por mais que esteja atrasado,
ficar alterado não vai te fazer chegar na hora...
Respire fundo...
Engate um pensamento positivo, você está vivo,
pra tudo se dá um jeito...
Se o carro apresentar um defeito, na hora do casamento,
convidados, padres, noiva, aguardarão alguns momentos
pelo seu sim...Calma, não é o fim...
Seu chefe? Por mais ragubento que seja,
também já pegou um engarrafamento, daqueles de esquentar a cabeça...
Quem sabe não é hora de uma cerveja no fim do expediente,
quem sabe um papo sobre aumento, afinal chefe também é gente...
E já que o papo é politicamente correto,
se os dois decidirem beber, deixem os carros na empresa
e enquanto ele sai da mesa, vai no banheiro e mija,
faça aquela surpresa: pague a conta, chame um táxi,
deixe o chefe em casa e lhe diga: se beber, não dirija!
De repente o chefe vira um amigo,
e ao invés de castigo vem até promoção!
Verde, amarelo, vermelho...
Surpresa, engasgo, emoção...
Aplausos, você é um artista,
vale sua carteira de motorista,
até a hora da renovação...

domingo, 8 de novembro de 2009

Gosto de mar na montanha




Não demora, não
vem me iluminar
vem deitar no horizonte
o sol do seu olhar...

Vem agora, senão
os meus olhos vão chover
encharcar minha fronte
com o gosto do mar...

As montanhas lá fora
oscilantes paisagens
são só gráficos perdidos
entre tantas miragens...

Não demora mais
vem me acender
não importa o que virá,
agora tem que valer...

Revoluções Naturais




Era ainda
primavera
em pleno
mês de Abril...

As flores
revolucionaram
a Terra
e na guerra
das estações
o Rei Solar
se confundiu...

Do centro
da floresta
alguém
comentou sobre
o outono...
Vivia no abandono
do morno
sem conseguir
se decidir
entre o quente
e o frio...

O mundo
já não compreendia
se era rebeldia
ou se a natureza
simplesmente
retribuía
o castigo sofrido
anos e anos a fio...

O tempo
se mostrava
uma fera...

Era ainda
primavera
em pleno mês
de Abril!

Entrega



Adoro sentir sua entrega
momentos de troca
de loucura cega
quando a gente se toca
nossas almas se beijam
nossos corpos se invocam
intensamente se desejam
e nossas bocas se chocam...

Não vejo nenhum nexo
em associar tudo isso
simplesmente ao sexo
sinto que é compromisso
um misto de procura
encontro e resposta
onde não é preciso jura
mas cumplicidade exposta...

A sedução não está apenas
na nudez partilhada
mas na certeza diária
de dois serem par, sendo um...

Algo incompreensível pra uns
talvez até impensável...
Mas o que é o amor
senão a realidade improvável?

Adoro dormir em teus abraços
e acreditar que habito seus sonhos
nos envolver nesses laços
nos quais plenamente me exponho...

No horizonte dos teus olhos
sinto segurança no vento
e volto a singrar os sinais
que os teus faróis transformam em sentimento...

sábado, 7 de novembro de 2009

De trás da porta



Eu sei,
nenhum outro amor
invadirá a sua arte...

Leve somente a dor que passou...

Antigamente é algo que não volta,
um passo errado faz parte apenas do passado
inteiramente esquecido...

Leve só o amor que cessou...

Aprender que o tempo é uma aposta
de onde surgem respostas e interrogações...

Não há desculpas por detrás das portas...
Intensamente se reguarde das contradições...

Leve, somente o amor...

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Viver cada dia




Acordar
com o pé direito
e sempre que possível
com o esquerdo também...

Depois agradecer a Deus
por mais um dia
com uma oração menos previsível
que um amém...

Escovar
dentes e cabelos
lavar o rosto, despertar,
tomar um banho frio

Depois se arrumar,
ingerir algum alimento
e correr atrás do sustento
que é tempo de plantio...

Viver cada dia
fugindo da rotina
aprender o que a vida ensina
e assobiar com alegria...

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Olhos ciganos



Fico pensando em até quando
seu olhar fugirá do meu...
Seus olhos andam tão ciganos,
adivinhando o que haverá
entre você e eu...

