quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Não diga às bruxas que eu existo!




Não diga às bruxas
que eu existo,
elas não crerão...
Primeiro rirão,
depois dirão que não sou
nada disto,
sou apenas o efeito
de uma poção
ou de um feitiço,
a sobra de uma jura
num caldeirão
que fez uma enorme
mistura em sua razão.
Nada mais que isso!

Por favor,
não diga às bruxas,
eu insisto,
acredite em mim,
elas não crerão...
É muita realidade
pra um mundo místico,
é muita contradição
para ser verdade!
Como elas acreditarão
na humanidade,
se o próprio ser humano
tem vivido de auto-negação?!

Não, por favor,
eu imploro,
não diga às bruxas
da minha existência...
Não vão te dar nem liga,
no mínimo te ignorarão...
Tenha clemência!
Deixa como está,
elas não acreditam,
mas eu existo...
E como um Quixote
entre moinhos,
perdido entre o que sou
e o que já fui antes,
repouso a lança
e escuto um Sancho
dizer baixinho,
com a devida licença
de Cervantes,
não seja responsável
por mais um tabu que cai:
"yo no creo en las brujas,
pero que las hay,
las hay!"

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