Fico sonhando e vou tentando
com meu olhar plebeu
ler seu olhar cigano
me decifrando e o que será
seilá, você já leu...

Nas minhas mãos
todas as linhas
falam por meu olhar...
E as suas mãos
tocam as minhas
e calam pra não revelar...

O que seus olhos ciganos
já sabem que sinto há tanto tempo
por você...
o que esses meus olhos urbanos
não sabem esconder...

Sinuosas Chagas





Tua estrada
sedutora e turva
sinuosas chagas,
perigosas curvas

Tua estrada
brilho de farol
vindo para mim
na contra mão

E contra o sol
eu vejo a luz
de cada detalhe
dos raiosdo seu olhar...

E contra o vento
eu vejo enfim os meus moinhos
e o pensamento é trazer você
de volta pro ninho...

Mais uma


Mais uma vez
mais uma chama
mais uma voz,
mais uma...

Algo se fez,
alguém que ama,
mais alguns nós,
mais uma...

Mais uma estrofe
mais uma rima,
mais uma canção,
mais uma...

Ainda sofre,
além da sina,
outra paixão,
mais uma...

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Dia de Finados...



Afinal, quem são os mortos?
Quem somos nós
que nos dizemos vivos
para celebrá-los?
Quem são os tortos?
De quem são os portos?
Quem se considera livre?
Ao contrário, quem se percebe cativo?
Quem se investe no direito
de incomodá-los?
Quem são os retos,
legítimos herdeiros do poder
de atravessar os desertos desvios
que separam vida e morte?
Quem são os santos?
Onde estão seus mantos vermelhos
que encobrem o mármore branco
das criptas?
Onde estão os coveiros?
Porque insistimos em procurar
vivos no meio dos mortos?
Porque insistimos em viver
como mortos vivos?
Entre artistas, legistas,
presuntos, defuntos,
cadáveres ou corpos,
tudo não passa de resto...
Pó voltando ao pó...
Manifesto de nossa condição passageira,
efêmeras existências,
essências decantadas entre sepultamentos
e cremações...
Mas realmente perdidas
na falta de memória das gerações
que ignoram as histórias bonitas
de seus ancestrais...
Finados...
Quem são mesmo estes tais?
São os que se foram
ou somos nós
quando perdemos a paz?
Celebrar que verdade, a da saudade?
Na Comunhão dos Santos,
mortos ou vivos,
sinais de esperança,
de luz depois do fim...
Sim, há um jardim,
há um sepúlcro vazio,
há um jardineiro sorrindo,
em algum canteiro,
de nossa falta de fé,
de entendimento...
Continuamos procurando...
Mortos entre vivos,
vivos entre mortos,
sem achar nenhuma resposta...

O que interessa....




Vou preparar minha estrada...
Vou renascer, criar asas...
Vou acordar, madrugada...
Vou refazer minha casa...

Ir e voltar, noite alta...
Chorar ou rir, o que interessa...
Do meu lugar, sinto falta...
Redescobrir , velhas promessas...

Não adianta tentar
me convencer mais uma vez
Não vou desistir de marcar
encontro com o infinito
Não vale a pena insistir,
seria como revogar minhas leis,
ou então me acordar de um sonho
no momento mais bonito...

Vou retirar, minhas queixas...
Reconstruir os seus castelos...
Reconquistar aquelas deixas...
Realinhar os paralelos....

Um bom ano



Ouço alguém comentar,
de algum lugar da varanda,
me lembrando que lavanda
afugenta escorpiões...

Não sei como será
a safra que nós plantamos
e os sonhos que nós brindamos
serão simples ilusões?

Devo cantar para as uvas
elas precisam de harmonia
além de sol e das chuvas...

Devo cantar pra você
sussurrar toda magia
que exala do seu bouquet...

Não vamos fazer nenhum plano...
Basta que nosso amor
tenha o encanto e o sabor de um bom vinho...

Não vamos destruir nosso ninho...
Basta que o nosso amor
tenha o encanto e o sabor de um bom ano...

Maravilha


Só você,
meu amor,
traz a luz
pra mim...


Chega assim,
me seduz,
faz a cor
sem fim...

E eu fico em paz,
basta te ver...
Entreter seu olhar
faz a vida valer...

Só você,
meu amor,
ouve de mim
“eu amo você...”